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Nem tudo são flores para Tarcísio, segundo pesquisas da Faria Lima

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como herdeiro político do bolsonarismo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, não tem motivos para comemorar, segundo levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta terça-feira (17).

A pesquisa mostra que sua guinada radical em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encontra resistência crescente no eleitorado.

Os números revelam que apenas uma parcela limitada da população apoia o discurso do governador paulista pelo perdão amplo aos condenados do 8 de Janeiro.

Questionados sobre a chance de votar em Tarcísio caso mantenha a bandeira da anistia como prioridade de campanha presidencial, a maioria dos entrevistados respondeu negativamente.

O estopim foi o ato de 7 de Setembro, quando Tarcísio encerrou discurso na Avenida Paulista atacando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e prometendo “vitória com anistia”.

O levantamento aponta que a frase teve rejeição majoritária, inclusive em segmentos que poderiam compor a base conservadora necessária para viabilizar sua candidatura nacional.

Não por acaso, ao longo da semana, jornais e TVs da velha mídia corporativa ressaltaram que o governador “exagerou” ao se radicalizar em favor de Bolsonaro.

A análise do mercado financeiro, reproduzida pela chamada “Faria Lima”, é de que o paulista pode ter queimado capital político ao se alinhar de maneira tão explícita ao ex-mandatário condenado por tentativa de golpe.

Nesse sentido, a “Lei Tarcísio” que anistia os golpistas de 8 de janeiro é veneno puro na veia do governador paulista.

A mesma pesquisa mostra que, entre eleitores de direita e centro-direita, Tarcísio ainda aparece como uma das opções para suceder Bolsonaro.

Apuração do Blog do Esmael aponta que Tarcísio poderá, até dezembro, migrar de mala e cuia para o PL, buscando encarnar a imagem e semelhança de seu padrinho político.

Mas os índices de rejeição à sua fala indicam que há dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral diante de Lula em 2026.

A mensagem subliminar das planilhas da Faria Lima é clara: a direita brasileira precisa decidir se aposta na continuidade do bolsonarismo raiz ou se busca um rosto mais palatável.

Tarcísio, que vinha sendo tratado como “candidato natural” da extrema direita, enfrenta um dilema precoce: agradar a bolha bolsonarista ou ampliar seu raio de alianças.

O problema é que a primeira opção rende manchetes, mas afasta votos.

A segunda exige coragem para se desvincular de Bolsonaro, o que até agora ele não demonstrou.

Entre aliados mais fiéis do clã, o governador de SP já é visto como “traidor” e cogitam uma candidatura anti-Tarcísio pela direita.

Se quiser chegar competitivo a 2026, terá de recalibrar o discurso, aconselham os oligarcas da Faria Lima.

Leia mais análises no Blog do Esmael.

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