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O terceiro e último bloco do debate entre os candidatos à Prefeitura de Curitiba, realizado pela Band TV Curitiba, foi marcado por um confronto direto de propostas e pela reafirmação de compromissos com a população da capital paranaense. Neste segmento, os candidatos tiveram a oportunidade de fazer suas perguntas diretamente aos adversários, além de expor suas considerações finais, demonstrando uma última tentativa de conquistar o eleitorado.
Habitação e regularização fundiária: desafios para Curitiba
A primeira questão abordada no bloco foi levantada pelo candidato Luizão Goulart (Solidariedade), direcionada ao ex-prefeito Roberto Requião (MDB). Luizão questionou Requião sobre o déficit habitacional em Curitiba, que segundo a COHAB, ultrapassa 50 mil moradias, com mais de 22 mil em situações precárias. Requião respondeu com firmeza, destacando que suas propostas para habitação permanecem consistentes com o que já realizou em suas gestões anteriores. Reforçou a importância da legalização de ocupações em terrenos sem donos claros e criticou seus adversários por não terem efetivamente implementado propostas semelhantes durante seus mandatos.
A proposta de Requião foi acompanhada por um ataque direto aos demais candidatos, acusando-os de “conversa mole” e submissão a interesses do transporte coletivo. Destacou que, se eleito, retomará seu modelo de gestão, garantindo o “melhor e mais barato transporte do Brasil”, um tema que tem sido central em sua campanha.
Infraestrutura de transporte: metrô e alternativas
A questão do transporte coletivo também foi um tema quente durante o debate, com o candidato Eduardo Pimentel (PSD) confrontando o ex-prefeito Luciano Ducci (PSB) sobre o projeto do metrô de Curitiba. Pimentel destacou a falta de avanço no projeto, que foi lançado na gestão de Ducci, mas nunca saiu do papel, mesmo após promessas reiteradas durante várias administrações. Ducci, por sua vez, defendeu a viabilidade do metrô, alegando que houve recursos disponíveis em sua gestão e que, se eleito, buscará novamente financiamento federal para concretizar o projeto.
Pimentel rebateu, argumentando que a realidade financeira atual torna o metrô inviável, comparando-o com projetos alternativos mais acessíveis, como a requalificação do Inter 2 e do Ligeirão Leste-Oeste, cujos recursos já estão garantidos. Este embate expôs as divergências sobre as prioridades de infraestrutura para a capital, com Pimentel defendendo uma abordagem mais pragmática e Ducci insistindo em soluções ambiciosas.
Educação e privatização: ameaça à escola pública?
A candidata Andrea Caldas (PSOL) trouxe à tona o tema da educação, questionando Roberto Requião sobre o risco de privatização das escolas municipais, uma preocupação que tem sido exacerbada pela gestão do governador Ratinho Junior (PSD). Requião reafirmou seu compromisso com a educação pública, defendendo a expansão das escolas integrais, especialmente na periferia, e a formação continuada dos professores. Ele destacou que a qualidade da educação deve ser uma prioridade absoluta e que sua gestão, se eleita, garantirá que os filhos das classes mais pobres tenham as mesmas oportunidades que aqueles que vivem em bairros ricos.
Andrea Caldas também criticou as propostas de privatização e militarização das escolas, defendendo que a educação deve ser gerida por profissionais qualificados e não por empresas privadas ou militares. Este ponto de vista foi apoiado por Requião, que denunciou a “estupidez” da militarização das escolas e a privatização dos serviços públicos, prometendo reverter essas tendências caso seja eleito.
Cultura e identidade: descentralização ou tradição?
Outro tema que gerou debate foi a cultura em Curitiba, abordado pelo candidato Ney Leprevost (PSD), que questionou Eduardo Pimentel sobre sua visão de cultura. Pimentel defendeu a descentralização da cultura, ressaltando suas iniciativas como diretor da Fundação Cultural de Curitiba e prometendo investir até 3% do orçamento municipal em cultura. Leprevost, no entanto, criticou a resposta de Pimentel, sugerindo que ele não compreende a verdadeira essência da cultura curitibana, que vai além de políticas públicas, envolvendo a valorização das tradições e expressões artísticas locais.
Este confronto refletiu uma disputa maior sobre a visão de cultura na cidade, com Leprevost defendendo uma abordagem mais tradicionalista e Pimentel focado em políticas de inclusão cultural e descentralização.
Considerações finais: a última cartada
Nas considerações finais, cada candidato tentou consolidar sua imagem e suas propostas perante o eleitorado. Luciano Ducci expressou sua felicidade em concorrer novamente à prefeitura, enfatizando seu compromisso com a área social e prometendo mudanças significativas na gestão da cidade. Andrea Caldas destacou a importância da renovação, argumentando que novas alternativas são necessárias e que a experiência de seus adversários não deve ser o único critério para a escolha do próximo prefeito.
Roberto Requião, por sua vez, apelou para sua longa trajetória política, convidando os eleitores a confiarem em sua experiência para conduzir Curitiba novamente. Ney Leprevost focou em sua visão de uma Curitiba mais segura e eficiente, prometendo uma gestão voltada para o desenvolvimento econômico e social.
Luizão Goulart, Samuel de Mattos, Eduardo Pimentel e Maria Victoria reafirmaram suas propostas para Curitiba – caso eles sejam eleitos em outubro.
O debate terminou com uma troca de agradecimentos entre os candidatos e a reafirmação de seus compromissos, deixando o eleitor curitibano com a difícil tarefa de escolher entre propostas que variam entre a continuidade de políticas já conhecidas e a busca por novas direções para a cidade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




