Ministério Público da Bolívia indicia general aposentado por atuação em massacre

O Ministério Público boliviano acusou o general aposentado Luis Fernando Valverde de homicídio e ferimentos graves durante a violenta repressão estabelecida na usina de gás Senkata em 19 de novembro de 2019.

Valverde estava a cargo da Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) e nos dias seguintes ao golpe de Estado contra o presidente Evo Morales foi ele quem decidiu o destino da operação militar e policial que culminou com 10 manifestantes mortos e pelo menos 65 feridos.

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“Agora temos que esperar que a autoridade jurisdicional estabeleça uma data e hora para a audiência das medidas cautelares, onde pediremos a prisão preventiva do suspeito”, disse Marco Antonio Cossío, promotor do departamento de La Paz.

Cossío disse ter recolhido depoimentos de testemunhas que implicam Valverde no massacre e acrescentou que a investigação será estendida aos então Ministros do Governo e da Defesa, Arturo Murillo e Luis Fernando López, peças centrais do governo da presidente golpista Jeanine Áñez.

“Continuaremos a lutar para encontrar nossos algozes, sabemos de onde vieram as balas e chegaremos à verdade. Nosso apelo por justiça é inabalável”, disse o promotor.

Massacre
Em 19 de novembro de 2019, militares e policiais buscaram abrir caminho para trazer combustível de uma refinaria da petroleira estatal YPFB localizada no bairro de El Alto, em Senkata, para La Paz, que foi cercada e privada de abastecimento por bloqueios desencadeados após o golpe contra Evo Morales. Conflitos violentos foram registrados naquele dia entre forças repressivas e manifestantes leais a Morales.

No momento de maior tensão, Valverde deu ordem para que seis tanques que escoltavam os caminhões-tanque com combustível voltassem à refinaria onde ocorria a manifestação. Cada um desses veículos carregava uma dezena de soldados que reforçavam o contingente que já estava dentro da fábrica.

“Posteriormente presume-se que os militares, sob ordem hierárquica e aquiescência de seus superiores, teriam reprimido a população civil com armas e munições letais”, diz o comunicado da Promotoria de La Paz.

Com informações do Página12