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Lula chega a Curitiba para testar força eleitoral na Boca Maldita

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, leva a disputa presidencial para o centro de Curitiba neste sábado, 12 de setembro, com um ato de campanha na Boca Maldita, a partir das 10h. O evento, batizado de “Brasil pronto pra mais”, terá ao lado do presidente o candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT), e os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT).

A agenda transforma a tradicional praça política da capital paranaense em um teste eleitoral para Lula e, ao mesmo tempo, em um palanque de alto valor para Requião. A questão não será apenas o tamanho da concentração, mas a capacidade de o presidente transferir sua força nacional para a disputa estadual e de apresentar o candidato do PDT como seu principal aliado no Paraná.

A concentração está prevista para começar às 8h, com o ato político marcado para as 10h. A mobilização também prevê caravanas de outras regiões do estado.

Lula volta à Boca Maldita com eleição estadual em disputa

O cenário paranaense dá ao comício uma dimensão diferente da simples agenda presidencial. Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro, Sergio Moro aparece com 45% das intenções de voto para governador. Requião Filho tem 24%, enquanto Sandro Alex registra 17,5%. A margem de erro é de aproximadamente 2,8 pontos percentuais.

Os números mostram Moro isolado na dianteira e Requião e Sandro disputando espaço atrás do senador. A diferença entre os dois adversários de Moro, porém, varia conforme o instituto e a metodologia.

No levantamento do IRG divulgado em 4 de setembro, quando os entrevistados foram apresentados às chapas com os respectivos candidatos a vice, Sandro Alex e Rafael Greca (MDB) chegaram a 27%, enquanto Requião Filho e Michele Caputo (Solidariedade) marcaram 21,8%. Moro e Edson Vasconcelos (PL) apareceram com 38,8%.

A divergência é politicamente relevante porque coloca em disputa justamente o lugar que Requião pretende ocupar no palanque de Lula: o de principal alternativa ao bloco liderado por Moro.

O palanque de Requião será o primeiro teste

A presença de Lula ao lado de Requião Filho cria uma oportunidade para o candidato do PDT nacionalizar sua campanha e associar sua candidatura ao presidente que busca um novo mandato.

A estratégia também permite a Lula reforçar uma aliança estadual em um território no qual a disputa pelo governo está mais favorável a Moro nas pesquisas. O presidente, portanto, terá de transformar popularidade nacional e mobilização política em votos para sua chapa no Paraná.

O resultado do ato não poderá ser medido apenas pela quantidade de pessoas presentes. O discurso de Lula, a mensagem escolhida para o Paraná, a presença de lideranças municipais e estaduais e a repercussão entre os adversários serão indicadores mais importantes para avaliar o efeito eleitoral da agenda.

Moro e Sandro ficam fora do palanque de Lula

O contraste com os adversários estaduais será inevitável.

Moro aparece como líder da corrida pelo Palácio Iguaçu e tem construído sua candidatura com uma identidade política nacional própria. Sandro Alex, por sua vez, representa o grupo governista do PSD e tenta transformar o apoio do governador Ratinho Junior (PSD) e a estrutura partidária em crescimento eleitoral.

Requião enfrenta outro desafio: converter a associação com Lula em crescimento próprio sem ficar restrito ao eleitorado já identificado com o campo progressista.

A própria trajetória recente das pesquisas mostra que existe espaço para essa disputa. Na Paraná Pesquisas, Moro oscilou de 46,1% para 45%, Requião avançou de 23,4% para 24% e Sandro passou de 16,5% para 17,5%. As três variações ficaram dentro da margem de erro.

Curitiba volta ao mapa nacional da eleição

A Boca Maldita tem ainda um componente simbólico para Lula. O presidente participou no mesmo local de um grande ato em 17 de setembro de 2022, quando Roberto Requião disputava o Governo do Paraná. O evento ocupou vários quarteirões da Rua XV de Novembro.

Quatro anos depois, Lula retorna ao mesmo endereço com uma eleição estadual novamente conectada à disputa presidencial.

O contexto nacional também favorece a visibilidade do evento. Dados do Google Trends divulgados em setembro mostram que as buscas relacionadas às eleições dobraram desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto. As pesquisas sobre candidatos cresceram 170% no mesmo período. O Google ressalta que os dados medem interesse de busca, não intenção de voto.

O comício deste sábado será, portanto, mais que uma parada de campanha. Para Lula, será uma oportunidade de medir sua capacidade de mobilização em Curitiba. Para Requião Filho, será um palanque para tentar encurtar a distância para Moro e se distanciar de Sandro. Para os adversários, será a primeira grande oportunidade de avaliar se a campanha presidencial de Lula terá efeito mensurável na corrida pelo Palácio Iguaçu.

Leia mais sobre a corrida eleitoral no Paraná no Blog do Esmael.

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