Após a nova decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu redes sociais de exibirem entrevistas ou declarações de Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente adotou uma nova estratégia visual: passou a mostrar a tornozeleira eletrônica que está usando desde a última sexta-feira, 18 de julho, por determinação da Corte.
A exibição do equipamento foi registrada por parlamentares bolsonaristas nas redes sociais, uma reação simbólica à decisão judicial. O deputado Filipe Barros (PL-PR), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, divulgou foto ao lado de Bolsonaro e declarou:
“Eu não hesitei. Suspendi meu recesso e vim a Brasília. Vim estar ao lado de quem sempre esteve do lado do povo. […] Estar aqui, ao lado dele, é meu dever como patriota. Porque não se abandona quem luta pelo Brasil”, escreveu o parlamentar, acusando o STF de promover uma “injustiça histórica”.
Outro que posou ao lado de Bolsonaro com a tornozeleira em evidência foi o deputado federal André Fernandes (PL-CE), reforçando o movimento de apoio explícito dentro da direita congressual. Os aliados passaram a se referir ao equipamento de monitoramento como “anel de pombo”, numa tentativa de ressignificação irônica diante da restrição imposta.
STF impõe novas medidas e acusa Bolsonaro de confissão voluntária
A tornozeleira foi imposta a Bolsonaro como parte de um conjunto de medidas cautelares expedidas por Alexandre de Moraes. O ex-presidente também foi proibido de se aproximar de embaixadas, de manter contato com investigados no mesmo processo e de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Segundo Moraes, as medidas são justificadas por “tentativa de obstrução de Justiça e risco à ordem pública”, no âmbito da investigação que apura tentativa de golpe de Estado.
Na decisão de sexta-feira, o ministro do STF foi categórico ao afirmar que Bolsonaro “confessou de forma consciente e voluntária uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira”. A constatação veio após depoimento do ex-presidente à Polícia Federal, também prestado na sexta (18), no qual ele teria admitido pressões e contatos para influenciar decisões judiciais.
Moraes endurece decisão e fecha cerco nas redes
Já nesta segunda-feira (21), Moraes reforçou a proibição de uso de redes sociais, acrescentando que ela se estende a transmissões, retransmissões ou veiculações de entrevistas, inclusive por meio de terceiros. Ou seja, aliados, páginas bolsonaristas e influenciadores digitais também estão proibidos de divulgar falas do ex-presidente, sob risco de sanções.
Essa nova etapa de restrição representa um novo ponto de inflexão na relação entre o STF e Bolsonaro, que vem sendo julgado por tentativa de golpe de Estado e associação criminosa no inquérito das milícias digitais.
Enquanto enfrenta crescente isolamento jurídico, Bolsonaro busca reforçar laços com parlamentares leais, como Barros e Fernandes, e redesenhar uma narrativa de “perseguição política” que reative sua base, mesmo sob censura judicial e monitoramento eletrônico.
A estratégia, no entanto, levanta dúvidas sobre até onde seus aliados poderão ir sem confrontar diretamente o Supremo e, por consequência, incorrer nas mesmas penas aplicadas ao ex-presidente.
Leia também no Blog do Esmael:
- Moraes proíbe redes de exibirem Bolsonaro e ameaça com prisão
- Malafaia convoca atos em apoio a Bolsonaro e Trump para 3 de agosto
- Tornozeleira acelera sucessão e coloca Tarcísio no centro do jogo de 2026

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





O pai do Felipe Barros deve estar se retorcendo na sepultura. Seu pai foi um baluarte da oposição ao governo ditatorial dos militares, e agora vem seu filho em apoio a esta deplorável figura que é o Bolsonaro. Esta fruta caiu muito longe do pé e ainda por ser podre