23 de setembro de 2016
por Esmael Morais
42 Comentários

Curitiba foi transformada num tribunal kafkiano pelos “guris” da Lava Jato

ester_artigoA filósofa Ester Maria Dreher Heuser, Professora Doutora da Unioeste, no município de Toledo/PR, em artigo especial para o Blog do Esmael, afirma que garotos da Lava Jato, em Curitiba, copiam a ficção na “caça” e nos julgamentos que fazem. “Tal como em Kafka, agora, tudo pertence ao tribunal, nele impera a arrogância dos magistrados e a absolvição real só existe em lendas antigas”, escreve a colaboradora. Leia mais

30 de maio de 2015
por Esmael Morais
33 Comentários

Artigo especial de Ester Maria Dreher Heuser: “Sim, nós podemos!”

Sim, nós podemos!

Três lições que os professores deram aos governantes e a si mesmos sobre o poder

Ester Maria Dreher Heuser*

É senso comum pensar que quem tem o poder são os políticos e os ricos. Daí ser usual ouvir que “lei vale para o povo, políticos e ricos sempre se livram dela”. No Paraná, até início de fevereiro de 2015, essa era a convicção da maior parte da população, de ricos a pobres, de governantes a governados. A partir do mês do carnaval, contudo, a crença foi abalada: passamos a ver na “telinha”, ricos empreiteiros saindo da cadeia para suas casas, mas com tornozeleiras de controle; deputados em camburão para dentro da Casa do Povo, com medo do povo, para votar contra o povo; um governador, eleito em primeiro turno, governando em lugar quase secreto, ironicamente, chamado “chapéu pensador”.

O que pensavam, naquela altura de 2015, os ricos “entornozelados”, os deputados “encamburizados” e o governador “enchapelado”? Tudo se tratava de um passageiro pesadelo, o poder ainda era deles. O que pensava o povo que assistia aquela anomalia pela “telinha”? As coisas estavam saindo dos eixos, algo estava fora de lugar.

Uma parcela do povo, que já não mais ocupava o seu lugar de costume, mas as ruas da capital,sentia que as coisas poderiam ser diferentes e pensava que páginas de livros “do tempo da faculdade” poderiam fazer sentido. Cada um dessa parcela, a partir da sua singularidade, apesar dos apelos das lideranças encima do trio elétrico, decidiu contrariar o senso comum. Rompeu a corrente humana de homens fardados e tomou lugar na Casa do Povo, conseguindo pôr fim na autoritária Comissão Geral, exclusiva da ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná). Desse momento em diante, aquilo que parecia ser só um jogo de marketing do Tio Sam começou a funcionar como uma verdade em forma de refrão: SIM, NÓS PODEMOS! Essa foi a primeira lição do ano que a parcela do povo que leciona todos os dias deu aqueles que, até então, acreditavam ter o poder. Mas também ensinou a si mesma que ela também podia.

Passadas as águas de março, após amostras poderosas daqueles que acreditavam ter o poder, o refrão voltou a soar nas mentes daquela parcela. Surpreendentemente, cada um, por sua própria singularidade, passou a acreditar, ainda mais, no slogan que deixara de ser apenas uma jogada de marketing: SIM, NÓS PODEMOS! E, por sua própria conta e risco, outra vez, saiu de seu lugar de costume para ocupar as ruas da capital. Porém, os homens de farda não eram os mesmos, a corrente que separava aquela parcela da Casa do Povo não era mais feita só de homens, tinha com Leia mais