A inteligência artificial passou a ser vista como mais confiável que os próprios humanos por 51% dos brasileiros, segundo pesquisa da Nexus. O levantamento mostra que as ferramentas de IA já fazem parte do cotidiano de 63% da população, e três em cada dez pessoas afirmam recorrer à tecnologia para compreender temas complexos, como política, economia e ciências.
Entre os mais jovens, a confiança é ainda maior. Na chamada geração Z, entre 18 e 30 anos, 64% acreditam que as máquinas podem tomar decisões melhores que as pessoas. A percepção positiva também é mais comum entre quem tem ensino médio, 56%, renda acima de cinco salários mínimos, 55%, e moradores do Norte e Centro-Oeste, 53%. Já entre os que discordam, 45% da amostra, predominam idosos acima de 60 anos, 57%, pessoas com ensino fundamental, 51%, e moradores do Nordeste, 49%.
O uso das ferramentas de IA também se intensificou. Hoje, 16% dos brasileiros afirmam utilizar IA todos os dias e outros 20% algumas vezes por semana. Apenas 36% nunca recorreram a esse tipo de tecnologia. A influência chega às compras: 37% já tomaram uma decisão de consumo baseada em recomendações de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Copilot, Midjourney ou IA do Canva.
Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, “não há como negar o impacto dessa geração de conteúdo, o que sugere a necessidade, por parte das empresas, de preparação, estratégia e adaptação a uma realidade que está aí”. A influência é ainda maior entre jovens, 46%, pessoas de maior renda, 45%, e quem tem ensino superior, 44%.
A pesquisa mostra também que 48% usam IA para buscar informações gerais, 45% para estudar, 41% para criar conteúdos e 39% para lazer e entretenimento. Outros 38% utilizam para questões de saúde e bem-estar, produtividade e automação de tarefas. Um dado curioso é que 30% recorrem à inteligência artificial para entender assuntos considerados difíceis, como política, economia e ciência, o que reforça o papel da tecnologia como mediadora do conhecimento.
O levantamento aponta que seis em cada dez brasileiros enxergam positivamente a presença da IA na vida cotidiana, enquanto apenas 25% têm visão negativa. O otimismo é maior entre homens, 67%, jovens e pessoas com renda mais alta. Já a resistência é mais forte entre mulheres e idosos.
A pesquisa ouviu 2.012 pessoas em todos os estados do país, entre 26 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O dado de que metade dos brasileiros acredita que a IA decide melhor que humanos revela o início de uma nova era, não apenas tecnológica, mas também de confiança e dependência. Portanto, o desafio será garantir que as decisões, sejam humanas ou artificiais, mantenham o foco ético e social, sem substituir o senso crítico que distingue a humanidade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




