O Banco Central manteve, pela segunda reunião seguida, a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.
A decisão unânime do Copom contrasta com a do Federal Reserve, nos Estados Unidos, que reduziu sua taxa em 0,25 ponto, para a faixa entre 4% e 4,25%.
Com isso, o Brasil segue no topo do ranking mundial de juros reais, atrás apenas da Argentina.
A política restritiva do BC, sob comando de Gabriel Galípolo, indicado por Lula (PT), busca conter a inflação projetada em 4,8% para 2025, acima da meta de 3%.
O problema é que juros tão altos sufocam o crédito, desestimulam o consumo, travam o crescimento econômico e limitam a geração de empregos.
Não por acaso, o Ministério da Fazenda revisou para baixo a expectativa do PIB em 2025, de 2,5% para 2,3%.
Nos bastidores, a leitura é de que o Copom joga com excesso de cautela e a favor da Faria Lima.
Enquanto o Fed começa a aliviar o custo do dinheiro em meio à desaceleração do mercado de trabalho americano, o Brasil insiste em juros proibitivos.
Para a população, especialmente a mais pobre, isso significa crédito caro, financiamento inviável e renda comprimida.
Se o objetivo fosse apenas atrair capital especulativo, a Selic a 15% já cumpre esse papel.
Mas a que preço?
O país paga com estagnação e desigualdade.
Nesse cenário, com juros estratosféricos, a ironia é inevitável: quem precisa de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como promessa de austeridade, se o Banco Central já faz esse papel de freio de mão puxado?
Manter o Brasil com o maior juro real do mundo é opção política e não técnica.
A democracia exige que o Banco Central seja independente da Faria Lima e próximo da vida real da população.
Caso contrário, estaremos condenados a trocar crescimento por rentismo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




