Quem tem dívida no cartão de crédito, no cheque especial ou pegou empréstimo pessoal vai pagar mais caro. A taxa média de juros do crédito livre para as famílias atingiu 62,4% ao ano em setembro, com alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos percentuais em 12 meses.
Os dados são das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 29 de outubro. O destaque negativo ficou com o cartão de crédito rotativo, cuja taxa média subiu 6,8 pontos percentuais no mês.
O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somou R$ 7,4 trilhões em setembro, alta de 0,4% no mês. Em 12 meses, o crescimento foi de 8,6%, abaixo dos 9,4% registrados até agosto. O crédito para pessoas jurídicas avançou 1%, para R$ 2,8 trilhões, enquanto o crédito para pessoas físicas cresceu 0,1%, para R$ 4,7 trilhões.
A taxa média de juros das concessões ficou em 32,4% ao ano, com alta de 0,2 ponto percentual no mês. Nas operações com recursos livres, a taxa média chegou a 49% ao ano, com incremento de 0,5 ponto percentual no mês e de 3,2 pontos em 12 meses. Para as empresas, a taxa média ficou em 24,4% ao ano.
A inadimplência da carteira total ficou em 5%, estável no mês e 0,9 ponto percentual acima do patamar de 12 meses atrás. Nas operações com pessoas físicas, o indicador ficou em 6%. No crédito livre às famílias, chegou a 8,1%, com alta de 0,1 ponto no mês e de 1,2 ponto em 12 meses.
O BC atribuiu parte do movimento ao efeito da composição das carteiras. No crédito livre às famílias, contribuíram de forma equivalente o efeito saldo e o efeito taxa. A expansão do consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e para trabalhadores do setor privado, além do financiamento de veículos, puxou o crédito para pessoas físicas.
O crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 22,1 trilhões, o equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB), com avanço mensal de 0,7% e de 11,5% em 12 meses. Os títulos públicos cresceram 16,2% no período, e os empréstimos do SFN, 8,6%.
Na prática, o alívio para o devedor depende da trajetória da Selic e da concorrência entre bancos. Com juros reais elevados, a renegociação fica mais difícil e o rotativo do cartão se transforma na dívida mais cara do orçamento familiar. A recomendação de especialistas é priorizar as linhas com maior taxa e procurar o consignado apenas quando houver margem consignável disponível.
O BC não alterou a avaliação sobre os riscos do crédito. O relatório de estatísticas não traz projeção para os próximos meses, e a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) é que vai definir o custo do dinheiro para o consumidor.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




