Fora Temer no Líbano

Os libaneses já preparam uma recepção “calorosa” para o ex-presidente brasileiro Michel Temer (MDB), em Beirute, com manifestação Fora Temer.

De origem libanesa, Temer é um dos homens mais impopulares do planeta. Deixou a Presidência da República, em 1º de janeiro de 2019, com menos de 3% de aprovação. Ele foi importante engrenagem no golpe de Estado, em 2016, e na continuidade do massacre dos trabalhadores —com o maior número de desempregados no mundo, 77,8 milhões— na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

Beirute entrou em convulsão com as explosões que deixaram mais de seis mil feridos. As manifestações avançam sobre prédios públicos e há conflito com a polícia. Neste domingo (9), os ministros da Informação e do Meio Ambiente se demitem.

O leitor deve se recordar que os libaneses já estavam protestando antes mesmo da explosão contra os bancos. Você leu aqui no Blog do Esmael que, no mês de maio, agências bancárias foram queimadas pela população em meio à pandemia de Covid-19 na capital Beirute.

Segundo a TV Al Jazeera, pelo menos uma dúzia de bancos libaneses em todo o país foram incendiados e vandalizados durante a segunda noite consecutiva de protestos furiosos alimentados pela frustração pela depreciação irrestrita da moeda nacional –a Libra libanesa.

Então, “Fora Temer” encontrará um “mini-Brasil” pela frente. Lá como aqui há desemprego e especulação de banqueiros, que ganham fortunas durante a pandemia no novo coronavírus.

Quanto à nomeação de “Fora Temer” para “missão humanitária” no Líbano, mais do que piada pronta, é uma puta sacanagem de Jair Bolsonaro com os brasileiros e libaneses.

Isso tem tudo para dar ruim…

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O presidente Jair Bolsonaro participou, na manhã deste domingo (9), de uma videoconferência com outros chefes de Estado e de governo para tratar das ações de apoio ao Líbano. Na última terça-feira (4), uma grande explosão na zona portuária de Beirute, capital do país, deixou um saldo de centenas de mortes e milhares de feridos. Ao detalhar as ações do governo brasileiro, Bolsonaro disse que convidou o ex-presidente Michel Temer, que tem ascendência libanesa, para coordenar a missão.

“Nos próximos dias, partirá do Brasil, rumo ao Líbano, uma aeronave da Força Aérea Brasileira com medicamentos e insumos básicos de saúde, reunidos pela comunidade libanesa radicada no Brasil. Também estamos preparando o envio, por via marítima, de 4 mil toneladas de arroz, para atenuar as consequências da perda dos estoques de cereais destruídos na explosão. Estamos acertando, com o governo libanês, o envio de uma equipe técnica, multidisciplinar, para colaborar na realização da perícia da explosão. Convidei, como o meu enviado especial e chefe dessa missão, o senhor Michel Temer, filho de libaneses e ex-presidente do Brasil”, afirmou Bolsonaro. A reportagem ainda aguarda resposta da assessoria de Temer e do Palácio do Planalto confirmar se ele aceitou o convite.

A videoconferência foi iniciativa do presidente da França, Emmanuel Macron, e contou com a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do presidente do Líbano, Michel Aoun, além dos líderes de países como Egito, Catar e Jordânia, entre outros. Em seu breve pronunciamento, Bolsonaro classificou a reunião como necessária e urgente, reafirmou suas condolências às famílias das vítimas da tragédia e destacou a relação histórica entre Líbano e Brasil.

“O Brasil é lar da maior diáspora libanesa no mundo, 10 milhões de brasileiros de ascendência libanesa formam uma comunidade trabalhadora, dinâmica e participativa, que contribui de forma inestimável com o nosso país. Por essa razão, tudo que afeta o Líbano nos afeta como se fosse o nosso próprio lar e a nossa própria pátria”, disse.

Lula diz que a ‘solidariedade’ é o caminho para sair da crise

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em carta divulgada neste sábado (8), afirma que “se o coronavírus revelou e resgatou a empatia do brasileiro de se solidarizar, ele também mostrou um lado cruel do egoísmo, e uma dose de desprezo pela vida de nossos mais velhos e mais vulneráveis”.

No texto, Lula fez uma referência aos cem mil mortos pela pandemia do novo coronavírus no país. “Eram médicos, enfermeiros, agentes de saúde, motoristas de ambulância, agentes de segurança. Homens e mulheres que dedicaram a própria vida a salvar a de seus companheiros. Eram parte do povo brasileiro”.

O líder oposicionista também denunciou “a arrogância e prepotência de um presidente [Bolsonaro] que um dia escolheu chamar esse vírus cruel de gripezinha, desafiando a ciência, a lógica, e até a morte, e que carregará na alma a responsabilidade por milhares de vidas”.

Leia a íntegra da carta de Lula:

100 mil vidas. Em 144 dias, o coronavírus levou embora precocemente 100 mil pais, mães, filhos, irmãos, avós. Eram amigos, conhecidos, eram trabalhadores que se viram obrigados a deixar seus lares e lutar pelo pão de cada dia.

Eram médicos, enfermeiros, agentes de saúde, motoristas de ambulância, agentes de segurança. Homens e mulheres que dedicaram a própria vida a salvar a de seus companheiros. Eram parte do povo brasileiro.

Uma doença que paralisou o mundo, mas que no Brasil foi desprezada por quem mais deveria cuidar do povo. Pela arrogância e prepotência de um presidente que um dia escolheu chamar esse vírus cruel de gripezinha, desafiando a ciência, a lógica, e até a morte, e que carregará na alma a responsabilidade por milhares de vidas.

Se o coronavírus revelou e resgatou a empatia do brasileiro de se solidarizar, ele também mostrou um lado cruel do egoísmo, e uma dose de desprezo pela vida de nossos mais velhos e mais vulneráveis. Que hoje sofrem com o medo e o isolamento forçado, abandonados à própria sorte pela desorientação do presidente da República.

Nesta data trágica em que completamos 100 mil vidas perdidas, em um país com quase 3 milhões de infectados, me pergunto: a quantas mortes estamos dispostos a chegar? Peço ao povo brasileiro, do fundo coração, que se cuidem. Lembrem-se que a vida é o dom mais precioso do ser humano. Usem máscara, lavem as mãos, evitem aglomerações desnecessárias, ajudem aqueles que mais precisam. Cuidem dos seus.

Deixo meu abraço fraterno a todos que perderam alguém que amavam para o coronavírus. E neste dia de saudade, que honremos a vida daqueles que se foram promovendo a consciência. A solidariedade se faz obrigatória pra sairmos dessa crise.

Um abraço,
Lula