O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou nesta quarta-feira (18) a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano e abriu, enfim, o ciclo de queda dos juros no Brasil. Foi a primeira redução desde maio de 2024, depois de um longo período de aperto e pausa monetária.
O alívio, porém, veio curto e vigiado. O Banco Central começou a baixar os juros em passo miúdo, num momento em que a guerra no Oriente Médio e o choque do petróleo voltaram a pressionar as expectativas de inflação no mundo. No próprio comunicado, o BC projetou IPCA de 3,9% em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, sinal de que o corte começou, mas sem espaço para euforia.
Do outro lado, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%. Na decisão, a autoridade monetária americana disse que a incerteza sobre o cenário econômico segue elevada e reconheceu que os desdobramentos do Oriente Médio para a economia dos EUA ainda são incertos. Jerome Powell foi mais explícito: afirmou que a alta da energia deve empurrar a inflação para cima no curto prazo, embora ainda seja cedo para medir o tamanho e a duração desse efeito.
Traduzindo para a vida real, o Brasil começou a afrouxar a política monetária, mas sem receber um ambiente internacional amigável. Com o Fed parado e o petróleo outra vez no centro da discussão, o Copom preferiu inaugurar a queda da Selic sem dar sinais de pressa. A taxa básica influencia o custo do crédito, dos financiamentos e das aplicações, mas esse alívio tende a chegar de forma lenta ao bolso do consumidor.
A superquarta terminou, portanto, com um recado claro. Em Brasília, o Banco Central começou a cortar juros. Em Washington, o Fed segurou a mão. Entre uma decisão e outra, quem continua soprando cautela sobre os bancos centrais é o preço da energia, com a guerra transformando o barril de petróleo em variável política, inflacionária e eleitoral.
O corte da Selic era esperado, mas o contexto mudou o sabor da notícia. O início do ciclo de baixa ajuda o governo e o mercado a respirar, só que não inaugura uma temporada de dinheiro barato. Inaugura, isso sim, uma fase de juros menores sob vigilância cerrada. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




