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Ratinho tenta colar a base rachada na Alep

Governador convocou almoço no Chapéu do Pensador nesta terça (7) para medir forças e conter a crise após a janela partidária.

O governador Ratinho Junior (PSD) convocou deputados de sua base de sustentação para um almoço nesta terça-feira (7), no Chapéu do Pensador, em Curitiba, numa tentativa de recompor o bloco governista depois do estrago político da janela partidária. Segundo apuração do Blog do Esmael, o encontro foi chamado sob clima de desconfiança, cobrança e irritação de aliados, que querem uma definição sobre quem será o nome do grupo para a sucessão de 2026.

Pelo desenho apurado pelo Blog, ficaram fora da mesa os 12 deputados do PL, nova legenda do senador Sergio Moro, e também o campo oposicionista de esquerda puxado por PT e PDT, que soma oito cadeiras. Na prática, esse bloco já alcança 20 votos, acima das 18 assinaturas necessárias para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A conta passou a assombrar o Palácio Iguaçu depois da ressaca da janela partidária. A composição oficial divulgada pela Alep registra 19 trocas de legenda entre os 54 deputados estaduais. O PSD segue como maior bancada, com 19 parlamentares, mas o PL foi o partido que mais cresceu e saltou para 12 cadeiras. Republicanos e Progressistas (PP) ficaram com cinco cada um, enquanto o PT tem seis e o PDT, duas.

É nesse ponto que o almoço ganha peso além da liturgia. Segundo apuração do Blog do Esmael, a ordem de Ratinho é fazer a contagem de garrafas e medir quem ainda responde ao chamado do governo depois do furacão da janela. O problema é que a conta já não depende apenas dos governistas tradicionais. Se o PP do deputado Ricardo Barros e da deputada Maria Victoria pender para uma composição com Moro, a pressão sobre o Palácio sobe mais um degrau.

A inquietação da base não nasce só do risco de CPI. Ela também cresce com a falta de uma decisão sobre a cabeça de chapa governista. O presidente da Alep, Alexandre Curi (Republicanos), elevou a temperatura nesta segunda-feira (6) ao afirmar que trabalhará “até o último minuto” para ser o candidato do grupo ao Palácio Iguaçu e defender publicamente uma candidatura única da base.

Do outro lado, Moro tenta ocupar o espaço sem romper a ponte. Também nesta segunda-feira, o senador disse que não vê Ratinho como inimigo e que o adversário do PL é o PT. A frase soa como recado duplo: baixa o tom do confronto aberto, mas preserva o direito de avançar sobre pedaços da base governista.

No Chapéu do Pensador, portanto, Ratinho não reúne apenas aliados para um almoço. Reúne uma base rachada, pressionada e desconfiada, num momento em que a Assembleia já mudou de forma e a sucessão estadual cobra pressa. Salvo reviravolta no encontro, não há sinal concreto de que o governador anunciará agora o seu escolhido.

A janela fechou, mas deixou a conta aberta dentro da Alep. Ratinho ainda tem a maior bancada, porém já não tem o conforto de antes para barrigar a decisão. Entre os governistas, a leitura já é crua: ao menos metade da tropa entrou na zona de risco para tentar a reeleição em 2026. Eis o cardápio de hoje.

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