Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: “Educação e trabalho”

Publicado em 20 abril, 2015
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romanelli_colunaLuiz Cláudio Romanelli*

Na crise é preciso repensar a estratégia de desenvolvimento do estado, e investir no nosso maior capital, que é o humano. O contínuo crescimento econômico e a geração de empregos, por conta do ambiente criado no estado do Paraná nos últimos anos, trouxeram diversos benefícios para sociedade. O Paraná tem sido referência no ensino profissionalizante e na qualificação da sua mão de obra – duas frentes muito importantes para oportunizar melhores condições para superar a desigualdade social e os desequilíbrios.

Em 2015, a rede de ensino profissionalizante do estado matriculou 76 mil jovens – em 353 escolas em 185 municípios – interessados em um diferencial para o mundo do trabalho. São 56 mil estudantes em cursos técnicos, em 12 diferentes eixos, o que representa 19% do total de alunos matriculados no ensino médio. Muito próximo da meta nacional que é de 25%, é um esforço que tem válido a pena, pois nos últimos quatro anos dobrou o número de alunos. Pesquisa da indústria divulgada no início de março mostra que no país somente 8% dos alunos fazem algum curso profissionalizante.

Nosso estado é o que mais qualifica sua mão de obra, pois, além dos 56 mil jovens em cursos técnicos, temos mais de 20 mil estudantes no curso para formação de docentes. A rede de Centros Estaduais de Educação Profissional – CEEPs se expande em 80%. São mais 18 novas unidades, em diversas regiões, que estão abrindo mais 20 mil vagas, além da ampliação e reforma de outras 23 escolas estaduais de ensino profissional.

Para quem está acostumado a falar mal do Paraná, nossa rede de escolas estaduais de educação profissional é três vezes maior que a dos gaúchos e duas vezes maior que a de Minas Gerais e Bahia – estados que muito investiram na educação profissional nos últimos anos.

O governo estadual, em parceria com o governo federal, tem um plano de qualificação profissional voltado aos trabalhadores desempregados e agentes da economia solidária, destinado a jovens de 18 a 29 anos que não tiveram oportunidade de conclusão de seus estudos. Nos últimos anos, milhares de trabalhadores foram capacitados para atuar nos setores de comércio e serviço, transporte, indústria e economia solidária.

Além dos já citados, é desenvolvido no estado o programa de acesso ao ensino técnico e emprego – o Pronatec, sob coordenação da Secretaria de Educação. No período de vigência do programa foram ofertados 230 diferentes cursos de qualificação profissional, matriculando mais de 110 mil trabalhadores, e atendendo 83% dos municípios do estado do Paraná, por meio do SENAI, SENAC, SENAT e SEED.

Infelizmente, por conta da crise, o governo federal só vai pactuar novas turmas a partir do segundo semestre, mas não estamos parados. A Secretaria da Educação está desenvolvendo dois grandes programas para qualificar os que não tiveram oportunidades de estudar – Caminhos da Profissionalização e Rede Certifica Paraná, e o sistema S dá continuidade as suas ações de qualificação profissional, e bom trabalho realizado pelo Instituto Federal no Paraná.

Como apontei, temos um conjunto de ações que une várias esferas do poder público em busca da integração e da solidariedade e traz um novo prisma ao campo profissional. Tenho também a convicção de que a educação profissional contribui para a redução da criminalidade e a melhoria da saúde da população; no campo pessoal, oferece motivação e melhora a autoestima, principalmente dos jovens.

Ainda nesse ano, como meta do Plano Estadual da Educação, em sinergia com os programas de qualificação, o Paraná vai implantar um sistema informacional que congregará os dados de educação técnica e qualificação profissional e social, cruzando-os com os dados dos trabalhadores que precisam dessa qualificação e com a demanda de vagas, tendo em vista a assertividade no direcionamento da ocupação dos postos de trabalho e diminuição dos índices de evasão.

Esse conjunto de ações se traduz no aumento da empregabilidade, da produtividade dos trabalhadores e, como consequência, o rendimento e o desempenho das empresas, alavancando toda a cadeia produtiva e a economia.

Esse é o objetivo que devemos perseguir: investir nos trabalhadores e em uma mão de obra altamente qualificada que possa enfrentar os desafios presentes e futuros da nossa economia.

*Luiz Claudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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