Índice de Tópicos
- Moro fica em 49,9% entre os votos dados a candidatos
- Simulação aproxima Moro da linha dos 50%
- Arredondamento impede cravar 50%
- Sandro reduz a distância para Requião
- Sandro quase alcança Requião na espontânea
- Regra dos 35% na espontânea não existe
- Paraná Pesquisas e Neokemp colocam 2º turno no centro do debate
- Superlive vai colocar a conta dos votos válidos na mesa
- Receba as notícias do Blog do Esmael
A nova rodada do Paraná Pesquisas coloca Sergio Moro (PL) exatamente na fronteira matemática que separa uma eleição decidida no primeiro turno de uma disputa levada à segunda votação. Quando os percentuais do levantamento são recalculados considerando apenas os eleitores que declararam voto em algum candidato, Moro passa dos 44,7% divulgados pelo instituto para aproximadamente 49,9% dos votos válidos simulados. Ele não ultrapassa, portanto, a maioria absoluta exigida para vencer no primeiro turno.
Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno? Quem lidera?
O cálculo será um dos pontos centrais da Superlive do Blog do Esmael, às 17 horas desta sexta-feira, 18 de setembro, que reunirá pesquisadores, jornalistas e analistas para confrontar pelo menos seis levantamentos sobre a eleição paranaense.
Moro fica em 49,9% entre os votos dados a candidatos
A conta exige cuidado porque pesquisa eleitoral e apuração da urna trabalham com categorias diferentes.
No cenário estimulado do Paraná Pesquisas, Moro tem 44,7%, Requião Filho (PDT) registra 23% e Sandro Alex (PSD), 19,7%. Luiz França aparece com 0,7%, Doutor Alexandre Salomão e Tayná Miessa têm 0,4% cada, enquanto Adriano Funileiro e Samuel de Mattos marcam 0,3% cada.
Outros 5,8% responderam nenhum, branco ou nulo, e 4,8% não souberam ou não opinaram.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera válidos os votos dados a candidatos. Votos brancos e nulos ficam fora da soma utilizada para determinar se um candidato a governador alcançou maioria absoluta. Para vencer no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos.
Se retirarmos apenas os 5,8% de brancos e nulos da pesquisa, a base restante cai de 100% para 94,2%. Nessa primeira conta, Moro passa de 44,7% para aproximadamente 47,5% da base sem brancos e nulos.
Requião Filho sobe de 23% para aproximadamente 24,4%, enquanto Sandro Alex passa de 19,7% para cerca de 20,9%.
Luiz França ficaria com aproximadamente 0,7%, Doutor Alexandre Salomão e Tayná Miessa com cerca de 0,4% cada, e Adriano Funileiro e Samuel de Mattos com aproximadamente 0,3% cada.
Essa conta, porém, ainda contém os 4,8% que responderam não saber ou não opinar. Depois da retirada dos brancos e nulos, esses indecisos equivaleriam a aproximadamente 5,1% da nova base.
Por isso, chamar os 47,5% de Moro de “votos válidos” seria tecnicamente impreciso. Na urna não existe a categoria “não sabe ou não opinou”. O eleitor comparece e vota em candidato, em branco ou anula o voto, além da possibilidade de abstenção.
Simulação aproxima Moro da linha dos 50%
Para fazer uma aproximação mais parecida com a totalização eleitoral, é necessário retirar também os indecisos e considerar apenas os percentuais efetivamente atribuídos a candidatos.
É aí que a conta fica politicamente mais sensível.
Somados os percentuais publicados para todos os candidatos, chega-se a 89,5%. Normalizando essa base para 100%, Moro passa para aproximadamente 49,94% dos votos declarados a candidatos.
Requião Filho ficaria com cerca de 25,70%, enquanto Sandro Alex teria aproximadamente 22,01%.
Luiz França alcançaria cerca de 0,78%. Doutor Alexandre Salomão e Tayná Miessa teriam aproximadamente 0,45% cada. Adriano Funileiro e Samuel de Mattos ficariam com cerca de 0,34% cada.
A fotografia ficaria assim:
- Sergio Moro: 49,94%
- Requião Filho: 25,70%
- Sandro Alex: 22,01%
- Luiz França: 0,78%
- Doutor Alexandre Salomão: 0,45%
- Tayná Miessa: 0,45%
- Adriano Funileiro: 0,34%
- Samuel de Mattos: 0,34%
Arredondamento impede cravar 50%
Existe uma diferença mínima dependendo da forma utilizada para reconstruir a base porque os percentuais publicados pelo instituto são arredondados.
Se forem simplesmente descontados do total os 5,8% de branco/nulo e os 4,8% de não sabe/não opinou, a base resultante é de 89,4%. Dividindo os 44,7% de Moro por essa base, chega-se matematicamente a 50,0%.
Mas a soma dos percentuais individualmente publicados para os candidatos é de 89,5%. Quando esses números são normalizados entre si, Moro fica em 49,94%.
Essa diferença de 0,06 ponto não representa uma divergência real no eleitorado. É efeito do arredondamento dos percentuais divulgados pelo instituto.
A conclusão segura, portanto, é que Moro está matematicamente em torno de 50% dos votos atribuídos a candidatos, mas os dados publicados não permitem dizer que ultrapassou os 50% necessários para uma vitória em primeiro turno.
E há uma diferença jurídica decisiva entre 50% e maioria absoluta.
O TSE estabelece que governador precisa receber mais da metade dos votos válidos para ser eleito no primeiro turno. Alcançar exatamente 50% não basta. Se nenhum candidato superar a metade dos votos válidos, os dois mais votados disputam o segundo turno.
Além disso, essa transformação da pesquisa em votos válidos é uma simulação matemática, não uma projeção oficial do Paraná Pesquisas.
Os 4,8% que ainda não sabem ou não opinam podem escolher Moro, Requião, Sandro ou qualquer outro candidato, votar em branco, anular o voto ou não comparecer. Qualquer uma dessas combinações muda a proporção final dos votos válidos.
A margem de erro de 2,8 pontos percentuais reforça essa cautela. O Paraná Pesquisas ouviu 1.280 eleitores em 57 municípios entre 15 e 17 de setembro, em entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número PR-01022/2026.
Sandro reduz a distância para Requião

O cálculo acrescenta uma nova dimensão à corrida pelo Palácio Iguaçu.
A pergunta deixa de ser simplesmente se Moro tem 44,7%. A questão passa a ser se o candidato do PL conseguirá transformar sua liderança em mais de 50% dos votos válidos quando os indecisos fizerem suas escolhas e os votos brancos e nulos forem retirados da totalização.
A conta também ajuda a dimensionar a movimentação de Sandro Alex.
Na rodada imediatamente anterior do Paraná Pesquisas, Moro tinha 45%, Requião Filho aparecia com 24% e Sandro marcava 17,5%. Agora, Moro oscila para 44,7%, Requião para 23% e Sandro chega a 19,7%.
Moro recuou numericamente 0,3 ponto, Requião Filho caiu um ponto e Sandro avançou 2,2 pontos.
Como as variações estão dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que houve transferência direta de votos entre eles.
A distância entre Requião e Sandro, entretanto, caiu de 6,5 para 3,3 pontos na estimulada.
Sandro quase alcança Requião na espontânea
Na pesquisa espontânea, o aperto é ainda maior.
Moro aparece com 25,4%, Requião Filho tem 9,8% e Sandro Alex chega a 9,2%. Requião e Sandro estão separados por apenas 0,6 ponto percentual quando o eleitor precisa lembrar sozinho do candidato.
Na rodada anterior, Requião tinha 10,2% na espontânea e Sandro, 6,3%. Sandro avançou numericamente 2,9 pontos e praticamente fechou a distância nesse indicador.
Moro, por outro lado, não caiu na espontânea. Passou de 24,2% para 25,4%.
Quase metade do eleitorado, entretanto, continua sem citar espontaneamente um candidato ao Governo do Paraná. São 48,3% de não sabe/não opinou.
Esse dado impede que a lembrança espontânea seja tratada como uma espécie de resultado antecipado das urnas.
Regra dos 35% na espontânea não existe
Também não existe uma regra segundo a qual um candidato precise alcançar 35% na espontânea para vencer no primeiro turno.
Esse percentual pode ser usado informalmente por analistas a partir de experiências históricas ou modelos próprios, mas não é critério da Justiça Eleitoral.
A regra objetiva é outra: maioria absoluta dos votos válidos.
A conversão feita nesta matéria permite enxergar melhor justamente esse ponto.
Na pesquisa bruta, Moro tem 44,7%.
Retirando apenas branco e nulo, ele representa aproximadamente 47,5% da base restante, mas ainda há indecisos dentro dessa conta.
Considerando exclusivamente os votos já atribuídos a candidatos, Moro fica em aproximadamente 49,9%.
É essa última conta que aproxima a pesquisa da lógica utilizada na totalização eleitoral, com a ressalva fundamental de que os indecisos ainda terão comportamento desconhecido até a votação.
Paraná Pesquisas e Neokemp colocam 2º turno no centro do debate
A comparação com outros institutos também deverá entrar na Superlive.
O Blog do Esmael mostrou que a Neokemp, divulgada em 17 de setembro, colocava Moro com 52,1% em uma simulação de votos válidos, depois de descontados brancos, nulos e entrevistados sem candidato definido.
O Paraná Pesquisas, pela mesma lógica de normalização dos votos declarados, coloca Moro na casa dos 49,9%.
Isso não significa que um instituto esteja necessariamente certo e outro errado. As pesquisas têm metodologias, amostras e processos de coleta diferentes.
A comparação mostra, porém, que a existência ou não de segundo turno permanece sensível a poucos pontos e à metodologia empregada.
O Blog do Esmael publicou nesta sexta-feira os dados completos do levantamento em Paraná Pesquisas: Moro 44,7%, Requião 23% e Sandro 19,7%.
Superlive vai colocar a conta dos votos válidos na mesa

A discussão ganhará números, metodologia e contraditório às 17 horas desta sexta-feira, durante a Superlive do Blog do Esmael, que vai confrontar pelo menos seis pesquisas eleitorais sobre o Paraná.
A bancada terá, entre outros participantes, Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, o que permitirá discutir diretamente como o instituto interpreta a diferença entre intenção estimulada, espontânea e eventual conversão para votos válidos.
A pergunta que deve esquentar a Superlive está agora colocada em números: Moro está acima ou abaixo da linha que decide a eleição no primeiro turno?
O Paraná Pesquisas não responde essa pergunta sozinho.
A simulação dos votos declarados o coloca praticamente sobre a linha dos 50%, enquanto Sandro encurta a distância para Requião e quase metade dos eleitores ainda não cita espontaneamente nenhum candidato.
É justamente nesse espaço entre os 44,7% da pesquisa bruta, os 49,9% da simulação e os mais de 50% exigidos pela Justiça Eleitoral que está uma das principais disputas matemáticas e políticas da reta final no Paraná.
Acompanhe a Superlive do Blog do Esmael às 17 horas desta sexta-feira para ver essa conta confrontada com os demais levantamentos e com as metodologias dos institutos.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




