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Vacina versus armas de fogo

Esta semana foi particularmente muito ruim para a necropolítica do presidente Jair Bolsonaro. Em termos de imagem, se é que ele leve isso em consideração, o inquilino do Palácio do Planalto sofreu um dano de difícil reparação. Enquanto o povo clama por vacina contra a covid-19 o mandatário ofereceu facilidades para importar armas de fogo, um artefato que provoca dor, mutilações e morte.

Por outro lado, forçoso reconhecer, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) manejou melhor o marketing da “guerra da vacina” estendendo a mão para prefeitos e governadores, que são pressionados em seus territórios pela busca do imunizante –a despeito da omissão de Bolsonaro.

Além disso, a velha mídia mostra o tucano produzindo diariamente ‘um milhão de doses’ da vacina no Instituto Butantan, na capital paulista, mesmo com a forte oposição do presidente Bolsonaro e da Anvisa –uma agência sanitária que infelizmente foi transformada em comitê de pré-campanha para 2022.

O cerco a Bolsonaro poderá ter consequências imediatas nas eleições para as mesas da Câmara e do Senado. A aposta principal é de chabu na Casa presidida pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda magoado com o presidente da República, que mexeu os pauzinhos para impedir sua tri-eleição.

Se Bolsonaro quiser minimizar os estragos políticos dessa fase errática de seu governo precisará iniciar a “vacinação” pelos deputados e senadores, caso contrário ele sofrerá um revés político que o deixará distante da reeleição em 2022.

Doria, com o apoio da burguesia paulistana, continua a fungar no cangote de Bolsonaro. Sem o ex-ministro Sergio Moro, que empreendeu “fuga” para os EUA, o governador paulistano virou a tábua da salvação de grupos econômicos que ampliaram sua desconfiança em relação ao atual presidente.

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