Cerimônia de Posse do Presidente do Equador, Guillermo Lasso. Foto: Alan Santos/PR

Filhote de Bolsonaro, presidente do Equador alega violência e narcotráfico para declarar estado de exceção [vídeo]

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, de extrema direita, comunicou na noite desta segunda-feira (18/10) que o país está em estado de exceção e que as Forças Armadas sairão às ruas para zelar pela segurança dos cidadãos. “As Forças Armadas serão sentidas com força”, discursou em rede nacional de rádio e televisão. Lasso se considera o “Bolsonaro” da imaginária Linha do Equador, em alusão ao extremista e genocida brasileiro Jair Bolsonaro.

Alegando que o Exército passará a fazer patrulhas junto com a polícia e a atuar “contra a delinquência”, o decreto do presidente equatoriano tem validade de 60 dias. “As Forças Armadas participarão do controle operacional da segurança dos cidadãos, da prevenção de delitos e da manutenção da ordem pública e realizarão operações de controle, buscas e apreensões.”

O presidente do Equador nomeou o general da reserva Luis Hernández como novo ministro da Defesa porque o antigo, Fernando Donoso, renunciou ao cargo pela manhã de ontem.

Justificando o estado de exceção, Lasso disse que as mudanças se davam em nome do combate ao narcotráfico e à violência. “Nas ruas do Equador só existe um inimigo: o narcotráfico”, disse Lasso. “Nos últimos anos, o Equador passou de país de tráfico de drogas a um país que também as consome.”

O Equador vinha de uma série de manifestações contra o neoliberalismo e os preços abusivos dos combustíveis desde o governo anterior de Lênin Moreno. O país foi um dos que mais sofreu com a pandemia, o desemprego e a fome na América Latina –a exemplo do Brasil.

Embora o componente social seja mais explosivo, o presidente afirma que a Defesa deve apresentar um plano de reforma das Forças Armadas com o objetivo de que a luta contra a violência seja “mais forte, sólida e comprometida”.

O discurso de Lasso ataca o efeito, não a causa dos 1.427 assassinatos havidos no país entre janeiro e agosto, 55 a mais do que em todo o ano de 2020, segundo o Ministério do Interior. Em meio a uma disputa entre facções criminosas, o Equador vive também uma crise de motins em prisões, com a mais recente rebelião, no fim de setembro, tendo terminado com ao menos 118 mortos.

O suposto combate à criminalidade deu o motivo para o estado de exceção no Equador, que fez escola com o presidente do Brasil. Não é à toa que Guillermo Lasso é chamado de “Filhote de Bolsonaro” no país andino.

Em 24 de maio deste ano, o presidente Jair Bolsonaro fez questão de participar, em Quito, capital do Equador, da posse do presidente do país, Guillermo Lasso. Ou seja, a situação política do novo presidente equatoriano –o Filhote de Bolsonaro– se degringolou em apenas cinco meses em virtude da crise econômica, cuja culpa foi “transferida” para a violência.

Na época da visita ao Equador, Bolsonaro levou a tiracolo seu filho “Zero Três”, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que se arvora principal ideólogo da extrema direita no mundo.

O caso aconteceu na Penitenciária do Litoral de Guayaquil, no sudoeste do país. De acordo com o Ministério Público, os confrontos pelo controle do local opuseram presos ligados à quadrilha dos Choneros, apoiada pelo cartel mexicano de Sinaloa, a grupos de outras gangues —como Tiguerones, Lobos e Lagartos, apoiados pelo CJNGC (Cartel de Jalisco Nueva Generación), também do México.

O movimento também se deu em reação à iniciativa do governo de transferir os chefes das organizações criminosas para outras penitenciárias na região central do país.

Esses grupos internacionais têm se associado a facções locais em busca de rotas privilegiadas de exportação de drogas para outros países. Vizinho do maior produtor de cocaína do mundo, a Colômbia, o Equador se tornou um porto estratégico para escoamento da droga.

Antes desse caso em setembro, o conflito mais violento até aqui tinha ocorrido em fevereiro, quando rebeliões simultâneas mataram 79 pessoas em penitenciárias equatorianas. Meses depois, em julho, outros motins deixaram mais 22 mortos.

Apesar da alegada violência no país, a pior violência está centrada nas questões sociais –muito parecidas com as brasileiras, que Deus nos livre e guarde.

Assista ao vídeo da visita de Bolsonaro ao Equador [24/05/2021]

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