Trump fez Bolsonaro de bobo, outra vez, ao abandonar Guaidó e reconhecer Maduro na Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito de bobo o seu colega e “amigo” Jair Bolsonaro. O mais recente caso, que comprova o uso do brasileiro para atingir seus objetivos, se deu com a declaração do americano de que estaria propenso a dialogar com Nicolás Maduro, presidente de fato e de direito da Venezuela.

Orientado pela Casa Branca, Bolsonaro hostilizou desde que assumiu o cargo o governo bolivariano e recebeu em Palácio do Planalto o autoproclamado presidente venezuelano Juan Guaidó —atirado ao mar na última sexta-feira (19) durante uma entrevista de Trump.

Nos momentos mais tensos da relação EUA versus Venezuela, Trump utilizou Bolsonaro como bucha de canhão e colocou o Brasil muito perto de uma guerra com o país vizinho.

Portanto, Juan Guaidó é um dos maiores micos da diplomacia brasileira. Mais uma vergonha que o Brasil não precisaria ter passado perante o mundo.

Além desse ridículo papel de poodle nos americanos, com direito a bater continência, Jair Bolsonaro também tem sido humilhando quando o assunto é coronavírus. Em duas oportunidades recentes, Donald Trump fez questão de frisar que o presidente brasileiro é um mau exemplo para o enfrentamento da pandemia.

‘Mui amigo, esse Trump’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, outra vez, citou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como mau exemplo de gestor na pandemia de coronavírus.

“O que há de errado em ter de fechar [a economia]? Nós salvamos milhões de vidas. Sabe, muitas pessoas dizem que nós deveríamos ter adotado a imunidade de rebanho: ‘Vamos adotar a imunidade de rebanho´. Perguntem como estão no Brasil. Ele [Jair Bolsonaro] é um grande amigo meu. Não está bom. Perguntem como estão na Suécia. Nós salvamos milhões de vida e agora é hora de abrir a economia, voltar a trabalhar, ok? Vamos voltar a trabalhar”, discursou Trump.

O presidente americano participou ontem de um comício na cidade de Tulsa, Oklahoma. Ele está em campanha pela reeleição em novembro.

Além da sabugada em Bolsonaro, Trump disse ainda que quer reduzir os testes de covid-19 para reduzir os casos nos EUA.

“A testagem é uma espada de 2 gumes. Nós testamos 25 milhões de pessoas (…). Quando você testa tanto, você vai encontrar mais gente, mais casos. Então eu disse para meu pessoal: ‘Por favor, reduzir a testagem’. Eles testam e testam”.

Um representante da Casa Branca afirmou à agência Reuters que o comentário foi “uma brincadeira”.

Os Estados Unidos são o país com maior número de pessoas que comprovadamente foram infectadas e também o com mais mortes pelo novo coronavírus. Até a publicação desta reportagem, eram 2,3 milhões de casos e 122 mil vítimas, de acordo com o monitor Worldometers.

“É uma doença que, sem dúvidas, tem mais nomes que qualquer outra na história. Eu posso citar ‘kung flu’, posso citar 19 versões diferentes de nomes. Muitos chamam de vírus, o que ele é. Muitos chamam de gripe –qual a diferença?”.

Mais tarde, Trump criticou a imprensa por se recusar a chamar o novo coronavírus de “o vírus chinês”, como ele faz desde o início da pandemia.

O republicando é candidato à reeleição na corrida presidencial deste ano.

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Pesquisa aponta Sérgio Moro como principal adversário de Bolsonaro em 2022

Pesquisa da Quaest Consultoria mostra que o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro é hoje o principal adversário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na corrida presidencial de 2022.

De acordo com o levantamento, feito entre os dias 14 e 17 de junho, com 1000 entrevistados distribuídos pelas 27 unidades da federação, Moro aparece com 19% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 22%.

O ex-ministro supera seu antigo chefe em alguns segmentos, como entre pessoas com mais de 60 anos (24% a 22%) e com renda mensal superior a cinco salários mínimos (24% a 15%). Moro também está à frente de Bolsonaro nas regiões sudeste (24% a 21%) e sul (20% a 18%).

Na terceira e na quarta colocações, estão nomes da esquerda. Derrotado no segundo turno em 2018, Fernando Haddad, do PT, tem 13%. Já Ciro Gomes, do PDT, registra 12%. Em quinto e sexto lugares aparecem o apresentador Luciano Huck (5%) e Guilherme Boulos (3%), do Psol. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), registra apenas 2%. 23% dos ouvidos pela pesquisa dizem não ter candidato.

A Quaest terminou o levantamento um dia antes da prisão de Fabrício Queiroz, miliciano e operador de um esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Não mediu, portanto, o impacto dessa notícia.

Já os efeitos da pandemia de Covid-19, que já matou mais de 50 000 pessoas no Brasil, foi devidamente registrado. Os dados não são nada bons para Bolsonaro, que desdenhou da doença. De acordo com a pesquisa, a desaprovação ao trabalho do presidente no combate ao novo coronavírus subiu de 47%, em abril, para 59%, em junho.

Entre os que votaram em Bolsonaro em 2018, cresceu de 19% para 31% os brasileiros que rejeitam a forma como o presidente conduz a crise.

A sondagem também mostra que o auxílio emergencial não melhorou a imagem de Bolsonaro. Entre os brasileiros que associam o benefício ao presidente, 37% avaliam mal a forma como ele enfrenta a pandemia de coronavírus e 35% avaliam bem. Para os entrevistados, o Congresso (50%), e não o presidente (37%), é o principal responsável pelo auxilio emergencial.

Com informações da Veja.