Início / Banco do Brics

Em nota, Dilma Rousseff diz que extrema direita mente sobre ajuda do Banco dos BRICs ao Rio Grande do Sul

Em nota divulgada à imprensa, Dilma Rousseff, presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), rebateu as alegações da extrema direita brasileira sobre a origem dos recursos destinados ao Rio Grande do Sul para enfrentamento das calamidades provocadas pelas cheias e fortes chuvas. Segundo a ex-presidente do Brasil, os recursos anunciados são fruto de operações recentes, iniciadas e aprovadas sob sua gestão no NDB, e não durante o governo Bolsonaro, como alguns setores têm afirmado.

A nota da assessoria de imprensa de Dilma Rousseff esclarece que os empréstimos foram aprovados em datas bem posteriores à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante de US$ 1,115 bilhão destinado ao Rio Grande do Sul é composto por diferentes operações financeiras, das quais a mais antiga data de novembro de 2023, enquanto a mais recente foi aprovada em março de 2024.

Dilma Rousseff sublinha que a extrema direita brasileira tem disseminado informações falsas sobre a origem dos recursos. As operações mencionadas foram aprovadas por órgãos competentes sob sua gestão, como o Senado Federal e a Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento. De fato, US$ 795 milhões (US$ 500 milhões do BNDES e US$ 295 milhões do BRDE) foram aprovados em 14 de novembro de 2023 e março de 2024, respectivamente. Além disso, US$ 200 milhões adicionais, que serão investidos diretamente pelo NDB, dependem de projetos a serem apresentados pelas autoridades brasileiras ao Banco dos BRICs, indicando que estas operações são ainda mais recentes.

Dos US$ 1,115 bilhão destinados ao Rio Grande do Sul, US$ 995 milhões foram efetivados sob a gestão de Dilma Rousseff. Quanto às operações anteriores, que somam US$ 120 milhões (US$ 100 milhões do Banco do Brasil e US$ 20 milhões do BRDE), estas foram redirecionadas exclusivamente agora para atender as necessidades do estado. Este redirecionamento evidencia a reavaliação e priorização das demandas locais mais urgentes.

A nota também ressalta as duras condições financeiras em que Dilma Rousseff encontrou o NDB ao assumir a presidência em abril de 2023. A gestão anterior, indicada pelo governo Bolsonaro, não realizou nenhuma emissão de títulos no mercado de capitais em dólar por 15 meses, de dezembro de 2021 a março de 2023, além de não emitir títulos em yuan durante sete meses. Esta falta de emissão de títulos resultou em uma crise de liquidez, limitando severamente a capacidade do banco de apoiar novos investimentos.

Desde que assumiu a presidência do NDB, Dilma Rousseff tem se esforçado para reverter esta crise de liquidez. A capacidade do banco de apoiar investimentos não apenas no Brasil, mas também nos demais países membros, foi extremamente limitada devido à falta de recursos para investir, justamente em um momento crítico em que os países mais necessitavam de apoio financeiro para enfrentar crises econômicas e desastres naturais.

A nota de Dilma Rousseff destaca a importância de combater a desinformação e esclarecer os fatos sobre as operações de empréstimo do NDB. A gestão atual está comprometida em assegurar transparência e direcionar os recursos de forma eficiente para atender às emergências e promover o desenvolvimento sustentável nos países membros. As recentes aprovações e redirecionamentos de recursos demonstram o empenho em fortalecer a capacidade de resposta a crises e melhorar as condições de vida das populações afetadas.

Com estas clarificações, Dilma Rousseff reafirma seu compromisso com a transparência e a eficácia na gestão dos recursos do NDB, desmentindo categoricamente as alegações infundadas da extrema direita brasileira sobre a origem dos fundos destinados ao Rio Grande do Sul.

sino
Lixo e lodo em Porto Alegre, após as enchentes. Foto: divulgação/RSS

Aqui está a íntegra da nota de Dilma:

Nota à imprensa

  1. A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), esclarece alguns detalhes das operações de empréstimo anunciadas para o enfrentamento da calamidade pública no Rio Grande do Sul, em razão das cheias e fortes chuvas.
  2. Ao contrário do que insinuam expoentes da extrema-direita brasileira, os recursos anunciados há uma semana por Dilma Rousseff não foram aprovados na vigência do governo Bolsonaro. As operações para a concessão de empréstimo são bem mais recentes. A mais antiga é de novembro de 2023. A mais nova, de março deste ano.
  3. Do total de US$ 1,115 bilhão para o Rio Grande do Sul, US$ 795 milhões — US$ 500 milhões do BNDES e US$ 295 milhões do BRDE — são de operações aprovadas, respectivamente, em 14 de novembro de 2023, pelo Senado Federal, e em março de 2024, pela Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento.
  4. Cabe ainda destacar que outros US$ 200 milhões anunciados pela presidenta Dilma Rousseff, que serão investidos diretamente pelo NDB, dependem de projetos a serem submetidos pelas autoridades brasileiras ao chamado Banco dos BRICS. Ou seja, são operações ainda mais recentes.
  5. Do total, US$ 995 milhões são operações feitas sob a gestão de Dilma Rousseff. Quanto às operações “antigas” — US$ 100 milhões do BB e US$ 20 milhões do BRDE — ambas foram direcionadas exclusivamente agora para o Rio Grande do Sul.
  6. Por fim, é necessário apontar as duras condições financeiras em que Dilma recebeu o NDB, ao assumir o cargo em abril de 2023. Um banco só empresta e faz investimentos com recursos que levanta no mercado. Ora, sob a gestão anterior, conduzida pelo indicado à presidência do Banco dos BRICS pelo governo Bolsonaro, o NDB não fez nenhuma emissão de títulos no mercado de capitais em dólar durante 15 meses — de dezembro de 2021 a março de 2023. Os títulos em yuan também não foram emitidos ao longo de sete meses.
  7. Até Dilma Rousseff assumir a presidência, o NDB enfrentava uma séria crise de liquidez. A capacidade de apoiar novos investimentos para os membros — além do Brasil e os demais sócios do banco — permaneceu extremamente limitada pela falta dos recursos para investir, justamente em um momento em que os países mais precisavam destes novos recursos.

LEIA TAMBÉM