A desembargadora eleitoral Sandra Bauermann, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), manteve suspensa a divulgação da pesquisa eleitoral PR-06254/2026, realizada pelo Instituto Paraná de Pesquisas, após ação movida pelo deputado federal Luciano Ducci, presidente estadual do PSB. O levantamento, contratado pelo Partido Liberal (PL), mediria intenções de voto para governador e senador nas eleições de 2026 no estado.
Na decisão liminar, a magistrada apontou indícios de quebra de isonomia entre pré-candidatos e potencial indução do eleitorado.
Entre as irregularidades citadas está a forma como alguns nomes apareciam associados a padrinhos políticos de grande visibilidade, enquanto outros pré-candidatos eram apresentados sem referência semelhante.
No questionário surgiam expressões como “Requião Filho com apoio do presidente Lula”, “Giacobo com apoio do Bolsonaro” e “Guto Silva com apoio do governador Ratinho Junior”. Para a Justiça Eleitoral, essa diferenciação pode influenciar a percepção do entrevistado e comprometer o equilíbrio da disputa.
Outro ponto considerado problemático foi a construção dos cenários de segundo turno. O senador Sergio Moro (União) aparecia em todas as simulações diretas, enquanto o nome de Luiz França não figurava em nenhum confronto.
Diante desse quadro, o TRE-PR determinou a suspensão da divulgação da pesquisa até o julgamento do mérito, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
Na manhã desta sexta-feira (6), a desembargadora publicou despacho determinando a abertura de vista ao Ministério Público Eleitoral, que terá prazo de um dia para emitir parecer. Somente após essa manifestação será analisado eventual pedido de reconsideração da liminar.
Com isso, o Instituto Paraná Pesquisas poderá recorrer da decisão nas próximas 24 horas.
Nos bastidores do Centro Cívico, a disputa judicial em torno da pesquisa ocorre em meio a um cenário político cada vez mais instável no Paraná.
Parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) relatam que a janela partidária abriu espaço para um movimento de rearranjo nas bancadas. A Casa possui 54 cadeiras e, segundo relatos de bastidores, até 21 deputados poderiam mudar de legenda nas próximas semanas.
O fator que estaria acelerando esse processo, segundo interlocutores do Legislativo, seria uma ofensiva política conduzida pelos secretários Sandro Alex (PSD), secretário de Infraestrutura, e Márcio Nunes (PSD), secretário de Turismo, em nome do Palácio Iguaçu.
Deputados afirmam que bases eleitorais estariam sendo assediadas diretamente por integrantes do governo estadual, numa tentativa de reorganizar o mapa político de apoio ao governador Ratinho Júnior (PSD) para 2026.
O efeito, porém, estaria sendo o oposto do esperado.
Em vez de consolidar a base, a movimentação aumentou o risco de debandada dentro do PSD e de partidos aliados, cenário que poderia alterar a correlação de forças na ALEP pela primeira vez desde o início do atual governo.
Outro elemento que movimenta os bastidores é a situação do ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD). Interlocutores do Centro Cívico afirmam que ele também avalia deixar o governo e o partido.
Enquanto isso, Ratinho Junior intensifica agendas nacionais e mantém vivo o projeto de disputar a Presidência da República em 2026, movimento que, segundo adversários, acabou abrindo uma disputa precoce pela sucessão estadual.
No campo da oposição, o senador Sergio Moro acompanha as negociações para a formação da federação União Progressista, possível aliança entre União Brasil e PP que poderá redesenhar o mapa partidário no estado.
Já a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann (PT), cumpre agenda no Paraná com entregas do Novo PAC Saúde, reforçando a presença do governo federal no estado em período pré-eleitoral. Ela vai concorrer ao Senado.
A disputa pelas pesquisas eleitorais, portanto, não ocorre no vazio. Ela se insere em um ambiente político marcado por rearranjos partidários, disputa de bases eleitorais e antecipação da corrida pelo Palácio Iguaçu.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




