É do Caribe: Oposição pede CPI para investigar offshore de Paulo Guedes em paraíso fiscal

É do Caribe: Oposição pede CPI para investigar offshore de Paulo Guedes em paraíso fiscal

A oposição no Congresso Nacional promete infernizar a vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, com a denúncia de que ele e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, têm empresas (offshores) abertas em paraísos fiscais no Caribe.

Segundo informação divulgada pelo “Pandora Papers”, Guedes e Campos Neto mantiveram as offshores em paraísos fiscais mesmo após entrar no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2019.

O “Pandora Papers” é projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que conta com veículos jornalísticos de diversos países.

Reportagem publicada pela revista Piauí publicada no domingo (03/10) revelou que Guedes, então sócio da gestora Bozano Investimentos, fundou a empresa Dreadnoughts International, uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas em 2014. A criação teria ocorrido no contexto de instabilidade econômica em que o Banco Central tomava providências para conter a alta do dólar. Nos meses que seguiram Guedes teria depositado US$ 9,55 milhões (R$ 23 milhões à época / R$ 50 milhões na cotação atual) na conta da offshore.

Ocorre que o Código de Conduta da Alta Administração Federal proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, para evitar autofavorecimento a partir de informações privilegiadas por conta do cargo ocupado. Sendo assim, a regra atinge Guedes a partir de 2019, quando entra no governo Bolsonaro.

O ministro da Economia e o presidente do Banco Central alegam que as offshores estão declaradas à Receita Federal e negaram irregularidades. As penas para infrações do artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal podem variar entre advertência e recomendação de demissão. O ministro da Economia disse que ao assumir o cargo informou à Comissão de Ética Pública, que julga possíveis infrações ao código, sobre seus investimentos no exterior. O caso foi arquivado pela comissão.

A conta é seguinte: Paulo Guedes lucrou R$ 14 mil por dia com offshore já como ministro da Economia. Com a desvalorização do real na gestão do ministro, os investimentos de Paulo Guedes valorizaram de R$ 23 milhões para R$ 51 milhões.

Para Guilherme Boulos, do PSOL, em qualquer governo sério, o ministro Paulo Guedes seria demitido a bem do serviço público. “Paulo Guedes lucrou às custas da fome do povo brasileiro”, disparou o líder do MTST, que, durante um debate na GloboNews, disse que a oposição vai pedir abertura de CPI para investigar os paraísos fiscais de membros do governo Bolsonaro.

“É escandaloso que o ministro da economia esteja dos 2 lados do balcão, além de poder ser um crime pelas suspeitas de movimentação no exercício do cargo”, disse Boulos. “Não contente em destruir a economia, devolver o país ao mapa da fome, ele conseguiu lucrar com isso”, afirmou. “Em qualquer governo sério, Paulo Guedes estaria demitido depois de um escândalo como esse”, fulminou Guilherme Boulos.

Oficialmente, o PT ainda não se manifestou –nem o ex-presidente Lula– sobre as milionárias offshores de Paulo Guedes em paraísos fiscais.

“Inacreditável! Notícias revelam que o ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do BC possuem empresas em paraísos fiscais. A legislação proíbe essa prática para membros do governo e funcionários públicos. O fato comprova que há conflito de interesses no governo Bolsonaro”, reagiu o ex-senador Lindbergh Farias, atualmente vereador do PT no Rio.

“E agora? O Guedes e o Roberto Campos?”, questionou Roberto Requião, pré-candidato a governo do Paraná, que no Senado também era crítico de políticas neoliberais que beneficiavam o “capital vadio” em detrimento do capital produtivo.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que é antiético manter contas em paraísos fiscais para não pagar impostos. “Se a conta é de uma autoridade econômica e foi declarada, pode ser legal, mas é grave. Se houve movimentação financeira é improbidade. Se usou informação privilegiada é crime! Se não apurar, é conivência!!”, avaliou o pré-candidato do PT ao governo paulista.

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