Partidos da Oposição repudiam Bolsonaro por vetar vacina chinesa contra a Covid-19

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Os líderes dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados divulgaram hoje (21) nota de repúdio à declaração do presidente Jair Bolsonaro contrária ao eventual uso de vacina chinesa contra a Covid-19. Eles afirmam que a posição de Bolsonaro “evidencia desprezo à vida dos brasileiros” e dissipa qualquer dúvida sobre a responsabilização do capitão-presidente na morte de mais de 154 mil brasileiros por Coronavírus.

“Negar o acesso da população a uma vacina, qualquer vacina, capaz de prevenir doença altamente mortal, é um crime grave, pelo qual o seu autor deve responder não apenas à história, mas aos tribunais”, declaram os líderes da oposição.

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Os parlamentares frisam que a posição de Bolsonaro configura “ tentativa de homicídio, ameaça de genocídio e crime contra a humanidade”, crimes que “devem ser julgados pelo Judiciário brasileiro e em foros internacionais de defesa dos direitos humanos.”

Eles anunciam também que vão denunciar Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, onde vão pleitear a “proibição do veto à vacina e a sua punição, caso insista em cometer esta insanidade!”.

A nota é assinada pelo líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o da Oposição, André Figueiredo (PDT/CE), o líder da Minoria no Congresso Nacional, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e os líderes do PT, Enio Verri (PR), do PSB, Alessandro Molon (RJ), do PDT, Wolney Queiroz (PE), do PSOL, Sâmia Bomfim (SP), do PCdoB, Perpétua Almeida (AC), e da Rede, Joênia Wapichana (RR).

Leia a íntegra da nota:

“NOTA DOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO
Veto de Bolsonaro a vacina contra Covid-19 é ato genocida contra o povo brasileiro.

Os líderes dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados repudiam as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o eventual uso de vacina chinesa contra a Covid-19.
A declaração do presidente da República de que não vai permitir a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, de fabricação chinesa, anunciada ontem pelo seu ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, evidencia o desprezo à vida dos brasileiros.

Se havia alguma dúvida de que, por negligência, Bolsonaro deveria ser responsabilizado por parte das mais de 154 mil mortes de brasileiros pela Covid-19, qualquer controvérsia se dissipou hoje.

Negar o acesso da população a uma vacina, qualquer vacina, capaz de prevenir doença altamente mortal, é um crime grave, pelo qual o seu autor deve responder não apenas à história, mas aos tribunais. Por ignorância e preconceito, Bolsonaro faz de sua índole neofascista e de sua cega subserviência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma arma que vai expor à morte a população brasileira — sobretudo trabalhadores da linha de frente do combate à doença, assim como idosos e integrantes de grupos de risco. Quantos brasileiros ainda vão morrer por conta dessa disputa eleitoral promovida por Bolsonaro?

Trata-se de tentativa de homicídio, ameaça de genocídio e crime contra a humanidade. Crimes que devem ser julgados pelo Judiciário brasileiro e em foros internacionais de defesa dos direitos humanos.

Desonesto, Bolsonaro alega que vai vetar a vacinação com a Coronavac porque “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”. Esse é o mesmo presidente que fez os brasileiros de cobaia da cloroquina, remédio que não cura a Covid-19 e tem efeitos colaterais que podem matar. Bolsonaro desperdiçou dinheiro público obrigando o Exército a fabricar quantidades gigantescas de cloroquina, mesmo sabendo que ela era inócua e perigosa.

É o mesmo presidente que promoveu uma cerimônia de incentivo ao uso de um remédio contra vermes, igualmente inútil, estimulando seu uso por meio de um gráfico mentiroso, copiado de um banco de imagens da internet.

A Oposição não vai permitir que Bolsonaro cometa mais este crime contra a população brasileira. Vai denunciá-lo e pleitear no Supremo Tribunal Federal a proibição do veto à vacina e a sua punição, caso insista em cometer esta insanidade.

Basta de brincar com a vida do povo brasileiro!

Brasília, 21 de outubro de 2020

-José Guimarães (PT-CE), Líder da Minoria na Câmara
-André Figueiredo (PDT/CE), Líder da Oposição na Câmara
-Carlos Zarattini (PT_SP), Líder da Minoria no Congresso Nacional
-Alessandro Molon (RJ), Líder do PSB
-Enio Verri (PR), Líder do PT
-Wolney Queiroz (PE), Líder do PDT
-Sâmia Bomfim (SP), Líder do PSOL
-Perpétua Almeida (AC), Líder do PCdoB
-Joênia Wapichana (RR), líder da Rede”