Ataque a Patrícia Campos Mello é “cortina de fumaça” para caso Adriano, diz jornalista do Estadão

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A jornalista Vera Magalhães, no Estadão, afirma nesta quarta (19) que nunca a palavra “impeachment” esteve tão em voga nos partidos –não na oposição e no PT– em um ano e dois meses de governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para a colunista do Estadão, o insulto de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello é uma “cortina de fumaça” para minimizar o impacto do assassinato do ex-capitão Adriano da Nóbrega e sua relação com a execução de Marielle Franco.

“Bolsonaro parece buscar uma cortina de fumaça para o tema que virou obsessão sua e de sua família: o assassinato do capitão Adriano da Nóbrega, ex-policial militar do Rio de Janeiro, que era procurado por ser um dos acusados de participar da morte da vereadora Marielle Franco e apontado como um dos chefes da milícia mais perigosa do Rio, o Escritório do Crime, no último dia 9”, escreve Vera Magalhães, que também é apresentadora do programa Roda Viva na TV Cultura.

A articulista relata que Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual no Rio, empregou familiares do miliciano e cujo gabinete usou suas contas bancárias como intermediárias de inexplicadas transações financeiras entre assessores.

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Para Vera, Bolsonaro e o filho demonstram excessivo nervosismo com o desenrolar das investigações a respeito do assassinato e do que a perícia nos vários telefones celulares de Adriano pode revelar.

“No vale-tudo para desviar o foco do caso rumoroso, vale assacar contra a honra de uma jornalista séria”, diz a colunista do Estadão, ao se referir a Patrícia Campos Mello.

Vera Magalhães abre sua coluna lembrando que o artigo 9.º da Lei 1.079/50, que embasou o impeachment de Fernando Collor de Mello e de Dilma Rousseff, são crimes de responsabilidade contra a probidade na administração várias condutas, entre as quais “proceder contra a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Ou seja, a ilicitude de Bolsonaro está tipificada na Lei do Impeachment.

A pergunta é: os barões da mídia terão coragem de gritar “Fora Bolsonaro” em seus jornalões? A conferir.