No Líbano, bancos são queimados pela população em meio à pandemia de Covid-19

Os libaneses perderam a paciência com os banqueiros –únicos a faturarem alto em meio à pandemia de Covid-19– e atearam foto às agências bancárias na capital Beirute, nesta quarta-feira (29).

Segundo a TV Al Jazeera, pelo menos uma dúzia de bancos libaneses em todo o país foram incendiados e vandalizados durante a segunda noite consecutiva de protestos furiosos alimentados pela frustração pela depreciação irrestrita da moeda nacional –a Libra libanesa.

Centenas de manifestantes foram às ruas de Beirute ao sul de Sidon, junto com Nabatieh, o vale de Bekaa, e Trípoli e Akkar, no norte.

Embora não esteja claro quantos civis foram feridos, 81 agentes de segurança ficaram feridos em todo o país durante as tentativas de conter os distúrbios, incluindo 50 em Trípoli, disseram os militares.

Os maiores e mais violentos protestos ocorreram na cidade de Trípoli, no norte – a segunda maior e mais pobre cidade do Líbano, depois que o manifestante Fouaz al-Semaan morreu na terça-feira de ferimentos sofridos enquanto protestava na noite anterior.

A irmã do homem de 26 anos, Fátima, disse que o exército libanês atirou nele. Os militares expressaram seu “arrependimento” pelo assassinato sem reivindicar diretamente a responsabilidade e disseram que lançaram uma investigação.

A Human Rights Watch disse na terça-feira que a resposta pesada do exército aos protestos provocou tensões. Pedia uma investigação transparente da morte de al-Semaan, cujos resultados deveriam ser divulgados publicamente.

Manifestantes em Trípoli começaram a incendiar os bancos na tarde de terça-feira, depois que o al-Semaan foi morto, e os confrontos continuaram até as primeiras horas desta quarta-feira, quando eram perseguidos pelas ruas por soldados.

No sul de Sidon, uma agência do banco central foi atingida por pelo menos meia dúzia de bombas de gasolina, com aplausos da multidão de manifestantes cada vez que um Molotov atingia sua marca.

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Investidores brasileiros esperam convulsões sociais após pandemia do coronavírus, diz pesquisa de banco suíço

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não terá vida fácil no pós-pandemia de coronavírus e 56% dos empresários e investidores esperam por convulsões sociais, saques ao comércio e protestos contra o aumento do desemprego. A pesquisa é do banco suíço UBS.

A instituição financeira afirma que 76% dos entrevistados estão, hoje, mais preocupados com o coronavírus e 54% temem eventuais protestos pelo aumento do desemprego.

O banco corrobora com a informação que o Blog do Esmael tem repassado aos leitores: a OIT (Organização Internacional do Trabalho) consideram o Brasil o país com o maior número de desempregados do mundo, em virtude da reforma trabalhista –e outras medidas supervenientes de Bolsonaro– que precarizara, uberizaram e informalizaram a mão de obra.

No desespero da fome, teme-se, poderá haver saques ao comércio e aumento da criminalidade em geral. Isso tudo geraria insegurança à sociedade e aos investimentos.

Segundo o levantamento, 43% dos investidores se preocupam também com a possibilidade de perderem seu “santo protetor” no governo, o ministro da Economia Paulo Guedes, o primeiro a ser “degolado” em público em caso de convulsão social para que sejam adotadas políticas desenvolvimentistas (pleno emprego, etc.) e keynesianas.

O levantamento mostra que os entrevistados são mais pessimistas com a economia global (45%) do que com a brasileira (38%), no primeiro trimestre deste ano.

Quanto ao fim da pandemia de coronavírus, 35% dos investidores avaliam que será em junho, 32% em setembro, 16% em dezembro e 17% apenas em 2021.

O UBS entrevistou mais de 2.928 investidores e 1.180 empresários entre 1º e 20 de abril de 2020.

‘Quer que eu faça o quê?’, diz Bolsonaro sobre nº de mortes no Brasil maior que na China

A empatia não é o forte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), definitivamente. Basta o leitor ver a reação de Bolsonaro quando questionado sobre o Brasil ultrapassar a China na quantidade de mortos por coronavírus.

‘E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”’, disse ríspido nesta terça-feira (28).

O número de mortes confirmadas pelo coronavírus ultrapassou a marca dos 5 mil, chegando a 5.017. Na China, são 4.643. O Brasil registrou nas últimas 24 horas mais mortes que Itália, França e Espanha.

Para o leitor ter uma noção da proporção de mortes no Brasil, que tem 210 milhões de habitantes, a China é um país sete vezes mais populoso. Tem 1,5 bilhão de pessoas. Foi o epicentro da doença.

Após a declaração inicialmente apática, Bolsonaro disse lamentar as mortes e se solidarizou com as famílias.

“Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas”, refletiu. “Mas é a vida. Amanhã vou eu [morrer]. Logicamente, a gente quer ter uma morte digna e deixar uma boa história para trás”, completou.

Bolsonaro se recusou a falar sobre a flexibilização do distanciamento social, mesmo sob o aumento de mortes, ultrapassado a China, afirmando que a doença é um fato inexorável.

“As mortes de hoje, a princípio, essas pessoas foram infectadas há duas semanas. É o que digo para vocês: o vírus vai atingir 70% da população. Infelizmente é a realidade. Mortes vai haver. Ninguém nunca negou que haveria mortes”, alarmou.

“É igual a uma chuva. Você vai se molhar. Tem que proteger da chuva os mais fracos, os mais idosos, para não virar pneumonia, gripe”, finalizou o presidente.

Pensado bem, Bolsonaro já pode lançar seu primeiro programa de governo: “Mais Mortos, Mais Sepulturas”.

‘Vampiro’ Teich prestará conta ao Senado sobre combate ao coronavírus nesta quarta

O Senado aprovou requerimento para que o ministro da Saúde, Nelson Teich, participe de videoconferência nesta quarta-feira (29) com o intuito de esclarecer aos senadores quais ações serão providenciadas pela pasta para socorrer estados, o Distrito Federal e municípios no combate à pandemia de covid-19.

“Hoje no Brasil temos 5.017 vítimas da Covid-19. A China está com 4.642, ou seja, em 24 horas ultrapassamos o número de mortes da China. Na próxima quarta, vamos ouvir o ministro Teich sobre a paralisia que vivemos em relação a testes, EPI’s e respiradores”, disse o senador Rogério Carvalho (SE), líder do PT no Senado.

Na avaliação do parlamentar, é urgente que o governo Bolsonaro adote medidas concretas que possam salvar vidas em meio a pandemia. “Faltam insumos nos hospitais para proteger nossos profissionais da saúde. Faltam leitos nas UTIs. Faltam respiradores. Atraso no pagamento do auxílio emergencial. Estamos perdendo tempo, perdendo vidas. Falta responsabilidade deste desgoverno”, enfatizou.

Nelson Teich tomou posse como ministro da Saúde após Jair Bolsonaro demitir Luiz Henrique Mandetta. No último sábado, Teich anunciou que, dos 14.100 respiradores prometidos pelo governo para envio aos estados, serão entregues até o fim do mês de abril apenas 272 equipamentos. Isso representa 2% do total previsto pela pasta. O restante só deve ser entregue em agosto, quando o pior da pandemia já tiver matado milhares de brasileiros.

“Negligente e atrasado. Esses são os adjetivos que caracterizam o trabalho do governo na pandemia contra o Coronavírus. O novo ministro da saúde, Nelson Teich, assumiu há 10 dias e até hoje não está a par da situação e não toma as providências necessárias”, criticou o senador Paulo Rocha (PT-PA).

A sessão do plenário do Senado para ouvir o ministro da Saúde está agendada para a próxima quarta-feira (29), às 16h30.