Início / Curitiba

Moro escolhe ex-secretária de Caiado para comandar Educação do Paraná

Governador eleito anuncia segunda integrante do secretariado, com carreira fora do Paraná; Paulo Guedes indicou futura secretária da Fazenda

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou na manhã desta terça-feira, 27 de outubro, a professora Fátima Gavioli como secretária de Estado da Educação (Seed) a partir de 2027. Ela foi indicada pelo ex-presidenciável e ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD). O nome foi revelado em entrevista à Jovem Pan Curitiba e é o segundo do futuro secretariado, uma semana depois da economista Priscilla Santana, escolhida para a Fazenda.

A professora chega a uma pasta que, nos números, não precisa ser reconstruída. O Paraná lidera o Ideb do ensino médio, com nota 5,1, à frente da média nacional de 4,5 e da média das redes estaduais, de 4,3. A rede que ela dirigiu em Goiás fechou o mesmo ciclo com 5,0. A diferença é de um décimo. O discurso de “novo patamar” terá de conviver com o fato de o estado já ocupar o topo do ranking.

Natural de Goioerê, no Noroeste do Paraná, Gavioli construiu a carreira fora do estado. É formada em Letras, Direito e Pedagogia, mestre em Educação, pós-graduada em Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública de São Paulo (CLP-SP) e doutora em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Foi secretária de Educação de Rondônia entre 2014 e 2016, no governo de Confúcio Moura (MDB), e assumiu a mesma pasta em Goiás em janeiro de 2019, na gestão de Ronaldo Caiado. Deixou o cargo no início de abril de 2026 para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD. Recebeu 54.954 votos, não se elegeu e ficou como suplente. Voltou à Secretaria de Educação de Goiás em 7 de outubro, por nomeação do governador Daniel Vilela (MDB), três semanas antes de ser anunciada por Moro.

A passagem por Goiás é o principal argumento da indicação. Quando assumiu a pasta, em 2019, a rede estadual tinha Ideb de 4,3 no ensino médio, referente a 2017. Ao deixar o cargo, em 2026, o resultado havia subido para 5,0, o melhor da série histórica, segundo o governo goiano. A gestão distribuiu uniformes escolares e criou o Bolsa Estudo, auxílio voltado à permanência dos alunos. Segundo números apresentados pela própria secretária durante a campanha, também construiu 67 escolas, reformou mais de 700 unidades e realizou concurso público para professores.

Moro justificou a escolha pela experiência acumulada em gestão. Segundo o governador eleito, o nome foi recomendado por diversas pessoas, entre elas o ex-governador Ronaldo Caiado, com quem Gavioli trabalhou por oito anos na área da educação.

“Convidei a professora Fátima Gavioli para assumir a Secretaria da Educação do Paraná pela experiência que acumulou na gestão pública e pelo trabalho que realizou em Goiás”, afirmou Moro.

A indicação repete um padrão. A primeira secretária anunciada, Priscilla Santana, foi buscada no Rio Grande do Sul, onde comandava a Fazenda estadual: o “estrangeiro” que a ironia política paranaense permite. Segundo Moro, ela foi indicada pelo ex-ministro Paulo Guedes e por Daniella Marques. Gavioli vem de Goiás, indicada por Caiado. Dos dois nomes confirmados até aqui, nenhum construiu carreira na máquina estadual do Paraná.

No dia 20 de outubro, o Blog do Esmael registrou que circulava nos bastidores a expectativa de que o deputado Paulo Mac Donald (PP) assumisse a Educação. A escolha de Gavioli desfez o cenário e confirmou outro movimento: o secretariado começa a ser montado com quadros de fora do estado e com trajetórias partidárias distintas da de Moro. Gavioli disputou a eleição pelo PSD, legenda de Caiado; o governador eleito é do PL.

Para Gavioli, o teste começa em janeiro. O Ideb de 5,1 foi obtido sob a gestão de Ratinho Junior, que deixa o governo. Manter a liderança e ampliar a distância para os demais estados será a cobrança imediata sobre a nova secretária. É tarefa diferente da que teve em Goiás, onde assumiu uma rede com 4,3 e pôde apresentar evolução.

Moro afirmou que novas indicações serão anunciadas ao longo da transição. Até aqui, os dois nomes confirmados são de mulheres com passagem por secretarias estaduais de outros estados. A Educação do Paraná, que já está no topo do Ideb, será o primeiro teste da aposta em quadros de fora.

Leia mais no Blog do Esmael e acompanhe a montagem do governo que assume o Paraná em 2027.