O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta sexta-feira, 24 de julho, que as duas novas sobretaxas dos Estados Unidos atingem 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O primeiro cálculo oficial confirma a tarifa acumulada de 37,5% sobre máquinas, móveis e vários produtos de madeira, setores relevantes para a indústria e os empregos do Paraná.
O levantamento usa o comércio bilateral de 2024, quando o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos. Desse total, US$ 9,3 bilhões ficaram sujeitos a uma ou às duas medidas adotadas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 de sua legislação comercial.
A maior parcela atingida, equivalente a US$ 6,6 bilhões ou 16,5% das exportações, aparece simultaneamente nas duas listas. Esses produtos pagam a sobretaxa de 25%, em vigor desde 22 de julho, e a alíquota adicional de 12,5%, com carga acumulada de 37,5%.
Máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, móveis, calçados, confecções, gorduras e óleos estão nesse grupo. A lista confirma que a isenção anunciada para cerca de 2 mil produtos não protege uniformemente as cadeias industriais do Paraná.
Outros US$ 1,9 bilhão, equivalentes a 4,7% das vendas brasileiras, ficam sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%. O grupo inclui obras de pedra e gesso, minérios, óleos essenciais, produtos de perfumaria e pescados. A produção paranaense de tilápia, portanto, não recebeu isenção integral.
A tarifa de 25%, sem acumulação com os 12,5%, alcança US$ 800 milhões ou 1,9% das exportações. O açúcar aparece entre os produtos enquadrados nessa situação.
| Situação tarifária | Valor exportado em 2024 | Participação |
|---|---|---|
| Duas sobretaxas, com adicional de 37,5% | US$ 6,6 bilhões | 16,5% |
| Apenas a sobretaxa de 12,5% | US$ 1,9 bilhão | 4,7% |
| Apenas a sobretaxa de 25% | US$ 800 milhões | 1,9% |
| Total alcançado pelas novas medidas | US$ 9,3 bilhões | 23,1% |
O percentual de 76,9% fora das duas novas cobranças exige uma ressalva. Essa parcela inclui produtos submetidos às tarifas setoriais da Seção 232, que alcançam aço, alumínio, automóveis e outros grupos e representam 24,2% das exportações brasileiras aos Estados Unidos.
A fatia efetivamente livre das novas sobretaxas e das tarifas setoriais corresponde a 52,7%, ou US$ 21,3 bilhões. Café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, vários produtos químicos e a maior parte da celulose permanecem sujeitos apenas às tarifas ordinárias norte-americanas, segundo a nota oficial do MDIC.
A diferença corrige a impressão de que aproximadamente três quartos das exportações brasileiras tenham ficado livres de qualquer cobrança adicional. Os 76,9% escapam das duas medidas mais recentes, mas quase um quarto do total continua alcançado por tarifas setoriais anteriores.
No Paraná, o novo cálculo derruba a possibilidade de aplicar automaticamente a estimativa preliminar da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), segundo a qual 75% dos US$ 1,3 bilhão exportados pelo estado aos Estados Unidos em 2025 seriam atingidos pela tarifa de 25%.
A estimativa preliminar colocava perto de US$ 975 milhões sob risco. O valor não pode mais ser tratado como exposição confirmada porque mistura mercadorias isentas, produtos sujeitos a 12,5%, itens tarifados em 25%, bens com cobrança acumulada de 37,5% e autopeças alcançadas por medidas setoriais.
Madeira e produtos de madeira, alimentos industrializados, máquinas, equipamentos elétricos, móveis e autopeças ocupam parcelas relevantes da pauta paranaense. Café e carnes receberam o maior alívio, enquanto máquinas, móveis e vários tipos de madeira permaneceram no grupo mais onerado.
A distribuição territorial também depende do produto efetivamente embarcado. Curitiba exportou US$ 123,1 milhões aos Estados Unidos em 2025, mas o dado reúne diferentes mercadorias e não permite calcular quanto ficou sujeito às novas alíquotas. Região Metropolitana de Curitiba, Campos Gerais, Centro-Sul, Norte e Oeste concentram empresas das cadeias afetadas, porém o MDIC não divulgou a divisão das tarifas por município.
O mesmo limite impede informar uma quantidade responsável de empregos ameaçados. O documento federal apresenta valores nacionais por grupo tarifário, mas não relaciona códigos aduaneiros a estabelecimentos, municípios ou vínculos formais de trabalho no Paraná.
Para produzir esse mapa, o governo Ratinho Junior (PSD), a Fiep e as prefeituras precisam cruzar a lista tarifária dos Estados Unidos com os códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), as vendas municipais registradas no Comex Stat e os vínculos formais de cada atividade. Sem essa abertura, qualquer número estadual de empregos ameaçados será uma projeção, não uma constatação.
A atualização oficial reduz a incerteza nacional, mas mantém sem resposta a pergunta mais concreta para o Paraná: quais fábricas, cidades e trabalhadores estão dentro dos US$ 9,3 bilhões atingidos pelas novas medidas?
Acompanhe no Blog do Esmael a identificação dos produtos, municípios e empregos paranaenses alcançados pelas tarifas dos Estados Unidos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




