Feijão x fuzil: Bolsonaro alimenta o ódio; por Arilson Chiorato

Feijão x fuzil: Bolsonaro alimenta o ódio; por Arilson Chiorato

Por Arilson Chiorato*

A cada vemos aumentar a desigualdade social, os pedidos de ajuda, as pessoas vivendo nas ruas. O debate sobre a segurança alimentar voltou a ser a pauta central no debate às desigualdades, que são tantas. Alguns anos atrás, debatíamos o acesso à moradia, a inclusão social, as condições de emprego, o acesso à renda, à formação profissional.

Isto porquê a preocupação com a fome já não era a realidade do país, havíamos saído do Mapa da Fome. Pois, o primeiro operário que chegou à presidência ousou defender que todo brasileiro tivesse direito a três refeições diárias, para então poder se preocupar com as outras questões de suas vidas. Quando há fome, a preocupação é o alimento. Quando há o alimento, o cidadão tem condições de pensar em trabalho, em moradia, em saúde, em educação.

Este era o Brasil que vivemos, o Brasil em que as pessoas pararam de passar fome e puderam ter direito à casa própria, a ter direitos trabalhistas, como no caso das empregas domésticas, a ter acesso ao curso superior. A ver o filho do pobre alcançar um diploma universitário, o que antes muitas vezes não era nem um sonho, de tão distante que estava.

Infelizmente, este Brasil que viveu a abundância, hoje volta para aquela realidade que deveria ter ficado no passado. Enquanto isso, em vez de se preocupar e voltar os olhos para lutar contra a miséria, contra a desigualdade social. Bolsonaro e o bolsonarismo utilizam uma cortina de fumaça que visa ofuscar a situação de caos que estamos enfrentando.

Onde já se viu um presidente minimizar o preço dos alimentos que estão aumentando a cada dia e pior, em vez de levar a sério o debate sobre a segurança alimentar, faz piada com armamento? Este não é um Governo que zela pela vida e isso não é novidade. É o que sabemos desde a campanha eleitoral e até mesmo antes, quando muitos pronunciamentos mostravam a falta de decoro com o Executivo Federal.

Porém, é revoltante perceber que esta tática continua sendo usada para deixar a situação nebulosa. O poder da desinformação não está apenas em inventar mentiras, mas em contar verdades manipuladas e também em construir cortinas de fumaça, para enganar a população. Para fazer com que as pessoas questionem as notícias, questionem os fatos, questionem a realidade.

Ao comparar feijão com fuzil, é isso que o presidente está fazendo. Está distorcendo a realidade para que as pessoas que não acompanham o dia a dia da política fiquem no escuro e não saibam em que acreditar. É tática da desinformação é um ataque claro aos princípios democráticos, é prejudicial. Além de ser completamente desrespeitosa com milhões de brasileiros e brasileiras que vivenciam a fome, que estão com as contas atrasadas, que estão desempregados, ficando sem serviço, fechando seus negócios.

A fome é uma das pautas mais sérias que um governo pode enfrentar, mas está sendo rebatida com contrainformação sobre armamento, o apelo ao armamento é irresponsável, e essa irresponsabilidade é potencializada quando milhões de pessoas vivenciam a miséria. Ao invés de garantir alimento ao povo, Bolsonaro desrespeita o Brasil ao influenciar o armamento e alimentar o ódio.

*Arilson Chiorato, deputado Estadual, Presidente do PT – Paraná e Mestre em Gestão Urbana pela PUC-PR.

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