É a economia, estúpido!

Após a divulgação da pesquisa Datafolha com a aprovação recorde do presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (13), não se cansam de me perguntar “como” o Coiso tem 37% de “ótimo” ou “bom” entre os brasileiros.

Muitos não conseguem compreender “como” o resultado desfavorável a Bolsonaro nas eleições municipais de 2020 não repercutiu negativamente na aprovação do presidente.

Muitas pessoas também não entendem por que a maioria dos brasileiros (52%) não relaciona o inquilino do Palácio do Planalto às 181 mil mortes por covid-19, desde o início da pandemia.

E o que falar do desemprego nas alturas, da hiperinflação, da volta da fome e da miséria?

Vamos em partes, como faria o Jack Estripador.

Primeiro é preciso destacar que a velha mídia corporativa brasileira quer comer a omelete sem quebrar os ovos, isto é, ela é contra a figura do presidente Jair Bolsonaro, porém ela defende as mesmas canalhices econômicas que ele implanta por meio do sinistro Paulo Guedes. Nesse cenário, é importante ressaltar que os barões da mídia nunca ganharam tanto dinheiro como nesse obscuro período.

Todos os embates do ponto de vista “moral” foram vencidos por Bolsonaro, tais como: homofobia, racismo, negacionismo, misoginia, identitarismo, enfim, prevaleceu a necropolítica durante essa primeira metade do governo.

Se na pauta “moral” sustentada pela hipocrisia Bolsonaro venceu, por que então a mídia corporativa e parte das esquerdas não mudam o disco? Por que não apontam o dedo para a desgraça na economia?

O Brasil é a nação com a maior taxa de desempregados do planeta. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), temos a metade da população economicamente ativa desocupada –cerca de 80 milhões de almas–, praticamente o mesmo número de pessoas que dependem de alguma ajuda governamental para não morrer de fome.

Já escrevi aqui várias outras vezes, mas não custa repetir. Os jornalões –Globo, Folha, Estadão, Veja, et caterva—há muito abandonaram o jornalismo, na sua acepção clássica, para especular com as notícias. Nos últimos anos recentíssimos, empresas de comunicação brasileiras viraram braços de fundos de investimentos (PagSeguro, maquinhas de pagamento eletrônico “Ton” e “Amarelinha”, XP Investimentos, BTG Pactual, Empiricus…).

É na precarização da mão de obra e no aviltamento dos salários que as empresas de comunicação estão ganhando muito dinheiro porque elas, hoje, ou defendem os grupos financeiros a que pertencem ou os restritos grupos econômicos, possivelmente investidores ou acionistas, em detrimento das necessidades da sociedade.

Parte da esquerda, da oposição e da mídia corporativa não pretende quebrar os ovos, mas querem continuar se fartando da omelete. Ou seja, há uma blindagem desses setores para que tudo fique como está. Paulo Guedes, o representante dos bancos, é “imexível” porque é o guardião desses privilégios.

Se um incrédulo lhe inquirir “como” Bolsonaro sobrevive a isso tudo, recorde da célebre frase da James Carville, o ex-estrategista de campanha de Bill Clinton: é a economia, estúpido!

O palpite do Blog do Esmael é que o presidente Jair Bolsonaro não resistiria a uma rajada forte de vento, se os atores políticos mirassem sua crítica na questão econômica e abandonasse as pautas de natureza moral.

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