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A eleição presidencial ganhou dois endereços no Paraná na primeira semana de setembro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará em Curitiba em 12 de setembro, às 10h, para um comício na Boca Maldita ao lado de Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). Uma semana antes, em 5 de setembro, Flávio Bolsonaro (PL) desembarca em Ponta Grossa para visitar Filipe Martins, preso na Cadeia Pública do município. A movimentação aproxima a disputa nacional dos palanques estaduais justamente após uma nova Paraná Pesquisas mostrar Sergio Moro (PL) com 45% das intenções para o governo, Requião Filho com 24% e Sandro Alex (PSD) com 17,5%.
Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno?
A nova pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-03399/2026, ouviu 1.280 eleitores em 56 municípios entre 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Lula escolheu a Boca Maldita, tradicional espaço de manifestações políticas no centro de Curitiba, para dividir o palanque com a chapa de Requião Filho. Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha também estarão no ato. A agenda foi confirmada nesta quinta-feira, 3 de setembro, e revelada pelo Blog do Esmael durante a Superlive que analisou os novos números da Paraná Pesquisas.
Flávio Bolsonaro fará outro tipo de movimento. A agenda de 5 de setembro está concentrada em Ponta Grossa, onde visitará Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro que cumpre pena de 21 anos em regime fechado. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e está prevista para ocorrer dentro da unidade prisional.
A agenda de Ponta Grossa também envolve Filipe Barros (PL), candidato ao Senado no Paraná. Segundo a divulgação local, Flávio Bolsonaro será acompanhado ainda pelo advogado Jeffrey Chiquini, integrante da defesa de Filipe Martins.
É aí que as duas agendas passam a interessar diretamente à eleição paranaense.
Lula testa o palanque de Requião
O movimento de Lula dá ao grupo de Requião Filho uma oportunidade de nacionalizar a disputa pelo Palácio Iguaçu. O presidente não virá apenas para uma agenda institucional. Participará de um comício ao lado do candidato do PDT ao governo e de dois nomes do PT que disputam as duas cadeiras do Paraná no Senado.
A escolha da Boca Maldita também tem peso simbólico. Em 2022, Lula participou de ato político no mesmo local, que reuniu mais de 20 mil pessoas, segundo registros do Blog.
Na Superlive do Blog do Esmael, Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas, avaliou que a presença de Lula pode fortalecer Requião Filho na tentativa de consolidar a segunda posição na corrida estadual. Para Hidalgo, a visita pode produzir simultaneamente votos e rejeição, mas teria potencial para movimentar uma disputa que considera especialmente apertada entre Requião Filho e Sandro Alex.
A pesquisa oferece um ponto objetivo para essa discussão. Requião Filho passou de 23,4% em agosto para 24% em setembro, enquanto Sandro Alex subiu de 16,5% para 17,5%. Sergio Moro oscilou de 46,1% para 45%. As variações ocorreram dentro de uma pesquisa com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.
O dado político mais importante, portanto, não é tratar essas variações como uma mudança definitiva de cenário. É observar que o segundo lugar continua sendo uma zona de disputa, enquanto Moro mantém vantagem ampla sobre os adversários.
Flávio leva o bolsonarismo aos Campos Gerais
Flávio Bolsonaro fará uma entrada diferente no mapa eleitoral paranaense. Em vez de um grande comício no centro da capital, a agenda passa por Ponta Grossa e pela visita a um aliado condenado na trama de tentativa de golpe.
A escolha combina uma agenda pessoal e política. A visita a Filipe Martins mobiliza o núcleo mais fiel do bolsonarismo e ocorre dois dias antes do ato de 7 de Setembro, que terá Flávio Bolsonaro entre os principais nomes da mobilização bolsonarista em São Paulo. A crise envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro também passou a ocupar espaço central no discurso do candidato presidencial.
No Paraná, entretanto, a passagem por Ponta Grossa ganha uma dimensão adicional porque aproxima Flávio Bolsonaro de Filipe Barros, nome da chapa de Sergio Moro ao Senado.
A direita paranaense já havia colocado Moro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros no mesmo palanque durante a construção da candidatura ao governo. O próprio roteiro de análise do Blog do Esmael já identificava o problema político: os candidatos presidenciais podem contar com apoios nacionais diferentes daqueles que sustentam as chapas estaduais.
A pergunta agora deixa de ser teórica. É quem efetivamente estará ao lado de quem durante a campanha.
Dois palanques, duas estratégias
Lula chega ao Paraná para fortalecer um palanque estadual identificado com Requião Filho, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. Flávio Bolsonaro chega para reforçar o campo bolsonarista que tem Sergio Moro na disputa pelo governo e Filipe Barros e Deltan Dallagnol na corrida ao Senado.
São movimentos territorialmente diferentes.
Curitiba concentra o maior peso político e econômico do estado e oferece a Lula uma vitrine para a campanha do grupo de Requião. Ponta Grossa, por sua vez, é um dos principais centros dos Campos Gerais e permite a Flávio Bolsonaro aproximar sua campanha de uma região estratégica do eleitorado paranaense.
O choque não significa que as duas agendas produzam automaticamente transferência de votos. A própria Superlive do Blog do Esmael colocou essa questão no centro do debate: até que ponto a presença de Lula, Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado consegue alterar efetivamente a disputa pelo governo estadual?
A resposta dependerá menos da fotografia do palanque e mais da capacidade de cada liderança nacional de entregar votos aos candidatos estaduais.
Senado vira outro campo de batalha
A disputa pelas duas vagas ao Senado torna o confronto ainda mais relevante.
Na pesquisa de setembro, a situação estimulada mostra Deltan Dallagnol com 30,8%, Gleisi Hoffmann com 25,7%, Alexandre Curi com 28,4% e Filipe Barros com 22,9% na pergunta espontânea. Como cada eleitor pode escolher dois nomes, os percentuais não funcionam como uma eleição de turno único.
Na rejeição estimulada, Gleisi aparece com 42,3%, Deltan Dallagnol com 12%, Dr. Rosinha com 9,3%, Alexandre Curi com 6,3% e Filipe Barros com 5,9%. A pesquisa permite múltiplas respostas nessa pergunta.
O cenário mostra por que as agendas presidenciais interessam diretamente aos candidatos ao Senado. Um candidato nacional pode ajudar a aumentar conhecimento, mobilizar militância e organizar estruturas municipais. Mas também pode carregar sua própria rejeição para o palanque estadual.
Essa é precisamente a aposta que Lula fará em Curitiba.
E é o teste que Flávio Bolsonaro fará em Ponta Grossa.
Paraná vira laboratório da eleição nacional
A movimentação dos dois candidatos presidenciais ocorre em um estado onde as alianças estaduais não reproduzem necessariamente a disputa nacional.
O PL tem Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e Sergio Moro no governo do Paraná. O grupo ligado a Lula tem Requião Filho na disputa estadual e Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha na corrida ao Senado. Já o PSD, que sustenta Sandro Alex, mantém uma configuração própria no estado.
O resultado é uma eleição em que o eleitor pode combinar votos de diferentes campos políticos.
Pode votar em um candidato a presidente e em outro para governador. Pode escolher um candidato ao Senado de um grupo e o segundo voto em outro. A pesquisa sobre governador reforça essa abertura: embora Moro apareça com 45%, a soma dos demais candidatos alcança uma parcela expressiva do eleitorado.
O desafio de Lula será transformar sua presença em Curitiba em musculatura eleitoral para Requião Filho e para os candidatos petistas ao Senado.
O desafio de Flávio Bolsonaro será fazer o mesmo para o bloco que tem Moro no governo e Filipe Barros e Deltan Dallagnol no Senado.
A disputa presidencial, portanto, desce dos palanques de Brasília para o chão paranaense. Primeiro em Ponta Grossa, em 5 de setembro. Depois em Curitiba, em 12 de setembro.
E a urna paranaense dirá, em 4 de outubro, se essas duas ofensivas nacionais conseguiram alterar o equilíbrio das campanhas locais.
Continue acompanhando a corrida eleitoral no Paraná e os bastidores dos palanques presidenciais no Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




