Efeito Bolsonaro: Preço da carne dispara e some do prato do brasileiro

Um dos efeitos mais perversos da política econômica do governo Bolsonaro é a volta da carestia e da inflação. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) o preço da carne subiu 4,83% – em algumas regiões do país a elevação foi maior ainda.

A carne teve, de janeiro a outubro de 2020, uma alta de 11,04%, pressionando pela redução do consumo do produto da mesa dos mais pobres. Segundo analistas, a tendência é de alta no preço da carne nos próximos meses.

A alta dos preços não afeta somente o preço da carne bovina. A inflação dos alimentos atinge em cheio outros produtos de amplo consumo popular: Arroz, feijão, óleo de soja, tubérculos e leguminosa, leite, entre outros, continuam em disparada nas gôndolas dos supermercados.

Os capitalistas do agronegócio brasileiro aproveitaram o momento da pandemia de Sars-Cov-2 para elevar seus ganhos com a valorização do dólar sobre o real, ampliando as exportações, já que países exportadores frearam suas exportações para protegerem os seus mercados internos da alta de preços e de escassez de alimentos.

Por sua vez, o governo Bolsonaro não adotou nenhuma medida para controlar a alta da inflação dos alimentos. Além disso, o governo eliminou os estoque reguladores dos armazéns estatais.

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Carestia, mais uma marca do desastre da política econômica neoliberal de Bolsonaro e Guedes

De acordo com o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base no IPCA-15, a inflação percebida pelos brasileiros mais pobres frente aos preços dos alimentos mais que triplicou em relação à dos mais ricos. De janeiro a outubro, a inflação das famílias de renda muito baixa foi de 3,68%, enquanto a da alta renda ficou em apenas 1,07%.

Para a população de baixa renda, comer e beber está 9,75% mais caro entre janeiro e outubro de 2020, aponta os dados da inflação pelo IPCA-15, que subiu 2,31% no período. Considerando apenas os alimentos consumidos no domicílio, aqueles comprados em supermercados, o avanço de preços no ano foi de 12,69%.

Já a inflação percebida pelas famílias de renda mais baixa subiu a 5,48% nos 12 meses encerrados em outubro. Entre os mais ricos, a inflação foi de 2,50% no período.

De acordo com Maria Andréia Parente Lameiras, que é, responsável pelo cálculo do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda do Ipea, “os alimentos no domicílio representam 30% do cálculo da inflação da baixa renda. Enquanto entre a dos mais ricos não chega a 10%. Então o impacto do aumento de preços acaba sendo muito menor entre os mais ricos”.

Na cadeia dos preços dos alimentos, a alta de um alimento gera o aumento de outros, é um efeito dominó. No Brasil os preços dos alimentos que não são exportados também sofrem influências da alta dos produtos que são dolarizados.

A carestia e a inflação, com a redução da massa salarial e o desemprego, são resultados da política econômica desastrosa do governo neoliberal de Bolsonaro. Uma política da volta da fome imposta contra a imensa maioria do povo brasileiro.

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