Escalada: Brasil registra mais 1.163 mortes por Covid-19 e se aproxima de 78 mil óbitos

O Brasil registrou nesta sexta-feira (17) 34.177 novos casos de coronavírus, o que eleva o total no país a 2.046.328, e mais 1.163 mortes em decorrência da Covid-19, atingindo a marca de 77.851 óbitos, informou o Ministério da Saúde.

O país havia superado na véspera os 2 milhões de infecções pelo vírus, patamar que levou apenas 27 dias para ser alcançado após o registro do primeiro milhão de casos.

O Brasil é o segundo do mundo com maior número de infecções e óbitos por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

São Paulo segue como o Estado brasileiro mais afetado pela doença, atingindo as marcas de 407.415 casos e 19.377 óbitos. O governo paulista estima que o Estado chegará ao final de julho com entre 510 mil e 600 mil casos, enquanto o número total de mortes no fim do mês é projetado entre 21 mil e 26 mil.

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Ceará e Rio de Janeiro dividem o segundo lugar da lista divulgada pelo Ministério da Saúde. Embora o Estado nordestino tenha mais casos (145.938 infecções, 7.165 mortes), o Rio possui maior número de óbitos (135.230 casos, 11.919 mortes).

O Pará –que está bem próximo do Rio de Janeiro em relação à quantidade de casos–, a Bahia e o Maranhão são os outros três Estados do país que possuem mais de 100 mil infecções confirmadas.

O Brasil conta com 1.321.036 pacientes recuperados da Covid-19, além de 647.441 em acompanhamento, segundo o Ministério da Saúde.

A taxa de letalidade da doença no país é de 3,8%.

*As informações são da Reuters

Covid-19: Ex-ministros da Saúde alertam para tragédia e a omissão do governo Bolsonaro

Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, nesta sexta-feira (17), os ex-ministros Alexandre Padilha, Arthur Chioro, Barjas Negri, Humberto Costa, José Gomes Temporão, José Saraiva Felipe e Luiz Henrique Mandetta denunciam a omissão do governo Bolsonaro diante da escala da pandemia do novo coronavírus, que provocou mais de 75 mil mortes no país.

Os ex-ministros apontam também o fracasso da gestão militarizada do general Eduardo Pazuello na Saúde. “A gestão militarizada do MS não trouxe nenhum ganho em eficiência logística e sequer tem sido capaz de adquirir os testes necessários ou de executar os recursos orçamentários disponibilizados, já que apenas 30% foram gastos até agora. O fato é que o governo federal abriu mão de seu papel constitucional de coordenação e condução do esforço nacional de combate à COVID 19 com evidentes prejuízos à capacidade do país em reduzir os impactos da doença”, diz o texto.

No artigo, os ex-ministros demandam do governo do presidente Bolsonaro medidas e ações para conter a expansão do coronavírus e o abandono do discurso negacionista e irresponsável que delegou o comando do ministério para militares sem experiência de gestão na área da Saúde Pública.

Leia a íntegra do artigo:

60 dias de omissão na saúde

O Brasil sucumbe de modo trágico à pandemia do coronavírus e o luto cobre a nação brasileira. Ao ultrapassar as 75 mil mortes causadas pela COVID 19, número inferior apenas ao dos EUA, a doença avança pelo país deixando um rastro de dor e sofrimento. Mas poderia ter sido diferente se o governo federal tivesse guiado suas ações ouvindo a ciência, mobilizando a sociedade, construindo estratégias com estados e municípios e assumindo sua responsabilidade de liderar e coordenar o esforço nacional de enfrentamento da pandemia.

O Presidente da República, após demitir dois ministros por discordarem de sua condução negacionista e irresponsável, entregou o Ministério da Saúde (MS) a um interino militar que nomeou dezenas de outros militares para cargos estratégicos no MS, em atitude ofensiva à saúde pública brasileira, que conta com técnicos e gestores experientes, dedicados e capacitados. O MS tornou-se uma instituição desacreditada e vista com reservas pela opinião pública, seja ao distorcer estatísticas oficiais, seja por aprovar protocolo que não se baseia em evidências científicas para o manejo da doença. A gestão militarizada do MS não trouxe nenhum ganho em eficiência logística e sequer tem sido capaz de adquirir os testes necessários ou de executar os recursos orçamentários disponibilizados, já que apenas 30% foram gastos até agora. O fato é que o governo federal abriu mão de seu papel constitucional de coordenação e condução do esforço nacional de combate à COVID 19 com evidentes prejuízos à capacidade do país em reduzir os impactos da doença.

O SUS tem sido fundamental para evitar uma situação de barbárie e caos social. Como explicar a resiliência do SUS apesar do desfinanciamento e seus problemas estruturais? Na prática, a partir da decisão do STF sobre a autonomia dos entes da federação no enfrentamento da epidemia, estruturou-se no país uma “autoridade sanitária alternativa” embora não formalizada enquanto tal, composta por governadores, prefeitos, sanitaristas e outros especialistas, entidades das áreas da saúde pública, da ciência, da medicina, partidos políticos, Congresso Nacional, Poder Judiciário e grande mídia; que vem se dedicando com grandes limitações ao enfrentamento da situação sanitária.

Não se trata apenas, de uma atuação equivocada ou incompetente do presidente e do governo federal. As decisões tomadas nos campos sanitário, econômico e social expressam uma lógica perversa que rege todo o governo e que subjuga as necessidades da população ao princípio da austeridade fiscal, indiferente aos danos que isso possa causar na vida das pessoas.

Que o governo federal assuma suas responsabilidades intransferíveis! Que o Ministério da Saúde seja devolvido à saúde pública! Que se ponha fim à omissão no enfrentamento da pandemia! Que possamos finalmente unir esforços e enfrentar de forma obstinada a pandemia de COVID-19 e seus graves efeitos sociais e econômicos, sobre a nação.

Alexandre Padilha
Arthur Chioro
Barjas Negri
Humberto Costa
José Gomes Temporão
José Saraiva Felipe
Luiz Henrique Mandetta

*Artigo publicado originalmente na Folha de São Paulo (17/07/2020)