Durante a convenção para oficializar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo, neste sábado (20/7), o presidente Lula (PT) afirmou que ele “já pode se considerar o futuro prefeito”. A chapa com a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) como vice foi formalizada em evento no Expo Center Norte, na zona norte da capital.
Lula destacou que Boulos “é a única possibilidade dessas eleições” para garantir dignidade e respeito para “o povo de São Paulo, sobretudo da periferia”. “Você pode ter certeza que conta com o meu apoio em qualquer momento. Não se deixe levar pelas mentiras, não aceite provocações”, afirmou o presidente.
O presidente Lula reforçou a confiança em Boulos, afirmando que ele está “predestinado a ser o futuro prefeito de São Paulo”. Lula também mencionou a importância de evidenciar “quem está com os outros candidatos” e que a vitória de Boulos significará que os fascistas nunca mais governarão o país.
No início da fase pré-eleitoral, Boulos liderava as pesquisas de intenção de voto, mas viu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) se aproximar. No levantamento mais recente do Datafolha, Nunes marcou 24%, enquanto Boulos obteve 23%, configurando um empate técnico.
O evento contou com a presença de seis ministros do governo, incluindo o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), atual ministro da Fazenda. As ex-prefeitas Luiza Erundina (PSOL) e Marta Suplicy também discursaram, reforçando a união em torno da candidatura de Boulos.
Boulos pretende utilizar o legado das três administrações do PT como mote de campanha, sinalizando a continuidade de medidas progressistas. Os discursos dos representantes do PSOL, PT e partidos aliados reforçaram a oposição ao prefeito Nunes e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Boulos, deputado federal, destacou o “cheirinho de vitória” e agradeceu a Lula por livrar o país “do atraso. Ele afirmou que “São Paulo precisa de um choque de humanidade” e lembrou sua trajetória no MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Boulos ressaltou que sua campanha será focada em mostrar “que São Paulo precisa de mudança”, evitando discussões ideológicas ou debates rebaixados por mentiras.
“Começou a caminhada que vai mudar São Paulo. A partir de hoje, na nossa Convenção, sou oficialmente candidato a prefeito de São Paulo. Vai ser com muita coragem e esperança”, disse Boulos.
Marta, que até o final de 2023 era secretária na gestão Nunes, disse que os demais candidatos representam “o retrocesso” e caracterizou a campanha de Boulos como uma frente democrática. Ela retornou ao PT para compor a chapa com Boulos, reforçando a estratégia de união dos partidos progressistas.
A coligação “Amor por São Paulo”, liderada por PSOL e PT, inclui oito partidos do campo progressista, com exceção do PMB (Partido da Mulher Brasileira). O PCB (Partido Comunista Brasileiro) foi o último a se juntar à aliança.
Antes do evento com Boulos, Lula participou da convenção em São Bernardo do Campo para o lançamento da candidatura de Luiz Fernando (PT) a prefeito, com William Dib (PSB) como vice. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, destacou a importância da eleição em São Paulo não apenas para a cidade, mas para o Brasil, reiterando a estratégia de derrotar o campo liderado por Bolsonaro.
Lula, ao escolher Boulos e Marta, busca marcar posição na maior cidade do país e reforçar seu enfrentamento contra Bolsonaro. A convenção sela um projeto estratégico iniciado antes mesmo do retorno de Lula ao Planalto, consolidando a aliança com o PSOL e repatriando Marta ao PT.
Boulos fez concessões para se adaptar ao perfil de um candidato mais próximo do sistema, suavizando sua imagem e tom. A chapa Boulos-Marta representa uma manobra política significativa e uma aposta na vitória da esquerda nas próximas eleições municipais em São Paulo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




