Oposição vai pedir novo impeachment de Bolsonaro às 11 horas desta quarta-feira 31 de março

O presidente Jair Bolsonaro irá comemorar o golpe militar em 31 de março de 1964, nesta quarta (31/3), com um novo pedido de impeachment na Câmara dos Deputados.

“Eu e os demais líderes da Oposição e da Minoria no Congresso Nacional vamos apresentar nesta quarta um novo pedido de impeachment contra Bolsonaro pelo uso inconstitucional das Forças Armadas para atacar a democracia. A coletiva será transmita por nossas páginas no Facebook às 11h”, comunicou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), recém-eleito líder da Minoria na Câmara.

O novo pedido de impeachment de Bolsonaro foi motivado após o Ministério da Defesa anunciar que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica serão substituídos.

O principal argumento da oposição é de que o governo está tentando uma “cooptação das Forças Armadas”, o que teria ficado evidenciado pela renúncia coletiva do ministro da Defesa e dos chefes das três forças armadas.

Além de Freixo, o pedido de impeachment será assinado pelos líderes da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ) e, por fim, da Minoria no Congresso, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

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Para o senador Jean Paul, as trocas nas Forças Armadas foram motivadas pela intenção de Bolsonaro se preservar no poder por meio de um golpe.

“Pelo visto, ele trocou o ministro da Defesa num impulso. Sem pensar nas consequências de seu movimento, ele está em xeque. As trocas no Ministério da Defesa e na chefia das Forças Armadas num Brasil em que a sociedade ainda não se recuperou totalmente de um regime militar podem ter implicações graves. Por sorte, percebo nos chefes das Forças Armadas que eles não estão dispostos a fazer o papel de peões no tabuleiro de Bolsonaro. Sabem de sua importância para o país e que não podem ser apenas peças de um jogo sujo de quem quer se preservar na cadeira a qualquer custo”, disse o senador petista.

Outra ideia da oposição é convocar uma audiência pública com o general Fernando Azevedo e Silva, agora ex-ministro da Defesa, que teria saído do governo por contrariar Bolsonaro.

As mudanças nas Forças Armadas foram motivadas pelo desejo de Bolsonaro de ter um ministro e comandantes militares mais alinhados ao seu governo, com declarações públicas de apoio. Azevedo, por exemplo, insistia em manter o trabalho de forma institucional, como destacou em sua nota de despedida, em que escreveu: “preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”.

Por conta disso, o líder do PDT no Senado, Cid Gomes (CE), defendeu que o Congresso deve ouvir Azevedo para entender os motivos de sua saída do governo.

“Apresentei requerimento para que o ex-ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, esclareça os motivos de sua demissão. O Brasil não pode ficar sujeito às crises geradas a partir de surtos totalitários do presidente. É missão do Senado resguardar a democracia”, disse.