Paraná Pesquisas registra sondagem que testa sucessão de Ratinho

A Paraná Pesquisas registrou uma nova sondagem sobre a disputa no Paraná, com divulgação prevista para segunda-feira (13), 1.500 entrevistas entre quinta-feira (10) e sábado (12) e margem de erro estimada em 2,6 pontos percentuais. O questionário põe no papel a crise que domina a sucessão estadual. O grupo do governador Ratinho Júnior (PSD) segue sem nome pacificado, enquanto Sergio Moro (PL) aparece como presença fixa em todos os cenários para o Palácio Iguaçu.

A pesquisa foi contratada pelo PL, ao custo de R$ 135.025,00, e será feita com entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. O registro informa ainda que ao menos 30% dos questionários, no mínimo 450 entrevistas, passarão por auditoria posterior de qualidade.

O questionário para governador testa primeiro um cenário amplo com Guto Silva (PSD), Luiz França (Missão), Rafael Greca (MDB), Requião Filho (PDT), Sergio Moro e Tony Garcia (Democracia Cristã). Depois, abre cartelas separadas para medir Guto sem Greca, Alexandre Curi (Republicanos) sem Guto, e Greca sem Guto, além de uma rodada de rejeição com todos esses nomes.

É aí que a pesquisa deixa de ser apenas pesquisa e vira retrato político. Ao separar Guto, Curi e Greca em cenários próprios, o PL admite no questionário aquilo que a praça já comenta nos corredores da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), nos gabinetes de Curitiba e nas conversas de bastidor em Brasília. O bloco palaciano não tem candidato único. Tem impasse.

Esse detalhe vale mais do que parece. Na entrevista concedida a Ogier Buchi e Henrique Giglio, no programa Direto ao Ponto, Esmael Morais chamou atenção justamente para esse vazio. Moro aparece forte porque corre quase sozinho no mesmo campo, enquanto Ratinho Júnior ainda não conseguiu transformar o peso do governo em candidatura unificada. O novo levantamento da Paraná Pesquisas repete esse diagnóstico sem precisar escrevê-lo.

Hoje, a pista mais larga dentro do governismo parece ser a de Alexandre Curi. Depois de deixar o PSD e migrar para o Republicanos, o presidente da ALEP passou a negociar a própria viabilidade com mais autonomia e já admite conversas com Rafael Greca sobre uma composição, sempre sob a tutela final de Ratinho Júnior. O próprio Curi disse que a hipótese de uma chapa com Greca está na mesa do governador e que ainda não há definição do PSD sobre o nome do sucessor.

Guto Silva, que durante meses foi tratado como favorito do Palácio, já não ocupa esse lugar com a mesma segurança. A rodada anterior da Paraná Pesquisas, divulgada em março, mostrou Moro com 44%, Requião Filho com 23,1%, Alexandre Curi com 11,3% e Guto com 4,3% no cenário então considerado mais provável. O número não encerra a discussão, mas explica por que o questionário novo dá pista própria a Curi e não trata mais Guto como nome natural da continuidade.

Greca, por sua vez, continua sendo testado, mas em posição mais ambígua. Saiu do PSD para o MDB, preservou densidade política e segue com recall forte em Curitiba, porém seu projeto majoritário perdeu nitidez depois que Ratinho Júnior resolveu a equação proporcional do MDB e diminuiu a pressão por uma saída imediata em torno do ex-prefeito. Nos bastidores, Greca continua no jogo, mas já não mais como peça inevitável.

O Senado também aparece como campo central da sondagem. A Paraná Pesquisas mede primeiro e segundo votos em cenários com Alexandre Curi, Alvaro Dias (MDB), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT) e Rosane Ferreira (PV), e depois afunila a disputa em combinações mais enxutas. O desenho é revelador. O PL quer saber, desde já, se consegue transformar o bolsonarismo de Filipe Barros em uma das vagas e se Gleisi manterá o espaço do lulismo no Paraná.

Gleisi e Filipe batem boca sobre caso Master.
Gleisi e Filipe Barros disputam o Senado pelo Paraná.

Antes de chegar ao Paraná, o instituto também pergunta sobre a corrida presidencial e testa um eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula. Não é pergunta solta. O PL quer medir o estado em duas frentes ao mesmo tempo, a guerra pelo governo estadual e o humor do eleitorado para a disputa nacional de 2026. Na rodada mais recente da Paraná Pesquisas para presidente, divulgada no fim de março, Lula apareceu com 41,3% no primeiro turno, contra 37,8% de Flávio, enquanto no segundo turno o senador ficou numericamente à frente, por 45,2% a 44,1%, tudo dentro da margem de erro.

O questionário ainda inclui avaliação dos governos Lula e Ratinho Júnior, aprovação e desaprovação de ambos, além de uma pergunta sobre participação em celebração religiosa nos últimos 10 dias. É um pacote amplo, desenhado para cruzar voto, imagem de governo, rejeição e perfil cultural do eleitor. A política profissional não faz pergunta inocente. Quando mede governo, religião e voto no mesmo formulário, está tentando descobrir onde o candidato cresce, onde empaca e onde pode sangrar.

Há outro dado politicamente relevante. O registro informa que a relação dos municípios e localidades pesquisados só será apresentada até o dia seguinte ao da divulgação, como permite a regra eleitoral. Por isso, a fotografia completa do levantamento ainda depende dessa complementação formal.

No centro da história está o que o questionário escolheu medir. Guto não aparece como nome consolidado. Curi ganha cartela própria. Greca continua sendo testado. Moro está em todas. Para um Paraná que saiu da janela partidária com o governismo dividido, a nova sondagem serve menos como termômetro do passado do que como radar do conflito que já começou. E, no momento, o conflito principal não está só entre Ratinho e Moro. Está dentro da própria cozinha do Palácio Iguaçu.

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