Luiz Manfredini: “PCdoB, 92 anos ao lado do povo brasileiro”

O escritor e jornalista Luiz Manfredini, em artigo especial para o Blog do Esmael, destaca os 92 anos do PCdoB comemorados nesta terça-feira, 25 de março; "o PCdoB é organização política que chega aos 92 anos reafirmando sua essência revolucionária, democrática, popular, patriótica e anti-imperialista. E assim, contando com mais de 100 mil militantes e cerca de 300 mil filiados, assume responsabilidades cada vez maiores para com o Brasil e o povo brasileiro", aponta o articulista; Manfredini também faz um passeio na história, desde a fundação do partido, em 1922, até a exitosa participação da legenda vermelha nesses 11 anos de governos Lula e Dilma "imprimindo sua marca de seriedade, competência e defesa e ampliação dos direitos do povo"; leia o texto.

O escritor e jornalista Luiz Manfredini, em artigo especial para o Blog do Esmael, destaca os 92 anos do PCdoB comemorados nesta terça-feira, 25 de março; “o PCdoB é organização política que chega aos 92 anos reafirmando sua essência revolucionária, democrática, popular, patriótica e anti-imperialista. E assim, contando com mais de 100 mil militantes e cerca de 300 mil filiados, assume responsabilidades cada vez maiores para com o Brasil e o povo brasileiro”, aponta o articulista; Manfredini também faz um passeio na história, desde a fundação do partido, em 1922, até a exitosa participação da legenda vermelha nesses 11 anos de governos Lula e Dilma “imprimindo sua marca de seriedade, competência e defesa e ampliação dos direitos do povo”; leia o texto.

Luiz Manfredini*

Um partido terá maior ou menor significado e peso
precisamente na medida em que sua atividade particular
tiver maior ou menor peso n determinação
da história da um país.!
(Antonio Gramsci)

A trajetória do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – desde aquele longínquo 25 de março de 1922, data de sua fundação, em Niterói (RJ) !“ encontra-se estreitamente ligada ao próprio percurso da república brasileira nesses 92 anos, de tal sorte que não se pode examinar uma, sem considerar a outro. De fato, a despeito dos longos anos !“ 41, ao todo – em que foi submetido à  ilegalidade e, muitas vezes, à  mais rigorosa clandestinidade, os comunistas brasileiros !“ seja sob a sigla PCdoB, seja como PCB, até 1962 !“ acumularam um vasto currículo de lutas pela emancipação nacional, pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores e do povo e pelo socialismo.

O PC do Brasil surgiu na cena política brasileira como resultado do crescimento da jovem classe operária brasileira e do amadurecimento de sua consciência política. Naquele emblemático ano de 1922, a fundação do partido esteve ao lado de dois outros importantes acontecimentos da história republicana: o levante tenentista do Forte de Copacabana, pontapé inicial para o movimento que ajudaria a sepultar, sete anos mais tarde, a carcomida República Velha, e a Semana de Arte Moderna, de afirmação e renovação da cultura brasileira. Era a modernização da sociedade brasileira em curso na febricante década de 1920.

De lá para cá, os comunistas não só participaram, como estiveram à  frente dos principais acontecimentos da vida política brasileira, pautados sempre pelo compromisso com a defesa da Nação e do povo. Um vasto currículo que passa pela luta contra o Estado Novo e o nazi-fascismo, pela participação ativa na Constituinte de 1946, pela emblemática atuação na vanguarda da campanha O petróleo é nosso! e a resoluta, inegociável oposição à  ditadura (que incluiu a heróica resistência armada no Araguaia).

Teve papel destacado nas grandes jornadas pela redemocratização do país, como na campanha pelas Diretas Já. Após sua legalização, em maio de 1985, o PCdoB alargou e aprofundou sua participação no cenário nacional. Embora contando com apenas seis deputados federais, a bancada comunista na Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988, apresentou mais de mil emendas.

No campo do movimento social, contribuiu para legalizar e fortalecer entidades sindicais e populares. Destaque-se sua presença nos movimentos estudantil, antirracista, feminista, indígena e pelos direitos humanos, entre outros.

Não parou na História

Mas o PCdoB não estacionou na História. Ao contrário, tem sido firme nos princípios e em sua identidade transformadora, revolucionária, amplo nas alianças, presente no debate de ideias em torno do futuro do Brasil, renovando concepções, métodos e práticas com o objetivo de construir uma alternativa progressista à  luz da realidade brasileira, cada vez mais diversificada e complexa!, como afirma seu presidente, Renato Rabelo.

O partido enfrentou a chamada crise do socialismo! (1989-1991), inclusive a onda anticomunista dela decorrente, com coragem e descortínio. Foi capaz de realizar a crítica à s primeiras experiências socialistas sem renegar cor, bandeira e identidade. Ao contrário, reafirmou sua identidade comunista e o projeto socialista, requalificando-o em bases novas, contemporâneas.

Articulando seus princípios com uma política de alianças amplas, pautadas nas condições de cada momento, o PCdoB esteve na linha de frente do combate à  ofensiva neoliberal dos anos 1990 e atuou com firmeza no movimento que levou Lula à  Presidência da República em 2002.

A partir de 2003, ampliou sua participação institucional. Além de uma atuante bancada na Câmara dos Deputados e Senado Federal, ofereceu quadros para o Ministério do Esporte, à  Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a diversos outros órgãos públicos, imprimindo sua marca de seriedade, competência e defesa e ampliação dos direitos do povo.

Em seu 12!° Congresso (2009), o PCdoB aprovou um novo programa socialista, que incorpora a proposta de novo projeto nacional de desenvolvimento capaz de promover o crescimento econômico na perspectiva da construção de uma nação democrática, moderna, próspera e solidária. E, ao reafirmar seu apoio ao ciclo aberto por Lula em 2003 e seguida pela Presidente Dilma, o partido destaca que ainda existem grandes impasses e contradições que precisam ser enfrentados. à‰ o caso, por exemplo, da ameaça a direitos sociais consagrados, a forte concentração de renda e a grande capacidade de manobra !“ em amplos aspectos do poder político, estatal, acadêmico e midiático !“ exercida pelo capital financeiro nacional e internacional. Para o PCdoB, este fenômeno drena grandes parcelas da riqueza gerada pelo povo ao seu próprio proveito e em detrimento da esfera produtiva da economia nacional. Enfrentar e resolver tais contradições é o que coloca o Brasil de hoje numa verdadeira encruzilhada histórica.

Avesso a modelos prontos e esquemas dogmáticos e também ao pragmatismo e ao espontaneísmo, o PCdoB é organização política que chega aos 92 anos reafirmando sua essência revolucionários, democrática, popular, patriótica e anti-imperialista. E assim, contando com mais de 100 mil militantes e cerca de 300 mil filiados, assume responsabilidades cada vez maiores para como Brasil e o povo brasileiro.

*Luiz Manfredini é jornalista e escritor paranaense e membro da direção municipal de Curitiba do PCdoB.

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