O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou na madrugada deste sábado (28) uma comissão que acabou sem documento oficial: o parecer do relator Alfredo Gaspar (União-AL) foi derrotado por 19 votos a 12, e o colegiado fechou as portas depois de sete meses de trabalho sem aprovar relatório final.
O placar, por si só, já era ruim para a oposição. O desfecho político foi pior. A comissão chegou ao fim sem a chancela formal que Alfredo Gaspar tentava carimbar sobre o escândalo, e sem o troféu institucional que o bolsonarismo queria exibir no encerramento da investigação. O parecer rejeitado pedia mais de 200 indiciamentos e mirava diretamente Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A derrota também esvaziou o momento mais explosivo do relatório oposicionista. O texto queria empurrar para o centro da cena o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de ampliar o alcance político da CPMI com acusações contra nomes de diferentes governos. Sem aprovação, isso vira peça de disputa, não documento final do Congresso.
O roteiro da sessão já vinha comprimido pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na quinta-feira (26) derrubou por 8 votos a 2 a prorrogação da comissão e obrigou o encerramento dos trabalhos até hoje. Foi esse prazo fechado que transformou a votação numa batalha final, sem margem para alongar negociação nem reabrir a investigação.
A base aliada venceu na defesa, mas não saiu com uma vitória completa no ataque. O relatório alternativo governista, que atribuía a expansão das fraudes ao governo Jair Bolsonaro (PL), também ficou sem votação por decisão de Carlos Viana. Resultado: o governo impediu a aprovação do texto da oposição, mas a CPMI terminou sem narrativa oficial de nenhum dos lados.
Isso ajuda a entender o peso real do desfecho em Brasília. O Planalto conseguiu blindar Lula de um encerramento hostil da comissão, enquanto o presidente da CPMI preservou o discurso de que a investigação seguiria fora do plenário, com envio de cópias do relatório rejeitado ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Supremo. Do outro lado, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que o texto da base seria levado à Polícia Federal.
No fim, a CPMI que prometia um gran finale saiu de cena sem veredito institucional. Ficaram o barulho, o bate-boca e a guerra de versões. O que não ficou foi o documento que transformaria sete meses de comissão em conclusão oficial. Para os aposentados lesados, isso significa que a resposta concreta segue mais nas mãos dos órgãos de investigação do que do palco político do Congresso.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




