Ratinho quer militarizar escolas para nomear diretor sem eleição direta

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O governador Ratinho Junior (PSD) tentará driblar o judiciário, que revogou a nomeação de diretores não eleitos, ampliando a militarização das escolas da rede pública no Paraná. Com esse objetivo, o mandatário estadual convocou sessões extraordinárias da Assembleia Legislativa a partir desta segunda-feira, 11.

Segundo o deputado Tadeu Veneri (PT), o governador está obcecado em criar escolas militares em cada ponto do Estado e isso dispensaria a realização de eleição direta para a escolha de 2,1 mil diretores e equipe pedagógica.

“Ratinho Junior (PSD) mandou projeto de lei para a Assembleia Legislativa para ampliar o programa das escolas cívico-militares, aprovado no ano passado”, disse o parlamentar ao prever que haverá casos em que uma cidade só terá a opção da escola militar. “Um absurdo e um desrespeito à população de um governador bolsonarista, sem nenhum compromisso com a educação pública”, denunciou o petista.

Sobre a mensagem de militarização das escolas

A mensagem do governador do Paraná permite que sejam militarizadas escolas em municípios com menos de dez mil habitantes, o que era proibido pela lei atual. Com isso, o governador aumenta o alcance do seu programa que é combatido por educadores e deputados de oposição.

“Ratinho Junior também autoriza que militares com menos de dez anos de trabalho passem a atuar nas escolas militarizadas”, continuou Veneri.

“A mensagem de Ratinho prevê ainda que, depois de selecionadas para o programa, as escolas não poderão mais ofertar ensino integral, ensino técnico, noturno ou ser Ceebja. A lei votada no ano passada impedia a conversão em militar das escolas que ofereciam ensino noturno”, escandalizou-se o deputado do PT.

Discurso vs prática

O deputado Requião Filho (MDB), pelo Twitter, vê uma tentativa de golpe do governador Ratinho Junior contra a democracia na educação pública paranaense.

“Quando invadiram o Capitólio nos EUA teve um bando de político se dizendo indignado e defendendo a democracia. Entre esses políticos estão os deputados da Assembleia Legislativa, que estão convocando extraordinária para votar sem discussão e sem debate um tema sem urgência”, criticou o emedebista, que vê a contradição entre o discurso e a prática dos colegas de parlamento.