Os corredores do Palácio Rio Branco, sede do Legislativo de Curitiba, amanheceram sob forte tensão política nesta quinta-feira (20). A Câmara Municipal de Curitiba iniciou, às 9h da manhã, a sessão especial de julgamento que definirá o futuro do mandato do vereador Lórens Nogueira (PP), acusado de “rachadinha” e quebra de decoro parlamentar. O parlamentar chegou pessoalmente ao plenário para acompanhar a votação nominal, que exige o voto favorável de pelo menos dois terços da casa (26 dos 38 vereadores) para aprovar a cassação recomendada pela Comissão Processante.
A presença física de Lórens Nogueira na Câmara representa uma verdadeira reviravolta jurídica e política de bastidores. Na última quinta-feira (13), o vereador havia sido afastado cautelarmente de suas funções por 90 dias por ordem da 7ª Vara Criminal de Curitiba, a pedido do Ministério Público. A decisão judicial também o proibia de frequentar as dependências do Legislativo e de manter contato com testemunhas do caso. No entanto, em uma jogada rápida, a defesa do parlamentar obteve uma liminar salvadora junto à 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
A desembargadora relatora Priscilla Placha Sá suspendeu o afastamento de Lórens por considerar que a medida carecia de “contemporaneidade”. Ela observou que a denúncia do Gaeco foi apresentada em junho, mas o afastamento só ocorreu em agosto, sem que nenhum fato novo ou ameaça às investigações fossem relatados nesse intervalo. Com a liminar de retorno garantida pelo TJ-PR, Nogueira entrou na Câmara de cabeça erguida para enfrentar o plenário que agora decide de forma definitiva seu destino político.
O processo ético-disciplinar (PED 2/2026) teve origem após as investigações da Operação Déjà-Vu, capitaneada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). O órgão flagrou o vereador do PP em vídeo recebendo dinheiro vivo. Segundo o parecer final da comissão, elaborado pelo relator Da Costa (Podemos), ficou comprovado que Lórens utilizou sua influência de mandato para coagir uma ex-servidora indicada ao Detran-PR a repassar mensalmente parte de seu salário.
A defesa de Lórens nega as acusações, classificando o relatório como “anemia de fundamentação” e acusando o relator de usar o caso como palanque político. O julgamento desta quinta-feira coloca a bancada governista de centro-direita de Curitiba em uma vidraça incômoda: se salvarem o vereador filmado pelo Gaeco, estarão assinando uma confissão de cumplicidade com a rachadinha na largada oficial das Eleições 2026. Se cassarem, perdem um aliado precioso nas bases locais.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




