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Marçal na Prosperidade? Alep vê pasta no governo Moro

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou nesta terça-feira, 27 de outubro, a professora Fátima Gavioli como secretária de Estado da Educação a partir de 2027. O nome é o segundo do futuro primeiro escalão e reforçou, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a leitura de que o secretariado será montado com quadros de fora do estado. Deputados estaduais ouvidos pelo Blog do Esmael passaram a especular que Moro pode criar uma Secretaria da Prosperidade e convidar Pablo Marçal para comandá-la.

A informação não tem confirmação oficial. A pasta da Prosperidade não existe na estrutura atual do governo paranaense, que reúne 24 secretarias. Também não há anúncio, documento ou declaração pública de Moro sobre a criação da nova área ou sobre um convite a Marçal. O que existe, até aqui, é a sequência de nomeações e a leitura política feita por parlamentares: o governo eleito busca nomes de fora, com trânsito no campo da direita, e a Prosperidade seria o rótulo capaz de abrigar esse tipo de quadro.

Não é de somenos a cena de Moro e Marçal juntos, em 18 de outubro, no primeiro debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na Band. Os dois chegaram na mesma van, entre os convidados do senador. Marçal disse que colaborava com o treinamento de Flávio e foi gravado na plateia dando orientações. Moro ocupou a primeira fila, ao lado de Deltan Dallagnol. Flávio foi derrotado no segundo turno.

Gavioli foi indicada pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem trabalhou por oito anos na Educação. Ela dirigiu a pasta em Rondônia e em Goiás e chega a uma rede que lidera o Ideb do ensino médio. O anúncio foi feito em entrevista à Jovem Pan Curitiba e confirmado pelo Blog do Esmael. Na semana passada, Moro já havia apresentado a economista Priscilla Santana para a Secretaria da Fazenda, por indicação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Santana comandava a Fazenda do Rio Grande do Sul.

No jargão da política paranaense, os dois nomes são “estrangeiros”: não fizeram carreira na máquina estadual. A expressão é usada por deputados para diferenciar quadros técnicos de fora do estado dos políticos locais que disputam espaço no secretariado. Moro prometeu um primeiro escalão técnico e anunciou que pretende reduzir as atuais 24 secretarias para um número entre 15 e 20 a partir de 1º de janeiro de 2027, conforme registrou o veterano jornalista maringaense Angelo Rigon. A conta, porém, não fecha com a criação de uma pasta nova. Para abrir a Prosperidade sem estourar o limite, o governo teria de extinguir ou fundir outra estrutura.

É nesse ponto que a especulação ganha corpo. A Secretaria da Prosperidade seria um espelhamento estadual do Ministério da Prosperidade proposto por Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2026. O então candidato do PL anunciou a pasta em outubro, com a promessa de reunir programas sociais, qualificação profissional, crédito e incentivo ao empreendedorismo. A estrutura estava sendo definida por Marçal, por Daniella Marques e pelo empresário Filipe Sabará, segundo apuração do Blog do Esmael. A campanha não apresentou orçamento, metas ou divisão de atribuições.

Marçal foi um dos principais aliados digitais de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ex-coach, ele construiu a carreira vendendo cursos de desenvolvimento pessoal e prosperidade, tem 14 milhões de seguidores no Instagram e transformou a linguagem da autoajuda em mobilização política. Em outubro, disse que a possibilidade de integrar um eventual governo Flávio estava “em aberto”. Um integrante da equipe do senador, no entanto, afirmou à imprensa que não havia conversas sobre a participação dele. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o registro da candidatura de Marçal à Presidência em 11 de setembro; o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) o havia condenado a oito anos de inelegibilidade por uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2024.

A inelegibilidade declarada pela Justiça Eleitoral impede Marçal de disputar eleições. Não é, por si só, um impedimento para ocupar um cargo comissionado. O convite, porém, teria um custo político. Moro prometeu um governo de critérios técnicos. Marçal não é um quadro técnico. É um influenciador com registro de candidatura rejeitado, condenação por uso indevido dos meios de comunicação e um discurso que mistura empreendedorismo, religião e prosperidade individual. A escolha agradaria à base bolsonarista e ao eleitorado que consome o conteúdo dele, mas exporia o governo a cobranças sobre o que significa “técnico” no discurso de Moro.

Do outro lado, a Alep tem interesse direto no desenho. A reforma administrativa que reduz secretarias precisa ser aprovada pela Assembleia, e é na Casa que Moro terá de negociar votos. O PL elegeu 14 deputados estaduais, e o governador eleito já disse que quer um presidente da Alep aceito pela maioria e pelo governo, segundo apurou o Blog. Deputados do PSD procuraram Moro para integrar a base, pedindo espaço em duas secretarias e um cargo na Mesa Diretora, de acordo com fontes na Assembleia Legislativa. Uma pasta nova, com nome de forte apelo e comando de um aliado nacional do bolsonarismo, seria moeda de troca em uma assembleia que precisa aprovar o enxugamento.

A Prosperidade também tem um problema de desenho. Se for criada, terá de absorver programas que estão em áreas como Desenvolvimento Social e Família, Trabalho e Qualificação e Renda, além de ações de crédito e empreendedorismo. O governo eleito não disse quais estruturas seriam transferidas, quanto custaria a nova pasta ou que economia ela produziria. Sem isso, o nome funciona como marca política, não como política pública. A pergunta que a Alep faz é simples: a Prosperidade nasce para reduzir o Estado ou para acomodar aliados?

A resposta pode vir até a posse, em 1º de janeiro de 2027. O anúncio de Gavioli mostrou que a lista de “estrangeiros” segue em curso. O próximo nome pode ser técnico, como prometido, ou político, como especulam os deputados. A definição dirá mais sobre o governo que começa em 2027 do que qualquer discurso sobre eficiência.

Leia mais no Blog do Esmael e acompanhe a montagem do governo do Paraná.