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Sandro trava dramática eleição dentro da eleição contra Requião

Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), entrou na reta final da eleição paranaense preso a uma disputa anterior ao próprio segundo turno: precisa superar Requião Filho (PDT) para conquistar o direito de enfrentar Sergio Moro (PL). A Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira, 18 de setembro, desenha um quadro duplamente adverso ao Palácio Iguaçu: Requião aparece numericamente à frente de Sandro, enquanto Moro está praticamente sobre a linha necessária para decidir a eleição já em 4 de outubro.

É a eleição dentro da eleição.

Antes de pensar em derrotar Moro, a campanha governista precisa resolver Requião Filho. E antes mesmo de resolver Requião, precisa impedir que Moro ultrapasse a maioria absoluta dos votos válidos e encerre a disputa no primeiro turno.

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A fotografia do Paraná Pesquisas é objetiva: Moro tem 44,7%, Requião Filho registra 23% e Sandro Alex aparece com 19,7%. A diferença numérica entre Requião e Sandro é de 3,3 pontos percentuais, mas os dois estão em empate técnico diante da margem de erro de 2,8 pontos para mais ou para menos. Foram entrevistados 1.280 eleitores em 57 municípios, entre 15 e 17 de setembro, com 95% de confiança. O levantamento, contratado pela Sedek, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-01022/2026.

Portanto, não há uma segunda colocação estatisticamente consolidada de Requião. Há, porém, uma vantagem numérica que, faltando pouco mais de duas semanas para a votação, obriga Sandro a correr.

Sandro precisa vencer duas eleições

A primeira batalha de Sandro não é contra o líder. É contra Requião Filho.

Se houver segundo turno, somente os dois candidatos mais votados avançam para 25 de outubro. A legislação eleitoral determina ainda que governador é eleito no primeiro turno caso obtenha maioria absoluta dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.

Isso produz uma equação pouco confortável para o grupo de Ratinho Junior.

Sandro precisa crescer o suficiente para ultrapassar Requião, mas esse crescimento também precisa contribuir para retirar Moro da zona dos 50% dos votos válidos. Apenas trocar votos com Requião não resolve a primeira ameaça.

Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, resumiu essa lógica durante a Superlive do Blog do Esmael. Segundo ele, a eleição apresenta duas disputas simultâneas: saber se haverá segundo turno e, caso haja, descobrir quem enfrentará Moro, Requião Filho ou Sandro Alex. Hidalgo avaliou ainda que Sandro necessita retirar votos principalmente de Moro, porque ganhar eleitor de Requião sem reduzir o líder pouco altera a matemática do primeiro turno.

Essa é a encruzilhada governista.

Sandro precisa combater Moro para criar o segundo turno e, ao mesmo tempo, correr mais que Requião para estar nele.

Moro está a décimos da linha de chegada

Moro entra na fila do gargarejo de Flávio, enquanto explode a crise de Ratinho no Paraná
Moro estaria com uma mão na taça, segundo o Paraná Pesquisas.Foto: reprodução

A segunda dificuldade aparece quando os votos declarados aos candidatos são recalculados sem brancos, nulos e indecisos.

No Paraná Pesquisas, os candidatos somam 89,5% das respostas. Nesse universo, Moro representa aproximadamente 49,9% dos votos válidos simulados. Todos os adversários juntos ficam com cerca de 50,1%. É praticamente meio a meio.

Isso não significa que Moro esteja eleito no primeiro turno pela pesquisa. Pelo contrário: no cálculo pontual, ele permanece ligeiramente abaixo da maioria absoluta.

Significa que a fronteira está a décimos.

Pesquisa não é apuração, e a margem de erro impede transformar essa conta em previsão do resultado das urnas. Mas, politicamente, o número explica por que o primeiro turno entrou definitivamente no centro da campanha.

Se Moro avançar um pouco, a eleição dentro da eleição entre Sandro e Requião perde o objeto: ninguém disputará o segundo turno.

Se Moro recuar, começa outra guerra.

Sandro cresce, mas relógio corre mais rápido

Há um elemento favorável a Sandro na série do próprio Paraná Pesquisas: ele vem avançando.

Sandro tinha 16,5% em agosto, passou para 17,5% no início de setembro e chegou aos atuais 19,7%. No mesmo período, Moro foi de 46,1% para 45% e depois 44,7%. Requião Filho oscilou de 23,4% para 24% e agora aparece com 23%. As variações isoladas precisam ser interpretadas dentro da margem de erro, mas a sequência mostra Sandro numericamente mais próximo de Requião do que estava semanas atrás.

O problema para o Palácio é calendário. Tic-tac.

O primeiro turno será em 4 de outubro. O eventual segundo, em 25 de outubro. Não basta crescer: é necessário crescer no ritmo capaz de produzir simultaneamente segundo turno e classificação para ele.

Ratinho Junior parece ter identificado a urgência. O governador licenciou-se do cargo a partir de 17 de setembro para se dedicar à campanha de Sandro, enquanto o vice-governador Darci Piana (PSD) assumiu interinamente o Executivo estadual. A programação anunciada prevê encontros, caminhadas e comícios na reta final.

Não é um movimento trivial. O governador deixou temporariamente o próprio cargo para entrar integralmente numa campanha que ainda luta pela segunda posição.

Requião resiste sem a máquina do governo

Do outro lado está Requião Filho.

A Superlive do Blog do Esmael discutiu justamente por que o candidato do PDT continua numericamente à frente mesmo diante da estrutura política colocada à disposição de Sandro.

O professor Valdir Cruz atribuiu parte dessa resistência ao tempo de exposição da candidatura, ao peso histórico do nome Requião e a um eleitorado já consolidado. Na avaliação apresentada durante a transmissão, enquanto Sandro entrou mais tarde na disputa e ainda procura uma identidade própria, Requião chegou à reta final sustentando um campo político mais delimitado.

A diferença aparece também na espontânea, embora em proporções menores. Sem que o entrevistador apresente os candidatos, Moro é lembrado por 25,4%, Requião por 9,8% e Sandro por 9,2%. O dado dominante, entretanto, é outro: 48,3% não sabem ou não opinam espontaneamente.

Isso mostra quanto voto ainda depende da apresentação dos nomes e quanto espaço resta para a campanha.

Menor rejeição é a janela de Sandro

Nem toda a fotografia é desfavorável ao candidato governista.

Sandro tem a menor rejeição entre os três principais nomes. Segundo o Paraná Pesquisas, 12,2% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 26,6% para Moro e 37,8% para Requião Filho. Como a pergunta permitia mais de uma resposta, os percentuais não são excludentes.

Esse dado oferece à campanha de Sandro uma possível avenida de crescimento, mas não garante que o potencial seja convertido em voto.

Esse foi exatamente um dos conflitos levantados pela Superlive. Murilo Hidalgo disse haver um problema na conversão dos ativos políticos da candidatura. Sandro dispõe do apoio de Ratinho Junior e de uma ampla estrutura partidária, mas essa força ainda não apareceu na mesma proporção nas intenções de voto. Em outro trecho, Hidalgo avaliou que a comunicação e o marketing da candidatura ainda não conseguiram transformar esses apoios em votação para Sandro.

O próprio PSD informa administrar 201 das 399 prefeituras paranaenses e apresenta Sandro como o candidato da continuidade da administração Ratinho Junior. A estrutura existe. A questão eleitoral é quanto dela chegará às urnas.

A matemática explica o drama palaciano

Superlive vê falha de Sandro e Senado aberto no Paraná
Superlive destrinchou pesquisas eleitorais no Paraná. Foto: reprodução/Blog do Esmael

O quadro do grupo governista pode ser resumido em três números: 44,7%, 23% e 19,7%.

Moro lidera.

Requião está numericamente na posição que leva ao segundo turno.

Sandro está atrás dos dois.

Mas a distância entre Requião e Sandro cabe na margem de erro, enquanto Moro está praticamente empatado com a soma dos adversários quando se simulam apenas os votos válidos.

É por isso que a disputa de Sandro ganhou duas frentes ao mesmo tempo.

Para continuar vivo depois de 4 de outubro, ele precisa ajudar a retirar Moro da fronteira da maioria absoluta e ultrapassar Requião Filho.

Se conseguir apenas a primeira missão, pode abrir o segundo turno para Requião.

Se conseguir apenas ultrapassar Requião, mas Moro superar 50% dos votos válidos, a ultrapassagem será inútil.

A eleição dentro da eleição, portanto, é cruel com o candidato do Palácio: Sandro precisa que Moro caia e precisa subir mais que Requião.

E mais: também precisa torcer para que Requião não caia, sob pena de Moro fechar no primeiro turno.

Essa é a fotografia de 18 de setembro. Não é sentença eleitoral. A própria pesquisa mostra empate técnico entre os dois perseguidores e quase metade do eleitorado sem citar espontaneamente candidato algum.

Mas o relógio está correndo. Tic-tac.

O Palácio Iguaçu colocou Ratinho Junior na rua. Requião Filho tenta preservar a segunda posição. Moro busca transformar liderança em maioria absoluta.

E Sandro Alex precisa vencer uma eleição antes de disputar outra. Tic-tac, tic-tac.

Acompanhe no Blog do Esmael a reta final da corrida pelo Palácio Iguaçu, as novas pesquisas e os movimentos que definirão se o Paraná terá ou não segundo turno. Tic-tac.

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