Globo bolsonarista manipula a crise econômica na pandemia de Covid-19

Aderida ao bolsonarismo econômico, a TV Globo manipula os dados da crise econômica dentro de uma hermenêutica que poderíamos chamar de fake news. Sim, a emissora dos Marinho é uma das principais disseminadoras de notícias falsas. Sempre foi, aliás.

Na manhã deste domingo (9), por exemplo, a Globo mostrava o bem produzido “Pequenas Empresas & Grandes Negócios”. Por seu olhar, que é o mesmo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a atração explicou a baixa atividade econômica no comércio: o trabalho de ‘home office’ tirou as pessoas das ruas, blá, blá, blá.

O trabalho remoto não é o bastante para reduzir consumo nesta proporção catastrófica.

O que está deixando restaurantes e comércios vazios é falta de circulação de dinheiro. Os brasileiros perderam sua capacidade de compra com a redução de salário e com os 77,8 milhões de desempregados, metade da população economicamente ativa (PEA).

A própria matéria do PEGN é contraditória porque mostra as lojas abertas, uma reivindicação de Bolsonaro e dos comerciantes, porém os balconistas e os atendentes às moscas, sem clientes.

Falta massa salarial no comércio, que foi aturdido pela falsa promessa de prosperidade com a retirada de direitos dos trabalhadores, com a redução do salário. Os setores comércio, indústria e serviço foram envenenados pelo próprio veneno, portanto, ao precarizar sua mão de obra. Em perspectiva, diminuíram a circulação de dinheiro e ajudaram abrir o buraco.

Voltemos à Globo e aos jornalões, que a macaqueiam.

Para proteger a política econômica de Bolsonaro, que é benéfica para os bancos, seus atuais donos, a velha mídia corporativa põe a culpa pela depressão na economia ao ‘home office’ –mais um subproduto da pandemia do novo coronavírus.

O cenário é bom para eles –Globo, bancos e Bolsonaro—e ruim para o povo brasileiro. Mídia e bancos ganham muito na pandemia e o presidente também lucra permanecendo no cargo.

As críticas ao presidente Jair Bolsonaro são perfumaria, um teatro, para distrair o distinto público e manter o atual estado de coisas favorável ao establishment.

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Bolsonaro acusa TV de comemorar as 100 mil mortes por Covid-19

O presidente Bolsonaro acusou uma “grande TV” de comemorar o recorde de 100 mil mortes por Covid-19 atingido neste sábado (8). Neste domingo (9), o Brasil já tem 101.049 mortos pela doença.

Sem dizer o nome da emissora, ele escreveu: “De forma covarde e desrespeitosa aos 100 mil brasileiros mortos, essa TV festejou essa data no dia de ontem, como uma verdadeira final da Copa do Mundo, culpando o Presidente da República por todos os óbitos.”

Ele ainda acusou a emissora de espalhar o pânico na população e a discórdia entre os Poderes.

Pois ora, uma doença capaz de matar 100 mil pessoas em 5 meses no brasil tem potencial para causar pânico, medo e receio que devem se traduzir em extremo cuidado para evitar a contaminação.

Se isso tivesse acontecido, muitas dessas 100 mil vidas teriam sido poupadas.

Já a deputada bolsonarista Carla Zambelli, disse que a esquerda parece comemorar as 100 mil mortes; mas que o mais importante é que o Brasil já soma 2 milhões de curados:

Ela não atina para o fato de que só há um grande número de curados porque muita gente foi infectada. E isso aponta para a tragédia das 100 mil mortes.

Fora Temer no Líbano

Os libaneses já preparam uma recepção “calorosa” para o ex-presidente brasileiro Michel Temer (MDB), em Beirute, com manifestação Fora Temer.

De origem libanesa, Temer é um dos homens mais impopulares do planeta. Deixou a Presidência da República, em 1º de janeiro de 2019, com menos de 3% de aprovação. Ele foi importante engrenagem no golpe de Estado, em 2016, e na continuidade do massacre dos trabalhadores —com o maior número de desempregados no mundo, 77,8 milhões— na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

Beirute entrou em convulsão com as explosões que deixaram mais de seis mil feridos. As manifestações avançam sobre prédios públicos e há conflito com a polícia. Neste domingo (9), os ministros da Informação e do Meio Ambiente se demitem.

O leitor deve se recordar que os libaneses já estavam protestando antes mesmo da explosão contra os bancos. Você leu aqui no Blog do Esmael que, no mês de maio, agências bancárias foram queimadas pela população em meio à pandemia de Covid-19 na capital Beirute.

Segundo a TV Al Jazeera, pelo menos uma dúzia de bancos libaneses em todo o país foram incendiados e vandalizados durante a segunda noite consecutiva de protestos furiosos alimentados pela frustração pela depreciação irrestrita da moeda nacional –a Libra libanesa.

Então, “Fora Temer” encontrará um “mini-Brasil” pela frente. Lá como aqui há desemprego e especulação de banqueiros, que ganham fortunas durante a pandemia no novo coronavírus.

Quanto à nomeação de “Fora Temer” para “missão humanitária” no Líbano, mais do que piada pronta, é uma puta sacanagem de Jair Bolsonaro com os brasileiros e libaneses.

Isso tem tudo para dar ruim…

Ex-ministro Santos Cruz faz duras críticas a Bolsonaro pelos 100 mil mortos da Covid-19

O ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, fez duras críticas ao presidente pela superação dos 100 mil mortos por Covid-19 no sábado (8).

O general que foi comandante das forças da ONU no Haiti e no Congo escreveu pelo Twitter:

“TRISTE DIA DOS PAIS
O Brasil chora mais de 100.000 mortos. Quantos órfãos, quantas famílias mutiladas? A dor maior é saber que parte dessas perdas poderia ter sido evitada se houvesse liderança para a união de todos pela vida dos brasileiros. Até quando?”

A declaração evidencia o fato de que há uma boa parcela dos militares que está insatisfeita com o governo do “Capetão Corona”.