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Veja como checar pesquisa eleitoral antes de compartilhar

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou o calendário das Eleições 2026 e abriu uma temporada em que pesquisa eleitoral, print de WhatsApp, card de campanha e recorte estadual já disputam a cabeça do eleitor antes da urna. No Paraná, onde a briga por governo, Senado e Presidência passa por redes sociais, a primeira pergunta precisa ser simples: esse número tem registro?

A checagem começa pelo Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), mantido pela Justiça Eleitoral. Desde 1º de janeiro de 2026, empresas e entidades que realizam pesquisas de opinião pública sobre eleições ou possíveis candidaturas precisam registrar cada levantamento até cinco dias antes da divulgação.

Isso não é detalhe burocrático. É a diferença entre um levantamento com origem identificável e um número solto, usado para empurrar narrativa de campanha. Pesquisa registrada permite conferir quem contratou, quem pagou, quando o trabalho de campo foi feito, quantas pessoas foram ouvidas, qual foi a margem de erro, qual é o nível de confiança e qual cenário foi apresentado ao eleitor.

O primeiro passo é procurar o número de registro. Toda divulgação de resultado precisa informar esse código. Se o card, o vídeo ou o print não trazem número de registro, instituto responsável, período de coleta, margem de erro e número de entrevistas, o eleitor deve tratar o material com desconfiança antes de compartilhar.

O segundo passo é entrar na área de pesquisas eleitorais do TSE e acessar a consulta pública do PesqEle. A busca permite verificar pesquisas registradas, inclusive por eleição, unidade da Federação, cargo, empresa e número de identificação. Para o leitor do Paraná, a checagem deve começar pela UF e pelo cargo: presidente, governador, senador, deputado federal ou deputado estadual.

O terceiro passo é conferir quem contratou a pesquisa. Um levantamento encomendado por partido, pré-candidato, federação, empresa privada, sindicato, entidade de classe ou veículo de comunicação pode ser legal e registrado, mas o contratante ajuda o leitor a entender o interesse político ou econômico por trás da divulgação.

O quarto passo é olhar o período de campo. Pesquisa feita em três dias diferentes não mede necessariamente o mesmo ambiente político de levantamento feito após uma operação policial, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), um ato de rua, uma crise econômica ou uma fala de Lula, Ratinho Junior, Sergio Moro, Gleisi Hoffmann, Alexandre Curi, Requião Filho ou Flávio Bolsonaro. Número antigo vendido como fato novo é uma das armadilhas mais comuns da campanha.

O quinto passo é comparar amostra, margem de erro e recorte geográfico. Uma pesquisa nacional não explica sozinha a eleição no Paraná. Um levantamento estadual não mede automaticamente Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa ou Foz do Iguaçu. Uma amostra pequena pode servir para leitura geral, mas não autoriza transformar décimos em virada eleitoral.

O sexto passo é separar pesquisa estimulada de pesquisa espontânea. Na estimulada, os nomes são apresentados à pessoa entrevistada. Na espontânea, a pessoa responde sem lista. Os dois modelos têm utilidade, mas não dizem a mesma coisa. Campanha mal-intencionada costuma misturar os formatos para inflar candidato conhecido ou esconder rejeição.

O sétimo passo é ler o questionário. O TSE exige o registro do questionário aplicado ou a ser aplicado. A ordem dos nomes, a presença ou ausência de possíveis candidatos e a formulação da pergunta podem mudar a leitura política do resultado. Se o card mostra só o placar e esconde a pergunta, falta informação essencial.

O oitavo passo é lembrar que registro não é selo de verdade absoluta. A Justiça Eleitoral recebe as informações, dá publicidade ao registro e pode ser provocada por Ministério Público Eleitoral, partido, federação, coligação, candidata ou candidato. Isso significa que uma pesquisa registrada ainda pode ser questionada se houver indício de erro, omissão, fraude ou divulgação irregular.

O nono passo é desconfiar de agregador sem fonte clara. Agregador pode ajudar quando informa quais pesquisas usa, qual peso dá a cada levantamento, qual data considera e qual critério aplica para excluir material duvidoso. Sem essa transparência, o agregador vira outro card de campanha, só com aparência de planilha técnica.

Em 2026, número eleitoral será munição diária. O eleitor não precisa virar estatístico para se proteger, mas precisa exigir o básico: registro, contratante, amostra, campo, margem, pergunta e cenário. Antes de repassar um print, vale fazer uma busca no PesqEle. Quem esconde a origem do número quer convencer antes que o leitor confira.

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