Procuradoria-Geral da República quer invalidar delação de Sérgio Cabral

Publicado em 11 fevereiro, 2020

Sergio Cabral preso
Ex-governador Sérgio Cabral celebrou delação premiada com a Polícia Federal, diante da recusa da Lava Jato.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, que é o chefe do Ministério Público Federal, recorreu nesta terça-feira (11) da decisão do ministro Luiz Edson Fachin que, na semana passada, homologou a delação premiada do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Segundo informações de bastidores, a delação de Cabral homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) atinge membros do próprio judiciário.

A pressão do MPF é para que Fachin reverta a própria decisão e revoga a validade da delação.

Fachin também pode levar o recurso da PGR a julgamento no plenário da Segunda Turma, que analisa casos da Lava Jato, ou para o plenário, para discussão entre todos os ministros da Corte. Essa segunda opção tem sido a regra do ministro.

O acordo de delação foi firmado com a Polícia Federal em dezembro. Formalmente, o teor da colaboração está sob sigilo.

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Antes mesmo da homologação, Aras foi contra a delação por considerar que os valores que Cabral se comprometeu a devolver já estavam bloqueados pela Justiça e que o ex-governador não apresentou fatos novos nos depoimentos.

Agora, o procurador disse que há elementos que indicam que Cabral ainda oculta patrimônio e que ele não entregou informações suficientes para colaborar de modo efetivo com as investigações.

Aras quer que, caso a delação seja mantida, o acordo não afete as prisões decretadas contra Sérgio Cabral.

O ex-governador está preso desde novembro de 2016, e foi condenado a mais de 280 anos de prisão pela Justiça. A maioria desses processos está relacionada à operação Lava Jato.

Cabral vem admitindo, desde o ano passado, que recebeu propina enquanto ocupava cargo público. Ele também apontou outros supostos membros da organização criminosa.

Com informações do G1