Ciro vs Moro: não é de ‘centro’ nem aqui nem na China

O ex-governador Ciro Gomes (PDT) pegou a estrada e o microfone na reta final desta campanha. Em atividade de campanha em São Paulo, nesta segunda-feira (9), o presidenciável ironizou a fake news de que o ex-ministro Sérgio Moro seria candidato de ‘centro’ na disputa pela Presidência da República em 2022. ‘Nem aqui nem na China’, disse.

Ciro Gomes contestou a tese segunda qual Moro, o apresentador Luciano Huck (Globo) e o governador de São Paulo, João Doria, estariam no ‘centro’ do espectro político brasileiro.

“No dia que Doria, Huck e Moro forem de centro, eu sou de ultra-esquerda, o que eu nunca fui”, ironizou o presidenciável do PDT, ao comentar o tititi iniciado pelos três com vistas às eleições de 2022.

A declaração de Ciro ocorreu após evento com a militância pedetista em apoio ao ex-governador Márcio França (PSB), candidato à Prefeitura de São Paulo, em uma chapa com o pedetista Antonio Neto na vice.

“Então vamos ter compostura. Moro vendeu a toga em troca de um cargo vitalício e é um cara da extrema-direita. O Moro se veste como os fascistas italianos da década de 1930. Ele está sempre com uma camisa escura sobre um paletó escuro. O Moro é fascista. O Moro vendeu a toga, prendeu um adversário político, tirou o adversário político da eleição e, em seguida, aceitou ser ministro do que ganhou a eleição. Isso é uma lesão ética que transforma o Moro para mim em um grande malandro”, disparou Ciro.

O ex-governador do Ceará, porém, aliviou para o lado de Huck e atribuiu a ele inexperiência para dirigir o país.

“O Luciano Huck é um apresentador de televisão. Ok, é uma tarefa das mais dignas. Isso prepara para enfrentar a maior crise social, econômica? O posicionamento internacional do Brasil, o Congresso hiper fraturado?”, perguntou. “Só a irresponsabilidade de algumas pessoas da elite brasileira é que permitem a gente acreditar isso”, afirmou.

Por outro lado, Ciro Gomes foi bastante ácido em relação a Doria, ao dizer que o governador de São Paulo mentiu para o povo quando era prefeito da cidade. Doria tinha prometido não deixar o mandato na Prefeitura para disputar o governo do estado, no entanto, dois anos depois abandonou cargo pelo atual.

“Ele já resolveu: vai terceirizar a Prefeitura para o MDB, vai terceirizar o governo do Estado para o DEM. Esse é o plano dele, para ele ser o presidente da República. E vocês que se arrebentem”, discursou Ciro.

Ciro comenta encontro com Lula

O ex-governador Ciro Gomes confirmou que esteve com o ex-presidente Lula no início setembro.

“Eu tive (um encontro com Lula). Fui convidado pelo governador Camilo Santana (petista que administra o Ceará e é próximo à família Gomes) e tive uma conversa muito franca, muito franca mesmo. As pessoas gostariam de que eu usasse uma expressão popular: lavamos a roupa suja, para valer”, detalhou.

Ciro vê como positiva a conversa com o petista. “Eu diria que, sob o ponto de vista das compreensões da questão brasileira para trás e para frente, continuamos como estávamos antes de conversar. Mas a mim me agrada a ideia de que a gente faça política conversando. Sabe? O que pega é catapora”, disse.

O ex-governador cearense jurou nenhum dos dois deu qualquer sinalização concreta de plano para o futuro, isto é, sobre 2022.

Ciro vs Bolsonaro

Perguntado se o deputado Celso Russomanno (Republicanos) estava errado ao estava usar Bolsonaro em sua campanha, Ciro, que não costuma medir palavras, disse que foi uma decisão “idiota”.

“Desculpe dizer. O Bolsonaro é um idiota e o Russomanno não é do ramo. O Russomanno vive de explorar essa popularidade que a televisão dá, ele está aí nos programas popularescos, mundo cão, tal que ele é desse ramo, e acha que isso vai transformar o povo em idiota. Isso é muito bobo, porque nunca será assim que o povo vai votar”, defendeu.

O ex-governador também afirmou que Bolsonaro vai “levar uma sova” nas grandes metrópoles do País.

“O Bolsonaro é um imbecil completo. Por quê? Porque vai levar uma sova grande em São Paulo, outra grande no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais não está vendo nem o azul. Não se apresentou no Rio Grande do Sul, não se apresentou nem no Sul, onde ele [supostamente] tem força. No Nordeste brasileiro, ele não vai levar em canto nenhum”, asseverou.

Para o presidenciável do PDT, a expectativa de que aliados do presidente percam em grandes cidades acena para a possibilidade de que o eleitorado está começando a rejeitar extremos.

“Parece que o bolsonarismo boçal e o lulopetismo corrompido vão levar uma grande surra no Brasil inteiro”, disse Ciro Gomes.

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