Guerra em Ormuz encarece diesel e aperta o bolso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou por 10 dias, até 6 de abril, o ultimato para atingir instalações de energia do Irã. O gesto, porém, não desmontou a tensão. Na manhã desta sexta-feira (27), o Brent rondava US$ 109,88 e o WTI, US$ 96,05, sinal de que o mercado continua tratando a guerra como ameaça concreta ao abastecimento mundial.

O nervo dessa crise segue no Estreito de Ormuz, a passagem por onde transita cerca de um quinto do petróleo e do gás do planeta. Mesmo com a prorrogação anunciada por Trump, o fluxo global continua sob risco, e a guerra já embaralhou algo como 11 milhões de barris por dia. Ao mesmo tempo, Washington cobra ajuda de aliados, enquanto europeus discutem uma futura missão defensiva para reabrir a rota marítima.

No Brasil, o ponto de transmissão mais rápido desse choque é o diesel. O país importa cerca de 30% do combustível que consome, o que deixa transporte, agronegócio e distribuição mais expostos quando o barril dispara. Foi exatamente esse alerta que entidades do agro estão relatando: colheita, plantio, frete e entrega começam a sentir o impacto antes de quase todo o resto da economia.

O efeito já apareceu nas contas oficiais. O Ministério da Fazenda elevou de 3,6% para 3,7% a projeção de inflação de 2026 depois de incorporar um preço médio do petróleo 10,8% maior no cenário do ano. Na quinta-feira (26), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 de março ficou em 0,44%, com acumulado de 3,90% em 12 meses.

Isso também pesa sobre os juros. O Banco Central (BC) reduziu a Selic para 14,75% em março, mas petróleo acima de US$ 100 complica qualquer aposta em alívio rápido e amplo no crédito, porque devolve pressão aos combustíveis, ao frete e às expectativas inflacionárias. Essa leitura é uma inferência econômica apoiada na revisão feita pela Fazenda e no quadro inflacionário mais recente.

Brasília já se mexe para conter o estrago. A Petrobras informou que vai ofertar em abril 70 milhões de litros extras de diesel S10 e 95 milhões de litros adicionais de gasolina por contratos existentes, numa tentativa de segurar o custo interno depois da disparada internacional.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez um desabafo ao editar Medida Provisória com R$ 15 bilhões de ajuda a empresas afetadas pelo conflito no Oriente Médio. “Esta guerra não é nossa. E vamos fazer de tudo para que as empresas e a população brasileiras não sejam prejudicadas.”

O que parecia distante já entrou na conta do brasileiro. A guerra deixou de ser apenas geopolítica e passou a pressionar o diesel, o frete, a comida e o custo de vida. Enquanto Ormuz continuar sob ameaça e os bombardeios falarem mais alto que a diplomacia, o conflito seguirá batendo no caixa das famílias.

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