Sergio Moro (PL) aparece com 44,7% das intenções de voto para o Governo do Paraná, Requião Filho (PDT) registra 23% e Sandro Alex (PSD) chega a 19,7% na nova rodada do Paraná Pesquisas divulgada em 18 de setembro de 2026. A fotografia muda bastante quando o entrevistador não apresenta os nomes: 48,3% dos eleitores não souberam ou não opinaram espontaneamente sobre quem escolher para o Palácio Iguaçu.
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Esse contraste é o dado que melhor dimensiona o estágio da campanha. Na pergunta estimulada, quando o eleitor recebe a lista dos candidatos, apenas 4,8% dizem não saber ou não opinar. Na espontânea, sem a apresentação da cartela, esse percentual salta para 48,3%. Isso não significa que quase metade do eleitorado esteja necessariamente sem preferência: significa que quase metade não citou espontaneamente um candidato quando precisou puxar um nome da memória.
Entre os que lembraram espontaneamente de algum candidato, Moro registra 25,4%, Requião Filho tem 9,8% e Sandro Alex, 9,2%. Outros 6,1% responderam ninguém, branco ou nulo. A diferença entre a espontânea e a estimulada mede, entre outras coisas, o grau de lembrança nominal das candidaturas e ajuda a explicar por que uma eleição pode parecer mais definida quando os nomes são apresentados do que quando o eleitor precisa recordá-los sozinho.
Sandro Alex é o único dos três primeiros que avança numericamente em relação à rodada imediatamente anterior do próprio Paraná Pesquisas. Em 3 de setembro, Moro tinha 45%, Requião Filho, 24%, e Sandro, 17,5%. Agora, Moro oscila para 44,7%, Requião para 23% e Sandro chega a 19,7%. Portanto, o candidato do PSD cresce 2,2 pontos entre as duas pesquisas.
Desde agosto, Sandro passou de 16,5% para 19,7%, avanço numérico de 3,2 pontos. Como a margem de erro da pesquisa é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos, as oscilações precisam ser interpretadas com cautela e não demonstram, isoladamente, uma tendência estatística consolidada.
Na corrida direta pelo segundo lugar, a distância nominal entre Requião Filho e Sandro Alex caiu para 3,3 pontos percentuais. O dado responde a uma das principais questões desta etapa da campanha: em números absolutos da pesquisa, é essa a diferença que separa os dois. A margem de erro, entretanto, não deve ser simplesmente somada ou subtraída da distância para transformar o resultado automaticamente em empate ou vantagem estatisticamente comprovada.
Na comparação com as outras duas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, 17 de setembro, Sandro aparece em uma faixa bastante próxima. A AtlasIntel registrou 18,6% para o candidato do PSD, enquanto a Neokemp apontou 19,4%. No mesmo período, a AtlasIntel mostrou Moro com 49,1% e Requião Filho com 28,2%; a Neokemp marcou 49,8% e 24,5%, respectivamente.
As diferenças entre institutos não podem ser tratadas automaticamente como crescimento ou queda de um dia para o outro. A AtlasIntel utilizou recrutamento digital aleatório, a Neokemp trabalhou com entrevistas automatizadas por URA e o Paraná Pesquisas realizou entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. Amostras, períodos de campo e métodos distintos podem produzir fotografias diferentes do mesmo eleitorado.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.280 eleitores em 57 municípios entre 15 e 17 de setembro. O levantamento tem margem estimada de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-01022/2026. O próprio caderno informa que pelo menos 30% dos questionários aplicados foram auditados.
A mesma pesquisa que chegou às ruas nesta sexta-feira foi alvo de uma tentativa judicial de impedir sua divulgação. Como o Blog do Esmael informou na quarta-feira, 16 de setembro, a campanha de Sandro Alex pediu a suspensão do levantamento, mas a juíza auxiliar Claudia Cristina Cristofani, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), negou a liminar.
Veja como está a disputa pelo Senado

Para o Senado, a diferença entre voto estimulado e espontâneo é ainda maior. Sem a apresentação dos nomes, 64,8% não souberam ou não opinaram. Deltan Dallagnol (Novo) foi citado espontaneamente por 12,7%, Gleisi Hoffmann (PT) por 8%, Alexandre Curi (Republicanos) por 5,5%, Filipe Barros (PL) por 5,4%, Cristina Graeml (PSD) por 2,7% e Dr. Rosinha (PT) por 1,6%.
Quando os nomes são apresentados, quatro candidaturas aparecem concentradas acima de 25%: Deltan tem 31,6%, Alexandre Curi soma 30,4%, Filipe Barros registra 26,3% e Gleisi Hoffmann, 25,9%. Cristina Graeml aparece com 14,8% e Dr. Rosinha, com 12,5%.
Aqui há uma particularidade essencial para interpretar os percentuais. Em 2026, cada eleitor terá dois votos para senador porque duas das três cadeiras de cada estado estarão em disputa. Os votos precisam ser dados a candidatos diferentes e os dois mais votados serão eleitos. Por isso, pesquisas que permitem ao entrevistado citar até dois nomes podem apresentar soma de percentuais superior a 100%.
O próprio Paraná Pesquisas ajuda a mostrar quanto o segundo voto ainda está em formação. Quando separa primeira e segunda opções, 41,8% dos entrevistados dizem não ter uma segunda escolha para o Senado. Na primeira opção, Deltan aparece com 22,6%, Curi com 20,5% e Gleisi com 20,4%. Já na segunda opção, Filipe Barros lidera numericamente com 14,8%, seguido por Curi, com 9,9%, Deltan, com 9,1%, Dr. Rosinha, com 8,8%, e Cristina Graeml, com 8,4%.
Esse dado impede que a soma dos dois votos seja lida como uma fotografia completamente cristalizada das duas cadeiras. A pesquisa estimulada mostra quatro nomes concentrados no pelotão superior, enquanto a espontânea deixa quase dois terços dos entrevistados sem citar candidato e mais de quatro em cada dez ainda não apresentam uma segunda opção quando perguntados diretamente sobre ela.
No Governo, o movimento mais claro dentro da série do próprio instituto é a oscilação positiva de Sandro Alex, de 17,5% para 19,7%, enquanto Moro passa de 45% para 44,7% e Requião Filho de 24% para 23%. No Senado, o elemento central é outro: duas vagas, quatro candidaturas acima de 25% no cenário estimulado e uma enorme distância entre reconhecimento provocado pela cartela e lembrança espontânea.
Pesquisa eleitoral é uma fotografia produzida dentro de uma metodologia, de uma amostra e de um período de campo. Ela não é uma previsão do resultado das urnas. A rodada do Paraná Pesquisas acrescenta uma informação relevante justamente porque mostra as duas dimensões ao mesmo tempo: preferência quando os nomes são apresentados e lembrança quando o eleitor precisa responder sozinho.
O Blog do Esmael vai colocar essa rodada lado a lado com AtlasIntel, Neokemp e os demais levantamentos na Superlive marcada para as 17 horas de 18 de setembro, comparando metodologia, evolução das candidaturas e a disputa pelas duas vagas do Senado.
Acompanhe a cobertura das eleições de 2026 no Blog do Esmael e confira como cada nova rodada altera, ou confirma, a fotografia da disputa no Paraná.
Leia também:
- AtlasIntel: Moro 49,1%, Requião 28,2% e Sandro 18,6%
- Neokemp: Moro 49,8%, Requião 24,5% e Sandro 19,4%
- Justiça nega pedido de Sandro Alex contra Paraná Pesquisas
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




