O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta-feira (10) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) avançou 0,91% e o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) variou 0,37%. A inflação entrou em campo com um recado direto: a crise externa já conversa com o tanque, com o frete, com a feira e com a renda.
No IPCA, o aperto veio sobretudo de Transportes, que subiu 1,64%, e de Alimentação e bebidas, com alta de 1,56%. Juntos, os dois grupos responderam por 76% da inflação oficial de março. Em 12 meses, o IPCA chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados até fevereiro.
O dado mais eloquente está na bomba. A gasolina subiu 4,59% e sozinha respondeu por 0,23 ponto percentual do IPCA do mês. O óleo diesel disparou 13,90%. Nos alimentos, leite longa vida, tomate, cebola, batata-inglesa e carnes puxaram a conta para cima. O próprio gerente do índice no IBGE registrou que os combustíveis já sentem o efeito das incertezas internacionais, e que o frete mais caro ajudou a pressionar a comida dentro de casa.
É no INPC que o peso político e social da inflação fica mais nítido. O índice das famílias assalariadas de menor renda subiu 0,91% em março, acima dos 0,56% de fevereiro. No ano, já acumula 1,87%, e em 12 meses foi a 3,77%. O grupo de alimentos acelerou de 0,26% para 1,65%, mostrando que a pancada bate mais forte justamente onde o orçamento é mais curto.
No Paraná, a fotografia de Curitiba veio abaixo da média nacional, mas longe de tranquilizar. O IPCA da capital ficou em 0,70% em março e o INPC, em 0,67%. Ainda assim, a cidade apareceu no levantamento com reajuste de 7,27% no ônibus intermunicipal e com efeitos tarifários também no transporte urbano.
O SINAPI completa a cena. O custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.925,08 em fevereiro para R$ 1.932,27 em março. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 6,73%. A pressão veio dos materiais e também da mão de obra, influenciada por reajustes salariais de dissídios coletivos.
Portanto, a guerra aparece primeiro no petróleo, migra para combustíveis e frete, encarece a alimentação e termina comprimindo a renda. A inflação oficial do Brasil acaba de transformar esse percurso em estatística.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




