Coluna do Bruno Meirinho: A hipótese do socialismo americano

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Em sua coluna desta sexta (26), Bruno Meirinho (PSOL) analisa a candidatura do socialista Bernie Sanders que aparece como surpresa na disputa presidencial dos Estados Unidos. Bruno faz um histórico de outros políticos de esquerda que tiveram destaque em disputas eleitorais nos EUA e mostra por que muitos deles acabam se candidatando pelo Partido Democrata e não pela legenda socialista. Meirinho conta que, mesmo sendo o centro do capitalismo mundial, os Estados Unidos têm uma longa história de ativismo socialista, a partir de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos que merecem grande reconhecimento. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Bruno Meirinho*

Bernie Sanders, um político que reivindica ideias socialistas, tem recebido um apoio surpreendente na disputa das prévias do partido democrata para a eleição presidencial dos Estados Unidos. Em três estados, venceu em um e ameaçou a hegemonia de Hilary Clinton nos outros.

O crescimento da candidatura de Bernie Sanders é surpreendente por dois motivos: primeiro, embora o partido democrata tenha ideias mais à esquerda que o partido republicano, não costuma falar em socialismo; e segundo, não se espera que o socialismo possa vingar, justamente, nos Estados Unidos, o centro do capitalismo mundial.

Mas é engano pensar que a hipótese do socialismo americano é uma novidade. O fenômeno Bernie Sanders lembra a histórica participação eleitoral de Upton Sinclair, um político integrante do “Partido Socialista da América” (que existia no começo do século 20) que em 1934 disputou como candidato do partido democrata as eleições para governador da Califórnia e ficou em segundo lugar, com incríveis 38% dos votos. O maior resultado já alcançado por um socialista naquele país.

Em geral, socialistas não fazem parte do partido democrata, mas, quando alcançam condições eleitorais para disputar posições mais relevantes, parecem ser obrigados a optar pela legenda, sob pena de serem excluídos do páreo.

Por exemplo, Eugene V. Debs, que foi, possivelmente, o maior político socialista da história dos Estados Unidos, disputou 5 vezes a presidência pela legenda do extinto partido socialista, mas nunca ultrapassou 6% dos votos. Talvez tivesse outra sorte se optasse pelos democratas. Seria esse o motivo de Bernie Sanders ter decidido disputar as prévias dentro do partido?

Já na cidade de Seattle, Kshama Sawant é uma vereadora socialista que disputou as eleições de forma independente, ou seja, sem vinculação ao partido democrata e republicano, e foi eleita em 2013. Também há vida fora do bi-partidarismo.

Os Estados Unidos têm uma longa história de ativismo socialista, a partir de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos, que merecem grande reconhecimento. A promessa da América como um novo mundo não é incompatível com os ideais revolucionários do socialismo.

É permitido falar em socialismo nos Estados Unidos, ao contrário do que pretendia a burocracia macartista. A candidatura de Bernie Sanders é um sopro de vida em uma sociedade tão massacrada pelo pensamento único. Suas chances de vencer as prévias, infelizmente, não são muitas, mas deve servir como ânimo para novas tentativas futuras.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

3 Comentários

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  1. Nossa! quantos comentáriosss

  2. Bernie Sanders não é socialista. As propostas do Bernie Sanders são baseadas no modelo do New Deal de 1920 do democrata Franklin Delano Roosevelt.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/New_Deal
    Contrario a estas políticas estão os republicanos com o neoliberalismo predador.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Reaganomics
    Ná prática e na situação atual americana é bem mais complicado.

  3. É, tá na hora desses “americano sofrê” um pouquinho
    mesmo!
    Seria a vingança do pipoqueiro ou, a nossa vingança!
    Bolívar nêles!