Eduardo Appio expõe abusos e ilegalidades na Lava Jato ao programa “Dando a Real com Leandro Demori“; Netflix estuda transformar livro do juiz em série
O juiz federal Eduardo Appio é o centro de revelações bombásticas sobre a Operação Lava Jato em entrevista ao programa “Dando a Real com Leandro Demori”, que será exibido às 23h30 desta terça-feira (24) na TV Brasil. Appio, que esteve à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba em 2023, afirmou ter encontrado indícios concretos de espionagem política e irregularidades graves durante a condução dos processos.
A TV Brasil é a rede de televisão pública brasileira pertencente à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), conglomerado de mídia do governo do federal.
Segundo o magistrado, sua curta passagem pela vara — menos de quatro meses — foi suficiente para identificar ações questionáveis, incluindo a manutenção de sigilo em processos envolvendo quantias bilionárias. “Consegui retirar o sigilo dos processos mais importantes, como a conta bancária que acumulou transferências de R$ 5 bilhões de dinheiro da União. Era secreto, sigilo imposto por Moro desde 2016″, revelou.
Appio destacou que havia planos para utilizar esses recursos na criação de uma instituição privada, gerida por pessoas próximas aos responsáveis pela operação. O que se pretendia fazer com esse valor era a constituição de uma instituição privada, gerida por eles próprios ou pessoas de sua confiança, que não estaria sujeita ao controle do Tribunal de Contas da União”, explicou.
O juiz também abordou os eventos que levaram ao seu afastamento da 13ª Vara Federal. Em 2023, após suspender uma ordem de prisão contra o advogado Rodrigo Tacla Duran — anteriormente decretada por Sergio Moro —, Appio entrou em conflito com o desembargador federal Marcelo Malucelli. Malucelli restabeleceu a ordem de prisão, e Appio suspeitou de um possível conflito de interesses, acreditando que o filho do desembargador era sócio de Moro.
Em busca de esclarecimentos, Appio admitiu ter feito um telefonema para confirmar o grau de parentesco entre o advogado João Eduardo Malucelli e o desembargador. Meu papel, como juiz, é combater a corrupção. Aquela vara não foi criada com o sentido de ser uma vara anticorrupção? Então eu, juiz, iria fechar os olhos para a corrupção?”, questionou.
Contudo, esse ato foi interpretado como uma ameaça, levando ao seu afastamento. Appio reconheceu que a abordagem não foi a mais adequada e expressou arrependimento: “Hoje, vendo retrospectivamente, digo que não teria feito. Evidentemente, o meio foi inadequado. Não houve ameaça, não houve constrangimento, mas minha permanência lá teria sido importante para aprofundar as investigações.”
As declarações de Eduardo Appio levantam questões preocupantes sobre a integridade e a transparência da Operação Lava Jato. Sua experiência na 13ª Vara Federal evidencia a necessidade de escrutínio e fiscalização contínuos das instituições judiciais.
O magistrado também apontou para a influência que Sergio Moro ainda exerce nos bastidores. Moro conseguiu, de fato, me tirar de campo, mas contou com a conivência e o apoio de uma parcela importante do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”, afirmou.
O Blog do Esmael apurou que o serviço de streaming Netflix estuda transformar em série o livro “Tudo por dinheiro: a ganância da ‘lava jato’ segundo Eduardo Appio”, escrito por Salvio Kotter. A obra será lançada em outubro.
A entrevista completa com Eduardo Appio vai ao ar nesta terça-feira, às 23h30, na TV Brasil, e promete gerar debates acalorados sobre os rumos da justiça no país.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




