Após seis meses completados da Guerra em Gaza, com 33.175 palestinos mortos e 75.886 pessoas feridas, desde 7 de outubro, os militares israelenses disseram que retiraram as suas forças terrestres de Khan Younis, no sul de Gaza.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram neste domingo (7/4) que sua 98ª divisão havia “concluído sua missão” em Khan Younis. A divisão deixou a Faixa de Gaza para “se recuperar e se preparar para operações futuras”, afirmou.
Uma “força significativa liderada pela 162ª divisão e pela brigada Nahal continua a operar na Faixa de Gaza”, disse a IDF.
O recuo das tropas israelenses ocorreu após a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, que exigiiu cessar–fogo imediato em Gaza. E, também, corroborou para esta retirada do IDF o ataque mortífero contra trabalhadores humanitários, na semana passada, que estava distribuindo alimentos para crianças e idosos famintos na Faixa de Gaza.
Por contra deste ataque à WCK (Cozinha Central Mundial), o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas adotou nesta sexta-feira (5/4) uma resolução que pede a responsabilização de Israel por possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos na Faixa de Gaza. A votação foi aprovada após 28 países votarem a favor, 13 se abstiveram e seis votaram contra.
Enquanto isso, ao redor do mundo, amplia-se o isolamento da política genocida de Benjamin Netanyahu. O secretário de Relações Exteriores britânico, David Cameron, por exemplo, disse que apoio do Reino Unido a Israel “não é incondicional” na guerra contra Gaza.
“Israel tem o direito à autodefesa que deveríamos apoiar. É claro que o nosso apoio não é incondicional: esperamos que uma democracia tão orgulhosa e bem-sucedida cumpra o direito humanitário internacional, mesmo quando desafiada desta forma”, escreveu Cameron.
Cameron também classificou o assassinato dos trabalhadores humanitários da Cozinha Central Mundial, incluindo três ex-militares britânicos, como “um terrível lembrete do custo do conflito de Gaza” que “nunca mais deve acontecer”.
Na política doméstica, a situação de Netanyahu não é mais confortável. Os intensos protestos pelo imediato cessar-fogo aumentaram à medida que a violência policial também aumentou em Israel. Cinco pessoas ficaram feridas quando um israelense dirigiu contra uma multidão de manifestantes antigovernamentais que bloqueavam uma estrada em Tel Aviv na noite deste sábado (6/4), segundo a polícia.
“Um motorista de carro bateu em três civis enquanto dirigia e continuou dirigindo até ser parado pela polícia”, disse um porta-voz da polícia.
Além disso, médicos israelenses denunciam que palestinos presos pelo exército estão sofrendo amputações devido a maus tratos e ferimentos a algemados. O jornal israelense Haaretz, citando profissionais de saúde, descreveu “condições deploráveis” e amputações “rotineiras” para esses casos de emergências médicas.
Noutro front, no norte de Israel e leste do Líbano, militares israelenses disseram que atingiram alvos do Hezbollah depois que o grupo abateu um drone israelense sobre o espaço aéreo do país no dia anterior, de acordo com um comunicado divulgado neste domingo (7/4).

Há ainda uma forte expectativa de que o Irã prepara-se para responder ao ataque de Israel ao seu consulado na Síria, quando morreram ao menos 11 pessoas na semana passada, incluindo um comandante da força al-Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Um alto funcionário iraniano alertou que nenhuma das embaixadas de Israel está mais segura, informou a agência de notícias Tasnim.
Yahya Rahim Safavi , conselheiro sênior do líder supremo do Irã, foi citado como tendo dito que Teerã via o confronto com Israel como um “direito legítimo e legal”.
A nova agência do Irã, ISNA, publicou um gráfico neste domingo que afirma mostrar nove tipos diferentes de mísseis iranianos que afirma serem capazes de atingir Israel.
Como se vê, caro leitor, Israel recuou de uma área em Gaza, mas isto não significa que está imperando um cessar-fogo como determinou a ONU.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




