Ômicron leva hospitais ao colapso no Brasil e no mundo

Ômicron leva hospitais ao colapso no Brasil e no mundo

No Brasil, ao menos 18 das 27 capitais cancelaram o carnaval de rua deste ano de 2022

Os casos de covid-19 saltaram cerca 76% nas últimas 24 horas no Brasil e ganhou no mundo proporções geométricas nas quantidades de infecções. Essa explosão de contágios está levando os sistemas hospitalares ao colapso nos Estados Unidos, Reino Unido e apavora as autoridades sanitárias brasileiras [menos o presidente Jair Bolsonaro, do PL, que insiste no negacionismo, posição que adota deste o início da pandemia].

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou boletim na sexta-feira (07/01) atestando que nas últimas 24 horas morreram 181 pessoas e que 63.292 novos infectados registrados em todo o país.

A Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) aponta que houve aumento médio de internamentos no Brasil de 655% nos casos de Covid-19 desde dezembro último, o que causa pânico.

Já os Estado Unidos tiveram 894 mil novos casos e 2.694 mortes nas últimas 24 horas, segundo o Our World In Data e o jornal The New York Times.

Segundo reportagem do Times, neste sábado (08/01), o quadro com mais pacientes e menos trabalhadores levou os hospitais de Nova York à beira do colapso diante da variante Ômicron.

De acordo com a publicação americana, o atual aumento nos casos de coronavírus parece ser menos mortal do que as ondas anteriores, mas alguns hospitais da rede de segurança ainda estão sendo severamente afetados.

Apesar de Bolsonaro, as autoridades brasileiras estão tomando medidas para conter o avanço da Ômicron no “País do Carnaval” e do futebol. Ao menos 18 das 27 capitais cancelaram a festa de Rei Momo na rua deste ano de 2022.

Avanço da Ômicron assusta e espanta brasileiros

Para especialistas brasileiros, o avanço da Ômicron no país recomenda cautela, e o melhor seria o cancelamento total de grandes espetáculos e festejos como os de carnaval. Embora reconheça que tais eventos foram programados em outro cenário da pandemia, a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, afirmou que, diante do que já se verificou em países do Hemisfério Norte, onde a variante se espalhou em grandes proporções, o momento é de retroceder. “É preciso que a população entenda que mudou. Não podemos mais relaxar de maneira nenhuma”, disse Isabella à Agência Brasil.

A médica destacou ainda o impacto nas mais diversas atividades, quando aumenta o número de casos. “Felizmente não teremos um número de mortes como tivemos nas últimas ondas, mas teremos tantos casos que a economia ficará prejudicada por causa do absenteísmo”, afirmou Isabella, que

citou como exemplo os inúmeros voos cancelados por causa da contaminação das equipes de tripulantes.

“Não queremos parar a economia, não queremos fechar as escolas de maneira nenhuma. As escolas não podem ser fechadas, mas precisamos da ajuda da população. É preciso entender esse recado, porque, senão, não tem como controlar. Não tem autoridade que consiga controlar”, afirmou.

O primeiro-secretário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, concorda que o momento é de restrições. “Do jeito que flexibilizamos todos, e com a nova onda chegando, a maior de todas, temos que voltar atrás, retroagir com o público no carnaval, nos estádios de futebol, nos cruzeiros. Agora é momento de restrições. Muita gente, equivocadamente, usava como critérios o número de vacinados para flexibilização. O relaxamento deve ser dado pelas taxas de transmissão.”, explicou.

Quando há muita gente em circulação, é preciso restringir mais, com poucos circulando, libera-se mais, disse o infectologista. “A conta é essa. O momento agora, é voltar para trás. Limitar a frequência”, recomendou Kfouri, reforçando que a limitação se daria até baixarem as taxas de transmissão da Ômicron.

A médica Sylvia Lemos, que é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) em Pernambuco, teme que o quadro se agrave no carnaval, quando aumenta a circulação de pessoas nas cidades e chegam turistas de outros países. Além disso, há o caso de pessoas já vacinadas que participaram de festas privadas no fim do ano e agora estão com a doença. Ainda assim, disse a médica, é preciso avaliar a evolução, porque como tem sido demonstrado desde o início, o comportamento da covid-19 é muito mutante. “É algo imprevisível e temos que esperar os tempos e como as tendências das curvas se comportam”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, disse que, por enquanto, não há previsão de alterar as medidas restritivas e que a principal recomendação para eventos é a cobrança do passaporte sanitário. Soranz destacou que as pessoas precisam ter consciência de que, para ficar juntas no mesmo local, é necessário que todas estejam devidamente vacinadas. O secretário reconheceu que isso não vem ocorrendo em alguns eventos, que terminaram com muitas pessoas infectadas, como nos cruzeiros, que precisaram ser suspensos.

Para Soranz, o panorama pode mudar, se houver aumento nas internações, por causa da falta de respeito às regras sanitárias. “Se não forem cumpridas, houver aumento no número de internações e de casos graves, teremos que mudar as medidas restritivas na cidade. O que está balizando as medidas restritivas hoje é a quantidade de internados e de casos graves, que não se alterou, não teve mudança nesse momento, mas, se houver grande circulação de pessoas não vacinadas, o cenário pode se alterar rapidamente.”

Soranz reforçou que é importante os eventos culturais continuarem cumprindo as medidas sanitárias colocadas: em locais com muita gente, exigir o uso de máscara e a apresentação do passaporte sanitário.

Uso de máscaras

A médica Isabella Ballalai alertou ainda para o uso das máscaras de tecido e as cirúrgicas, que segundo ela, não são suficientes para enfrentar a variante Ômicron.

De acordo com Isabella, as melhores máscaras são as do tipo N95 ou PFF2. Quem não tiver condição de comprá-las, deve combinar o uso das de tecido com as cirúrgicas.

Além do uso correto das máscaras, a médica recomendou a vacinação. “Quem não tomou a primeira dose, pelo amor de Deus, acorda. A pandemia não acabou.”